Jornal do Brasil

Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Economia

Saldo positivo do fluxo cambial deve se estender até 2014

Para especialista, fluxo deve seguir positivo baseado no desempenho do fluxo comercial

Jornal do BrasilGabriella Azevedo*

Após cinco meses de resultados negativos, o fluxo cambial sai do vermelho e registra saldo positivo de US$ 2,540 bilhões de dólares no mês de novembro. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (4) pelo Banco Central. Para especialista, o resultado positivo deve se manter para os próximos meses, pois não há tendências de piora do fluxo, e se estende até o ano que vem. Em novembro, o país registrou resultado negativo no fluxo financeiro de US$ 1,697 bilhão, mas foi compensado pelo bom desempenho do fluxo comercial, que registrou saldo positivo de US$ 4,237 bilhões. O fluxo comercial diz respeito às operações de câmbio relacionadas a exportações e importações. O resultado também foi impactado pelas operações da Vale e o ingresso de recursos para o pagamento do bônus do campo de Libra. A melhora já havia sido adiantada pelo JB no mês passado, que também previu alta do fluxo sustentada pelo desempenho positivo do segmento comercial.

>> Déficit do fluxo cambial não é preocupante e deve melhorar

Entre janeiro e novembro, o país já registra déficit de US$ 3,481 bilhões, contra saldo positivo de US$ 23,5 bilhões, no mesmo período do ano passado. De janeiro a novembro de 2013, o segmento financeiro - investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos - registrou saldo negativo de US$ 16,498 bilhões, enquanto o comercial ficou positivo em US$ 13,017 bilhões. 

O professor da Universidade de Campinas (Unicamp), Pedro Rossi, membro do Instituto de Economia, explica que o resultado positivo de novembro vai se manter e deve se estender, principalmente, para o ano que vem, quando o cenário econômico externo será mais favorável. Rossi também afirma que o segmento comercial deve ganhar "protagonismo" e ditar o resultado do fluxo.

"Basicamente o comercial que está puxando a melhora, o financeiro continua ruim. Acho muito conjuntural esse resultado. Ficou muito negativo e agora melhorou bastante, e acho q é uma boa notícia do ponto de vista comercial. O fluxo variou muito, no início desse ano estava muito forte, chegando em torno de US$ 6 bilhões positivos, depois recuou muito e agora ele volta a ser positivo. No geral, o resultado é muito positivo, e não tem nenhum tipo de tendência de piora do fluxo. O fluxo mensal também é muito volátil, mas não tem porque esperar piora. A tendência [do fluxo comercial] é ganhar protagonismo conforme a economia for crescendo. Ano que vem vai ser melhor do ponto de vista do setor externo", explica.

O professor também revela que o desempenho negativo do segmento financeiro, que se estende há alguns meses e não apresenta tendência de melhora, pode ser explicado por uma cultura de desconfiança criada em relação à economia brasileira, além da instabilidade da economia internacional. Para ele, não é possível prever melhora por conta do caráter oscilatório do fluxo financeiro, mas que o resultado desse mês não é preocupante.

"Aí o resultado é explicado pelo cenário externo de desconfiança, que até tem seus motivos, mas parece ser um pessimismo acordado, como se o setor financeiro, de forma geral, tivesse criando convenção pessimistas. Isso prejudica o fluxo financeiro, mas que já foi pior, já foi quase US$ 3,5 bilhões negativos. Não sei precisar se melhora [o fluxo financeiro], mas o resultado não é catastrófico, já foi pior, e atribuo à incerteza do cenário internacional e à convenção doméstica em relação à economia brasileira. Eu não vejo tanto pessimismo assim, não é um problema muito grave", ameniza Pedro Rossi.

*Do programa de estágio do Jornal do Brasil

Tags: desemepnho, economia, exportação, financeiro, fluxo, importação, resultado

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