Jornal do Brasil

Sábado, 19 de Abril de 2014

Economia

Luxo no Brasil deve movimentar €3 bilhões em 2013, avalia Bain & Company

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Revertendo a tendência dos últimos anos, a região das Américas é o destaque no segmento de luxo, com estimativa de crescimento de 4% para 2013 em relação ao ano passado, ultrapassando o crescimento estimado para a China de 2,5%. No Brasil, o mercado de luxo deve movimentar €3 bilhões em 2013, contra os €2,7 bilhões de 2012. Na América Latina, as vendas devem arrecadar € 4,9 bilhões. As informações fazem parte do estudo “Luxury Goods Worldwide Market Study 2013” da Bain & Company, apresentado em Milão em colaboração com Altagamma.

Apesar do crescimento, ainda há espaço para o Brasil se destacar no mercado internacional do luxo. Cláudia D’Arpizio comenta que “o principal desafio no Brasil ainda é representado pelas taxas de importação. A produção local, no caso, se torna uma pré-condição para se extrair o valor real desse mercado. Há categorias - como joias, por exemplo - nas quais produtos feitos no Brasil são muito legítimos por conta da tradição do país em pedras preciosas de cores e ouro”.

O crescimento do mercado nas Américas tem sido impulsionado pelas aberturas de lojas em cidades de segundo nível no interior dos Estados Unidos. Outro fator é o gasto com produtos de luxo por um número cada vez maior de chineses que, agora, visitam cidades ocidentais nos Estados Unidos, como Las Vegas e Los Angeles. 

Em todo o mundo, os gastos com bens de luxo crescerão 2%, registrando € 217 bilhões em taxas de câmbio de 2013, enquanto os desafios econômicos na Europa continuam e a China inicia a transição de um país que estava se expandido no mercado para uma nação que faz a manutenção da rede das grandes marcas de luxo que entraram no país nos últimos anos. No entanto, é importante observar que a taxa de crescimento mascara um impacto significativo da taxa de câmbio. Considerando-se taxas de câmbio constantes, o crescimento do mercado teria chegado a 6% para este ano, em comparação aos 5% de 2012. A desvalorização do iene é responsável por mais da metade da diferença deste ano.

“O elevado crescimento dos últimos anos estava destinado a ser mais moderado”, disse Claudia D’Arpizio, sócia da Bain & Company em Milão e líder do estudo. “O ponto positivo para as marcas de luxo é que agora elas podem mudar o foco de acompanhamento do presente para planejarem o futuro”.

As vendas online continuam a crescer mais rápido que o resto do mercado, com um crescimento de 28% para este ano e chegando próximo de €10 bilhões. Esse valor é quase 5% do total de vendas de luxo e representa mais que toda a receita do mercado na Alemanha. Em vendas online, sapatos é a categoria com melhor performance. A Bain & Company considera este nível de penetração online como um ponto no qual as marcas devem tratar seu canal online como parte integrante de sua estratégia de canais global, ao invés de uma fonte de receita adicional.

Adicionalmente, o estudo da Bain “Luxury Goods Worldwide Market Study” avalia que acessórios, incluindo objetos em couro e sapatos, são definitivamente o maior segmento, crescendo 4% em 2013 e atingindo 28% do total das receitas. Em contraste, vestuário representa um quarto do mercado, crescendo 1%. “Hard Luxury” (joias e relógios), perfumes e cosméticos terminarão 2013 com um crescimento de 2%. Além de bens pessoais de luxo, a análise e previsão da Bain & Company para carros de luxo, vinhos e bebidas, hotéis, alimentação dentro e fora de casa, móveis residenciais e iates mostraram crescimento, com carros de luxo, vinhos e bebidas e hotéis ultrapassando os bens pessoais de luxo levando a €800 bilhões de gastos afluentes, um aumento de 6% do que foi registrado em 2012. Esse número deve chegar a €1 trilhão nos próximos cinco anos.

Por ultimo, o estudo da Bain & Company destaca que, no longo prazo, as marcas italianas ganharam a maior parte das vendas no mercado de luxo, passando de 21% em 1995 para atuais 24%, quase se igualando à fatia de 25% das marcas francesas. No entanto, em um mercado em consolidação, os conglomerados franceses são uma força motriz, proprietários de 29% do mercado em comparação com 25% em 1995.

"O mercado de bens de luxo está se tornando cada vez mais complexo e, em alguns aspectos, começando a se parecer com indústrias mais competitivas, como a de bens de consumo. As marcas perceberam que precisam se adaptar, trazendo o nível de percepção detalhada do consumidor que marcas de comida ou bebida precisam para impulsionar o crescimento", concluiu D'Arpizio. "Ainda que se mostre estável, as marcas estão se ajustando a um novo conjunto de ferramentas científicas, a fim de manter a criatividade e a excelência do produto no centro de suas estratégias e organizações".

Tags: brasil, crescimento, estudo, luxo, mercado

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