Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Economia

Economia mundial supera expectativas em 2013

China e Estados Unidos apresentam taxas positivas, mas moderadas, e União Europeia saiu da recessão

Jornal do Brasil

As maiores economias do mundo mostraram ao longo deste ano os frutos de seus planos econômicos iniciados desde a crise de 2008. A China deve crescer acima das previsões, mas as autoridades ainda falam da persistência de incertezas no cenário global. O país se prepara para tirar a atenção do mercado externo e se voltar ao interno. Os Estados Unidos conseguiu resultados acima do esperado, e Obama já declarou que o país deve entrar em 2014 em situação melhor que a deste ano. A Zona do Euro, por sua vez, teve crescimento no terceiro trimestre, apesar de abaixo do previsto - devido principalmente ao desempenho de grandes economias como França e Alemanha, que registraram alta no desemprego e baixa no consumo. A região conseguiu sair da maior recessão de sua história no trimestre anterior.

Uma das maiores economia do mundo, a China cresceu 2,2%, no terceiro trimestre deste ano, o maior crescimento entre os países do G20, e deve ter um desempenho acima das previsões neste. O crescimento do país tem sido superior ao esperado desde 2011, de acordo com relatório que avalia os resultados do 12° plano quinquenal do país (2011-2015), citado pela agência oficial de notícias chinesa, a Xinhua. O relatório aponta um crescimento de 7,6% para o país em 2013, como esperavam analistas e um pouco acima da meta do governo, que esperava 7,5% - abaixo, contudo, do desempenho de 2012, ano que garantiu crescimento um ponto percentual acima. 

Apesar do resultado acima do esperado, o chefe do órgão de planejamento econômico chinês, Xu Shaoshi, comentou que as incertezas ainda persistem na recuperação econômica global e que o mercado internacional não “foi capaz de produzir forte demanda”. A solução, para o Conselho de Estado, seria uma reforma abrangente em vários setores. O país deve então aumentar a flexibilidade da taxa de juros e coordenar as polísticas fiscal, monetária, industrial, ambiental e de uso da terra. Deve também, de acordo com o documento, reduzir o excesso de capacidade em diversos setores como de construção naval e de cimento, além de conter a expansão do consumo de energia. Outra questão que tem afetado é o maior custo da mão de obra e os custos ambientais para as empresas. Xu aponta que investimentos grandes em projetos de infraestrutura, que não tiveram muito retorno, com o excesso da capacidade das indústrias e os projetos imobiliários contribuíram para redução da liquidez e da eficiência da economia. Xu também falou do aumento dos riscos da dívida pública.

O plano quinquenal do país estabeleceu uma meta de crescimento anual em torno de 7%. Em 2011, o crescimento foi de 9,3%. Para os próximos anos, o presidente Xi Jiníng e o primeiro-ministro Li Keqiang tem planos ousados para reestruturar a economia, por meio de consumo e serviços, no lugar das exportações e do investimento. De acordo com projeto do Ibre, a China deve ter estabilização do ritmo de crescimento no ano que vem, mas a tendência é de desaceleração gradual.

“Não podemos negar uma pressão negativa sobre o crescimento econômico”, admitiu Xu Shaoshi. Em agosto, a produção industrial aumentou 10,4% em agosto em relação ao mesmo período de 2012, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na siga em inglês). Foi o maior aumento mensal em um ano e meio, e fez os analistas, na época, acreditarem na recuperação de 7,5% neste ano. Em dezembro, todavia, o crescimento desacelerou para o menor nível em três meses, devido a queda na produção. No mesmo mês, as vendas no varejo também cresceram, em uma taxa de 13,4. Os investimentos em ativos fixos aumentaram 20,3% entre janeiro e agosto, em relação ao mesmo período do ano passado. Esses resultados fizeram economistas comemorarem os resultados do mini-plano de estímulo econômico do governo, anunciado em julho.

