Jornal do Brasil

Quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Economia

Exportação de soja fecha 2013 com superavit na Argentina e Uruguai

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A produção agrícola e exportação da soja no Uruguai e Paraguai fecha o ano com excelentes resultados, destacando-se no mercado da América Latina. Os dados estão no relatório da Comissão Econômica para América Latina e Caribe 2013 (Cepal), divulgado nesta quarta-feira (18/12) no jornal argentino Página/12. Segundo a comissão, as exportações regionais registraram um crescimento de apenas 1,5%, semelhante à expansão de 1,4% em 2012.Os cálculos apontam para uma queda de 0,1% no Brasil, enquanto que na Argentina aumentou 6,7% em 2013, em relação ao ano anterior. O cenário de dinamismos regionais esparsos das vendas externas projetam aumentos de 33% do Paraguai e 14% do Uruguai. 

A Cepal informou que o crescimento teve como ponto determinante a exportação de soja e carne bovina, sendo que esta primeiro atingiu a margem de 60% no Paraguai, no primeiro semestre do ano. O jornal Página/12 destaca que o cultivo da soja no Paraguai e Uruguai tem sido importante para a economia dos dois países. "Com base nas variações proeminentes, não é uma suposição razoável que seja incluída a possibilidade de transporte da soja da Argentina em toda a fronteira, fugindo dos controles aduaneiros que permitiu o maior volume de exportação do Paraguai e Uruguai. Tal volume de carga não pode ser feito por produtores isolados, mas por grandes comerciantes. É o que é conhecido como negócio azul da soja", avalia o veículo.

Segundo o jornal, as empresas associadas à Câmara da Indústria de Petróleo da Argentina (Ciara) e do Centro dos Exportadores de Cereais (CEC) são responsáveis por pouco mais de 1/3 do total das exportações argentinas e na primeira semana de dezembro registrou o equivalente a 251.200 mil dólares, acumulando 22,229 milhões no ano. A reportagem esclarece que a diferença entre a dimensão das culturas e valores de liquidação cambial de um ano para o outro é de cerca de 4,46 bilhões de dólares. É a estimativa do valor da retenção de soja de produtores-exportadores.

A nova liderança do Banco Central tem feito progressos no fornecimento de um novo instrumento financeiro para induzir exportadores agrícolas a vender dólares. A posse de dólares na falta de acordo para as reservas oficiais voltadas para o mercado, rendeu um saldo financeiro positivo, pela troca segura acrescida de juros. "Um dos principais equívocos da operação do mercado financeiro é pensar que os principais bancos têm as maiores ofertas para as grandes operações canalizadas para o mercado monetário", esclarece o veículo. O texto destaca ainda que os proprietários de dólares no comércio de exportação assumem uma posição valiosa nas análises políticas e econômicas, bem como para avaliar o espaço para uma maior intervenção do governo nessa atividade, com base em parcerias com diferentes agentes econômicos e sociais.

"A estratégia oficial de redução da dívida destinada à liquidação das reservas foi útil para ampliar as margens de autonomia da política monetária e fiscal, bem como para liberar as pressões do mercado financeiro internacional. Mas esse esforço foi muito intenso, especialmente neste ano, envolvendo um montante equivalente a 75% das reservas na conta do BCRA, reduzindo sua autonomia, mas com outra entidade econômica capaz de condicionar a gestão do governo: não os financiadores e bancos de investimento, mas os proprietários dos dólares de comércio, proeminentes entre eles os principais exportadores de grãos", explica o texto. 

O P/12 avalia que as transações financeiras sofisticadas nos contextos regionais e internacionais do mercado de grãos são incompatíveis com as décadas passadas, o que requer ferramentas complexas, mas terá que superar a onda neoliberal suprimida por intervenção oficial em 1993. "O governo quer promover mudanças gradativas no sentido de uma avaliação da necessidade de recuperação de um corpo que regula o mercado de grãos, criando uma espécie de agência de marketing de culturas, garantindo desta forma um preço melhor aos produtores e às exportações", diz o texto. Segundo o jornal, este foi um projeto que circulou pelos gabinetes do governo em 2009, mas sem sucesso.

Tags: america, economia internacional, grãos, latina, mercado

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