Jornal do Brasil

Segunda-feira, 21 de Abril de 2014

Economia

Reajustes de combustíveis não serão automáticos, diz Petrobras

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A Petrobras informou nesta quarta-feira (4) que os reajustes dos preços dos combustíveis não serão automáticos. O comunicado foi enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em resposta ao pedido de esclarecimentos do órgão sobre os parâmetros da política de preços divulgada no dia 29 de novembro de 2013, que continha alterações em relação àqueles divulgados em 30 de outubro.

No comunicado desta quarta-feira, a Petrobras afirma que a metodologia de precificação do diesel e da gasolina aplicada a partir de 29 de novembro de 2013 contém parâmetros baseados em variáveis como preço de referência dos derivados no mercado internacional, taxa de câmbio e ponderação associada à origem do derivado vendido, se refinado no Brasil ou importado.

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"Quanto à aplicação dos reajustes, estes não serão automáticos, como consequência direta da fórmula de precificação. A metodologia estabelece bandas de reajuste, conferindo à Diretoria Executiva poder discricionário à luz da dinâmica dos mercados doméstico e internacional."

No documento divulgado nesta quarta-feira, a Petrobras também descartou especulações sobre a saída da presidente da companhia, Maria das Graças Foster. 

As ações da Petrobras apresentaram melhora nesta terça-feira (3), mas ainda estão longe de recuperar as perdas da queda de segunda-feira (2). Os papéis ordinários da estatal fecharam com um aumento de 0,91% na Bovespa, sendo vendidas a R$ 16,57 e as preferenciais registraram avanço de 0,86%, pelo preço de R$ 17,51. 

Após realizar reajuste do preço dos combustíveis e optar por não divulgar detalhes dessa nova política, as ações da Petrobras caíram vertiginosamente segunda-feira. Em evento em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não quis comentar o declínio dos papéis da companhia. A queda resultou na perda de R$ 24 bilhões no valor de mercado da empresa e grandes corretoras recomendam a venda das ações da companhia. O índice Ibovespa também fechou em queda por conta da petroleira, registrando desvalorização de 2,36%, pior porcentagem desde setembro. 

O declínio gerou reações de defesa do mercado. O Credit Suisse, por exemplo, passou a classificar as ações da Petrobras como “underperform”, o que equivale a venda. Desde o início do ano, eram classificadas pela expressão “outperform”, referente a compra. Segundo analistas da corretora, a petroleira passou a receber o título de “outperform” por conta de três expectativas: maior crescimento da produção, credibilidade da gestão e a chance de uma atitude benéfica ao aumentar os preços. No entanto, de acordo com o Credit Suisse, apenas o crescimento de produção não decepcionou.

O Deutsche Bank também demonstrou descontentamento com o reajuste de preços da petroleira. Em relatório divulgado pela empresa, "o aumento está abaixo do que a Petrobras precisa para fechar o 'gap' com os preços internacionais e acabar com perdas”. O documento ainda alerta o mercado, informando que essa pode ser a última elevação de preços até as eleições presidenciais de 2014.

Nesta terça-feira, o Ibovespa continuou encerrando o dia em queda. Das 72 ações que fazem parte do índice, apenas quatro fecharam em alta e somente uma com avanço superior a 1%. Dessa vez, a queda foi por conta do recuo de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no terceiro trimestre. Essa é a maior retração do PIB desde 2009.

Tags: brasil, combustivel, economia, estatal, preço

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