Jornal do Brasil

Quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Economia

El País: Brasil adota medidas pragmáticas para recobrar confiança do mercado

Jornal do Brasil

A postura mais rígida do governo brasileiro para conter focos de tensão na economia fica mais visível no momento da virada para um ano eleitoral. A análise está em uma reportagem publicada nesta terça-feira (17/12) no jornal espanhol El País, que acrescenta ainda que o país aguarda os efeitos da decisão sobre política monetária dos Estados Unidos para conduzir o mercado e eliminar questões cruciais que chegaram à presidente Dilma Rousseff em forma de críticas. 

O jornal espanhol comentou uma entrevista dado pelo ministro da Fazenda, Guida Mantega, ao Estado de São Paulo, explicando as metodologias contáveis para calcular o superávit fiscal, que até o momento era obtido com a inclusão de recursos futuros na equação do resultado primário ou triangulação de recursos entre instituições públicas. A matéria cita os ajustes na Petrobras e a preocupação do governo com os efeitos desse aumento. 

Segundo o jornal, os ajustes na política econômica são perceptíveis e mostram a urgência do governo. Pelas avaliações dos especialistas entrevistados pelo veículo, o governo estendeu demais a política de incentivo ao consumo de bens duráveis e subsídios para setores em dificuldades, como forma de preservar o emprego. Na administração de Dilma Rousseff foram gerados mais de quatro milhões de postos de trabalho com carteira assinada. O El País associa estes índices à liderança de Dilma nas pesquisas eleitorais. 

Já na iniciativa privada, as ações do governo não recebem tantos elogios, segundo a reportagem, que cita a importância do grupo empresarial para manter a estabilidade da economia e aumentar os investimentos que geram empregos. O texto esclarece as oscilações do PIB nos quatro últimos anos e os seus efeitos no país, como a excepcional onda de otimismo no ano de 2010.

Segundo o El País, a taxa de investimentos em relação ao PIB é de 19,1%, estabelecido abaixo da meta proposta por Dilma no ano de 2010. Na época, Dilma era candidata e tinha os planos de alcançar os 24%. "Com a demanda em alta, e oferta em baixa, o país fecha essa equação com a importação de bens e serviços", destaca o texto. E destaca que o PIB brasileiro continua com queda de 0,5%, no terceiro trimestre de 2013, tendo condições de superar os 2%. "Nem mesmo o potencial retomado nos últimos meses do ano tira o mau humor residual que esse resultado deixa", diz o texto. 

Pelas avaliações do El País, apesar do Brasil ter gerado milhões de empregos e de existir um otimismo com o futuro entre os brasileiros, "há no Brasil, e no mundo, uma espécie de viuvez do ano de 2010". A reportagem esclarece que em 2010 o país cresceu 7,5%, em meio à crise global que tomava conta da Europa e nos Estados Unidos. "Era o tal crescimento chinês num país subdesenvolvido, com um certo gosto de revanche depois dos anos negros da economia brasileira nos anos 80 e 90, enquanto os países ricos nadavam confortáveis em seus modelos de estabilidade e expansão contínua", destaca o jornal. 

Já nos anos seguintes, 2011 e 2012, houve uma expansão de 2,7% e 0,9%, respectivamente, o que provocou uma decepção. "O fato é que 2010 havia deixado a impressão de que o Brasil tinha finalmente encontrado o caminho do gol para deixar para trás todas as suas mazelas. Mas, a verdade é que somente quem olhava de binóculos para o país, principalmente do exterior, poderia ter acreditado que todos os problemas brasileiros seriam resolvidos em curto espaço de tempo. De perto, era fácil enxergar que os tais 7,5% eram fruto de uma recuperação do tombo de 0,2% do ano anterior, e de uma sobredose de estímulos ao consumo, sem fundamentos necessários para sustentar esse voo acelerado", diz o texto.

Em 2013, o país ainda tem a lembrança dos reajustes aleatórios – "se a loja ao lado aumenta em 10% seus preços, o vizinho aumenta em 15% ". fenômeno observado até 1994. "E, nesse sentido, o Governo Rousseff foi bem intencionado, ao querer se desfazer do título de país com os maiores juros do mundo, que encarecem o crédito para o consumidor e o setor privado. Por isso, partiu numa cruzada pela queda de juros, que saíram de 12,50% em julho de 2011, e foram caindo gradativamente até ficar em 7,25% em outubro de 2012", destaca.

De acordo com a reportagem, os juros se mantiveram no mesmo patamar até abril de 2013. No entanto, a inflação de 12 meses já ultrapassava o teto da meta de 6,5%, sendo necessário elevar as taxas novamente, retornando ao patamar de dois dígitos em novembro, com o incômodo título de maiores do mundo, quando o Banco Central elevou os juros a 10%. "A inflação oficial, ao menos, arrefeceu, e deve fechar abaixo dos 6% neste ano", prevê o jornal.

O El País afirma que não se trata de uma defesa pelos juros altos, como alguns integrantes do governo alardeiam, mas uma realidade que funciona como um vírus internalizado no DNA dos brasileiros, "que lembra até o alcoolismo. Não se pode dar o primeiro gole ou todo o sacrifício para deixar de beber é desperdiçado.", compara o texto. Segundo o jornal, o mesmo vale para todos os fundamentos da economia, como os ruídos em torno do superávit primário, o controle da inflação e da administração dos gastos públicos. "A equipe de Rousseff corre para corrigir a rota do seu governo. Se for premiada com a reeleição, terá mais quatro anos para reconquistá-la", ressalta.

Tags: Brasileiro, economia, Governo, monetária, política

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