Jornal do Brasil

Sexta-feira, 25 de Abril de 2014

Economia

Pintec aponta para queda no índice de inovação na indústria

Nova edição mostra que 36% das empresas brasileiras inovaram em produtos ou processos de 2008 a 2011

Jornal do BrasilPamela Mascarenhas

A inovação é apontada como um dos fatores essenciais para aumentar a competitividade do mercado brasileiro. Entre 2009 e 2011, período em que as empresas brasileiras enfrentavam os efeitos da crise econômica mundial, 35,7% de 128.699 empresas, com dez ou mais pessoas ocupadas, inovaram em produtos ou processos, de acordo com a quinta edição da Pesquisa de Inovação Tecnológica - Pintec, divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (04/12). Como a nova edição passou a considerar serviços de engenharia, arquitetura, testes e análises técnicas, e o setor de eletricidade e gás, não é possível comparar o dado com resultados anteriores. A análise do desempenho da indústria, que corresponde a 91% das empresas pesquisadas, contudo, mostra uma queda no índice de 38,1% em 2008 para 35,6%.

Alessandro Pinheiro, gerente da Pintec, em conversa com o JB por telefone, explicou que a queda na taxa de inovação foi puxada pela inovação em produtos, enquanto a taxa de investimento em  processos seguiu estável, e ressaltou que o resultado remete aos efeitos da crise na confiança dos empresários, considerando que investimentos em inovação geram incertezas. "Houve uma queda na taxa geral de inovação da indústria. Isso traduz um período de dificuldades para as empresas, não só no Brasil. O triênio pesquisado veio na sequência da crise. Nesse contexto, é natural que as empresas adotem um comportamento mais defensivo, com aversão a correr riscos. As empresas postergam seus planos e se concentram na inovação de processos, para cortar custos", explica.

Paralelo aos efeitos da crise, Pinheiro destaca a apreciação cambial, que acabou motivando a importação de produtos e prejudicando as empresas brasileiras que exportam, além do "efeito China". "Muitas empresas se queixaram dos concorrência dos produtos chineses, principalmente na indústria têxtil, confecções, siderurgia. A inovação é muito sujeita a incertezas. As empresas não sabem se aquele investimento em inovação vai ser comercialmente viável, se ela vai poder competir, é sempre uma aposta."

Aproximadamente 7,5 mil empresas inovadoras (16,3%) investiram em atividades internas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em 2011. Destas, 78,9% (5,9 mil) foram empresas industriais, 20,2% (1,5 mil) empresas de serviços selecionados e 0,9% (65) de eletricidade e gás. Na indústria, a aquisição de máquinas e equipamentos continua a ser a atividade mais importante na estrutura dos gastos realizados com inovações, com dispêndio de 1,11% sobre a receita líquida de vendas. No total, as empresas investiram R$ 64,9 bilhões em inovação de produtos e processos. O valor corresponde a 2,56% da receita líquida dessas empresas. 

"Embora a taxa [de investimento na indústria] tenha caído, existem vários indicadores que mostram que as empresas fizeram um esforço grande. Temos um número maior de empresas conduzindo atividades de P&D. As empresas estão cooperando mais. Essa busca não se materializou nas taxas, mas é possível que a próxima pesquisa mostre um resultado diferente. Como houve um esforço maior, é possível que na próxima Pintec isso se concretize", comentou. 

No setor de eletricidade e gás, 44,1% das empresas aplicaram em inovação e, nos serviços selecionados, 36,8%. Para Pinheiro, o setor de eletricidade e gás é interessante, pois tem uma trajetória de inovação muito baseada em processos, com perfil de gastos concentrado na aquisição externa de P&D, não interna. "Elas compram de outras organizações, diferente do conjunto da indústria."

Entre 2009 e 2011, das quase 46 mil empresas inovadoras em produto e processo no Brasil, 85,9% realizaram ao menos uma inovação organizacional e/ou de marketing, 77,2% realizaram ao menos uma inovação organizacional e 60,7% alguma inovação de marketing.

As empresas que utilizam biotecnologia e nanotecnologia inovam mais: 65,1% das 1.820 empresas que realizaram alguma atividade de uso, produção e pesquisa e desenvolvimento (P&D) relacionada à biotecnologia foram inovadoras; já entre as 1.132 empresas que desenvolveram estas atividades para a nanotecnologia, 86,1% foram inovadoras.

A principal queixa das empresas é a falta de mão de obra qualificada, superada apenas pelos custos elevados.

Tags: industria, inovação, investimento, p&d, pintec

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