Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Economia

Exportação de commodities brasileiras tem perspectivas otimistas

Nova estratégia chinesa deve aumentar demanda do país asiático por matéria-prima do Brasil

Jornal do Brasil

O ciclo de commodities, que ajudou o Brasil a crescer de forma mais rápida entre 2004 e 2010, sofreu uma queda com o menor crescimento da economia chinesa. A nova estratégia da China, de se voltar mais para o mercado doméstico do que para as exportações, no entanto, deve aumentar sua necessidade de importação de matéria-prima brasileira, ressaltam economistas. Os resultados comerciais do país devem ser ainda mais beneficiados com o início da produção do pré-sal. De acordo com eles, nos próximos anos, o Brasil pode até apresentar oscilações na receita de exportação, mas as perspectivas são otimistas.

O Deutsche Bank recomendou aos seus clientes a compra dos papéis da Vale. A brasileira renegociou sua dívida com a União entrando no Refis da crise e o projetos Carajás Serra Sul tem potencial de exploração de 90 milhões de toneladas por ano, e começa a operar a partir do primeiro semestre de 2014. Estes são alguns dos vários pontos que levaram o Deutsche a recomendar a compra dos papéis da brasileira. 

Fernando de Mattos, doutor em Ciências Econômicas e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), explica que a nova estratégia da China, que busca girar de um modelo exportador com baixos salários para um baseado mais no consumo doméstico e na produção de bens sofisticados, tende a reduzir relativamente as exportações chinesas, mas que o país asiático deve "continuar importando muito". 

"A China vai dar mais ênfase ao dinamismo do mercado interno. Não existe expectativa que ela vá reduzir importações de commodities, esse cenário vai continuar positivo. A exportação de commodities brasileira sofreu uma queda, mas porque a economia da China desacelerou um pouco, o que não é uma coisa que vai acontecer continuamente. A demanda chinesa vai continuar crescendo bastante", acredita Mattos. 

O professor destaca que a China deve ampliar os investimentos em infraestrutura, o que vai demandar muito investimento em minério de ferro, além da demanda relacionada a commodities agrícolas. "Pode acontecer da demanda cair um pouco porque eles cresceram menos, mas acredito que eles vão retomar a forte demanda já no próximo ano."

De acordo com Roberto Simonard, professor de economia da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-RJ), em relação às commodities agrícolas e de energia, as projeções são positivas. Em relação à exportação de petróleo, como ele não tem nenhum substituto "no horizonte", a perspectiva é favorável, principalmente levando em conta os resultados dos investimentos no pré-sal. A demanda pelo minério de ferro, pondera, não está tão forte, não está "ruim nem excelente", devido às oscilações do mercado dos Estados Unidos e Europa.

"Sem dúvida, a China é a grande locomotiva [em relação à exportação de commodities brasileiras]. Mas não é só a China que pode contribuir. Populações que antes eram pobres, hoje têm uma renda maior, e podem investir mais. A perspectiva para o Brasil é boa. Podemos ter oscilações, um ano melhor, outro não. Agora, em relação às demandas de minério, o mercado de aço brasileiro não está numa situação tão boa. Teve uma expansão muito grande nos últimos 10 anos, mas, com a demanda da Europa e Estados Unidos, deu uma diminuída", comentou.

Tags: brasil, cHINA, commodities, minério, soja

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