Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Economia

ABC Color: só em 2012, o Brasil embolsou US$ 748 milhões do Paraguai

Jornal do Brasil

A conclusão do relatório preparado por pelo economista norte-americano Jeffrey David Sachs, que já atuou como conselheiro econômico para governos da América Latina, estima que no ano passado o Paraguai deveria ter recebido US$1.221.000.00 destinados ao excedente de energia transferida para Itaipu, no Brasil. No entanto, o país recebeu apenas 473 milhões de dólares, incluindo royalties. As informações estão na edição desta sexta-feira (20/12), do jornal paraguaio ABC Color.

A reportagem destaca que a situação já se repete há três décadas, além dos incrementos de compensação "insignificantes" conquistados, primeiro por Nicanor Duarte Frutos e, no governo seguinte, por Fernando Lugo, foram medidas que apenas reduziram um pouco a diferença, mas não chegou perto de resolver a desapropriação sistemática que o país foi submetido desde o início do projeto. O jornal classifica o Tratado de Itaipu de "leonino", pois o Paraguai deve dar ao Brasil o seu excedente em troca de compensação, cujo valor é "arbitrário e absolutamente fora do preço de mercado". Os cálculos apresentados pelo ABC Color mostram que o Brasil recebe, além da sua metade da produção da chamada taxa de Itaipu, grande parte da outra metade destinada ao Paraguaí, que se refere à aproximadamente US$ 3 por MWh e até US$ 9 por MWh, estabelecidos em um acordo entre Lugo e Lula, em 2012.

"Forçando o Paraguai a vender a sua eletricidade a uma fração do preço de mercado é, por exemplo, como forçar a Venezuela vender o seu petróleo a US$ 50 o barril, quando no mercado é se pratica US$ 100", diz o ABC Color.  Segundo o jornal paraguaio, atualmente é a Eletrobras e outras empresas que revendem a energia paraguaia que estabelecem o preço de mercado. "A este respeito, o relatório de Sachs afirma que 'não há nenhuma razão para que o Paraguai deva estar subsidiando o mercado brasileiro'", destaca a reportagem. O veículo acrescenta que os especialistas da equipe de Sachs, da Universidade de Columbia, fazem observações no estudo de que o valor justo de mercado para o Paraguai é igual ao menor valor destinado ao Brasil na obtenção de eletricidade a partir de uma fonte de Itaipu, que é conhecido como "custo de oportunidade". "Esse preço é dado pelo menor preço disponível para a distribuição de energia elétrica no mercado atacadista de São Paulo, que em 2012 foi de US$ 85.000 gigawatt / hora", esclarece o texto. 

O ABC Color desenvolve uma equação a partir das sugestões de negociação apresentadas no relatório, concluindo que o Paraguai em 2012 deveria ter recebido $ 37.230 por GWh, porém só recebeu $ 14.410 GWh, ou seja, quase um terço a menos. "Desde 2012, Paraguai deu ao Brasil 32.805 GWh de excedentes, somente esse ano não conseguiu receber $ 748.600.000", destaca o texto. 

Tags: brasil, economista, energia, estados, itaipu, PARAGUAI, unidos

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