Em meados de junho, o Banco Mundial havia revisto para baixo a previsão de crescimento da China em 2013. De 8,3% para 7,7%, já que em maio as exportações cresceram apenas 1%, contra 14,7% no mês anterior – o mais baixo crescimento em 15 meses.  

Os Estados Unidosmaior economia do mundo também vêm conseguindo resultados acima do esperado, e Obama já declarou que o país deve entrar em 2014 melhor do que encarou este ano, graças a uma aceleração do consumo. O PIB cresceu 4,1% no terceiro trimestre em termos anualizados, o mais forte desde o último trimestre de 2011 e cinco percentuais acima da segunda prévia do Departamento de Comércio Americano. Economistas esperavam aumento de 3,6%, após o avanço de 2,5% no trimestre anterior.Os responsáveis seriam o maior consumo nas áreas de saúde e mais investimento em companhias de TI. “Nós crescemos no ritmo mais forte em dois anos”, disse Obama.

Outubro e novembro registraram vendas mais fortes no varejo, o que reforçou a ideia do Federal Reserve (banco central americano) de que a economia do país tem ganhado impulso. O aumento nos estoques também sinalizaram a maior confiança dos empresários e as exportações avançaram 3,9% no terceiro trimestre.

Na ocasião, Obama também aproveitou para falar da decisão do Congresso de aprovar o acordo orçamentário, depois de semana em greve que afetou a economia e que poderia deixar o país sem dinheiro para pagar suas dívidas. Obama também informou que a situação fiscal do país está melhor. “Entramos em 2014 bem mais fortes do que em 2013”.

A Alemanha, maior potência econômica da Europa, acredita em um “crescimento moderado” no quarto trimestre, depois da queda na produção industrial de outubro e crescimento de 0,3% do PIB no terceiro trimestre, contra os 0,7% no trimestre anterior . Um relatório mensal da entidade aponta que as condições melhoraram no período, mas que os riscos continuam, principalmente no cenário externo.

Em outubro, o superávit comercial do país ficou em 17,9 bilhões de euros, abaixo dos 20,3 bilhões de euros do mês anterior. O resultado foi superior ao do mesmo período de 2012, que registrou 16 bilhões de euros. Conforme o Departamento de Estatísticas alemão, de janeiro a outubro, o superávit comercial equivaleu a 156,6 bilhões de euros, devido a exportações de 917 bilhões de euros e importações de 751,4 bilhões de euros. Em igual intervalo do calendário passado, o saldo positivo ficou em 161 bilhões de euros.

O setor industrial registrou em novembro o maior nível em quase dois anos e meio,  de 51,7 em outubro para 52,7 um mês depois.

A confiança do setor de negócios na Alemanha é a mais alta em 20 meses, de acordo com pesquisa do Instituto alemão de Investigação Econômica (Ifo). O índice marcou 109,5 em dezembro, depois de ficar em 109,3 em novembro e 107,4 em outubro. Conforme comentou o presidente do Ifo, HansWernwe Sinn, em meados de dezembro, a economia do país está em “clima festivo”.

Em novembro, a Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, elevou sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha em 2013, a 0,5%, de 0,4% anteriormente.

Na Espanha, o programa de austeridade e reformas parece começar a render frutos. Em outubro, o Banco da Espanha anunciou o fim da recessão para o país, depois de dois anos. No terceiro trimestre, teve alta de 0,1% no PIB, em comparação com o trimestre anterior, depois de nove trimestres seguidos de queda. Na comparação anual. Setor de exportações é apontado como responsável pelo impulso na economia. O país deve ter queda de 1,3% meste ano.

Com desemprego menos desfavorável desde o início da crise. Na ocasião, o banco ressaltou que a economia vinha se recuperando gradualmente ao longo dos trimestre – caiu 8,8% no último trimestre do ano passado, 0,4% no primeiro deste ano, e 0,1% no segundo. Um mês antes, o primeiro ministro espanhol havia previsto crescimento entre 0,1% e 0,2% no terceiro trimestre e afirmou que com isso a Espanha sairia da recessão, mas não da crise. A nova tarefa, então, seria alcançar uma reativação da economia que possibilite a criação de empregos.

