Jornal do Brasil

Domingo, 20 de Abril de 2014

Economia

Ações da Saab registram alta de 27% após acordo de US$ 4,5 bilhões com o Brasil

Jornal do Brasil

O Financial Times publicou neste quinta-feira (19/12), na sua edição eletrônica, que as ações da Saab já registraram alta de 27%, após o governo do Brasil anunciar que a empresa de defesa escandinava irá fornecer o seu avião de caça de última geração, superando a rival Boeing, em um dos maiores negócios do setor pelos mercados emergentes. O acordo na ordem de 4,5 bilhões de dólares até 2023, elevou hoje as ações da Saab para o seu nível mais alto desde 2008, no início do pregão em Estocolmo.

Os analistas disseram ao FT que o contrato pode representar riscos aos Estados Unidos, na amarga disputa com Brasília no caso das revelações do ex-consultor da Agência de Segurança Nacional (NSA), Edward Snowden. As negociações entre Brasil e Suécia acerca do contrato duraram quase 20 anos, até os países fecharem o valor de 4,5 bilhões de dólares. Quem ficou pelo caminho foram as empresas Boeing, dos EUA e a francesa Dassault, que até recentemente eram vistas como as vencedores mais prováveis, segundo o FT. "A controvérsia com a NSA estragou tudo", disse ao FT o analista político David Fleischer, da Universidade de Brasília. Quanto a repercussão do resultado da negociação na França, o FT diz que o país vinha fazendo lobby com o Brasil, citando a visita de Estado do presidente François Hollande à Dilma Rousseff, na semana passada. "Dassault revelou sua raiva por ter perdido o concurso. Em um aceno a partir da relação tensa do Brasil com Washington, ele destacou que os jatos Gripen da Saab são encontrados em muitas partes dos Estados Unidos", diz o texto do FT. 

As análises do FT sobre os impactos econômicos na França com a derrota, coloca no eixo das discussões a sustentação e manutenção do Rafale, que representa um alto custo para Paris, que sente os efeitos do orçamento fiscal. Segundo o jornal, a empresa ainda não conseguiu ganhar nenhum contratos de exportação e as dificuldades de acertos com a Índia. Já para a empresa america Boeing, a situação não é crítica, mas a parceria com o Brasil iria compensar a recente derrota da Lockheed Martin F-35, no caso da Coréia do Sul. Uma questão que levantou a curiosidade da empresa americana quando o Brasil diz respeito às intensões do país com o negócio, se o governo brasileiro pretendia criar laços mais estreitos com Washington ou afirmar a sua independência.

O FT comenta que esta semana Snowden se ofereceu para ajudar o parlamento brasileiro no inquérito sobre as revelações de espionagem, mas indicou que ele precisaria de asilo permanente para ser viável a colaboração. Na sequência dos fatos, a vitória da Saab pegou de surpresa os analistas americanos. O jornal comenta que os caças Mirage do Brasil "são muito velhos", mas mesmo assim era previsto que o concurso fosse estendido por mais dois anos, por causa da desaceleração econômica do país. Comenta ainda que a Gripen da Saab é vista como alternativa econômica pelos seus concorrentes e não apresenta o poderio militar e político dos caças de países como os EUA, França e Reino Unido. "No Brasil esses dois elementos poderiam muito bem ter sido prova decisiva", diz o texto. 

A reportagem destaca que o Gripen substituiria a geração de Mirage 2000 e teria extrema importância na proteção do vasto território brasileiro, desde a floresta amazônica até as conhecidas áreas do "pré-sal". O desafio da Saab tem sido a de convencer os potenciais clientes que ser mais barato não faz do Gripen uma aeronave menos capaz, o que é tarefa difícil em um mercado onde um alto preço é muitas vezes sinônimo de maior qualidade, independente das avaliações dos especialistas. Saab, no entanto, acredita que os cortes profundos nos orçamentos de defesa na Europa dará a Gripen um impulso. A empresa está se esforçando para ampliar sua presença internacional. No início deste mês, a empresa anunciou uma parceria com a Boeing, para desenvolver um novo projeto para um avião de treinamento para a Força Aérea dos EUA.

Tags: contrato, espionagem, rousseff, saab, segurança, snowden

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