A Grécia, por sua vez, teve queda de 3%no PIB no terceiro trimestre, na comparação com igual período de 2012, de acordo com a agência de estatísticas do país, e registrou o primeiro crescimento na produção manufatureira em quatro anos, em novembro. 

No período, o consumo caiu 6,6% em relação ao trimestre anterior, e a formação bruta de capital fixo, teve queda de 12,6%. Já exportações aumentaram 5,7% e as importações, 2,3%. 

Já o Reino Unido, conforme afirmou a S&P,  continua a se beneficiar de “excepcional flexibilidade monetária”, om sinais de recuperação da economia, apesar de estar fundamentada no consumo privado e nos investimentos residenciais. "Nossas notas no Reino Unido são sustentadas pela nossa visão do compromisso do governo em consolidar o déficit orçamentário em direção a um equilíbrio até 2018, e a habilidade dos formuladores de políticas e a vontade para solucionar rapidamente desafios econômicos", afirmou a agência.

A S&P espera que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real alcance uma média de mais de 2% de 2013 a 2016, o que é "notavelmente maior do que quando afirmamos os ratings do Reino Unido em abril deste ano".

Em meados deste mês, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), culpou a economia global mais fraca, as condições de crédito e elevada incerteza pós crise para justificar as projeções econômicas dos últimos anos. Desde o começo da crise financeira, o crescimento do PIB tem frustrado as expectativas do Comitê de Política Monetária.

A estimativa é que que o Reino Unido cresça 1,3% neste ano, de 0,6% na projeção anterior. O Escritório de Estatísticas Nacionais do Reino Unido (ONS, na sigla em inglês) mostrou que a recuperação econômica do país acelerou no terceiro trimestre, embora o nível de produção ainda esteja 2,5% abaixo de seu pico após uma expansão de 0,8% nos três meses encerrados em setembro. O ritmo de crescimento significou uma aceleração ante a taxa de expansão de 0,7% no 2º trimestre e marcou o avanço mais rápido desde o segundo trimestre de 2010. Além disso, a taxa de crescimento ficou um pouco acima da previsão da equipe do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) de 0,7%.

Para a França, o FMI havia baixado as previsões em junho, para queda de 0,2% neste ano, dobro da previsão anterior, para crescer 0,8% em 2014. No início de novembro, a Standard & Poor’s rebaixou o rating do país, que passou do segundo para o terceiro patamar – do AA+ para AA, mesmo patamar da Bélgica.  Na ocasião, o ministro de Finanças desvalorizou a descida e falou que o caminho da França é o mais correto, para regressar ao crescimento: 

“Eles estão a subestimar a capacidade administrativa de a França se transformar, a sua capacidade de recuperação e eu gostaria de olhar para outros indicadores mais importantes. A Comissão Europeia diz: que nós saímos da recessão, em 2013, com um crescimento de 0,2 por cento. Teremos um crescimento de 0,9 em 2014 e, principalmente, em 2015, de 1,7. A França está no caminho da recuperação sólida e credível e é para isso que o governo está a trabalhar”.

Na metade do ano, o FMI aconselhou que o país acelerasse as reformas e baixasse dos custos do trabalho. A França caiu 0,1% no terceiro trimestre deste ano, após alta de 0,6% nos três meses anteriores, de acordo com a agência Insee, que não espera contração no quarto trimestre.  Além do Brasil, apenas a França apresentou recuo no PIB, de 0,1%, enquanto na Itália a economia ficou estável no período de julho a setembro.

O consumo das famílias desacelerou, saindo do avanço de 0,4% para 0,1%.  Um dos indicativos de investimento, a formação bruta de capital fixo, caiu 0,4% entre julho e setembro, mesmo desempenho do período anterior. As exportações caíram 1,3% e as importações aumentaram 0,9%.

Tags: cHINA, economia, EUA, Europa, PIB

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