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Sábado, 21 de Julho de 2018 Fundado em 1891

Economia

Imprensa destaca pedido de recuperação judicial da OGX

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A imprensa nacional e estrangeira destacou nesta quinta-feira o pedido de recuperação judicial da OGX, do empresário Eike Batista. A coluna de Flávia Oliveira no jornal O Globo traz a manchete: "Bancos, empregados e fisco fora do processo". "No pedido de recuperação judicial das empresas OGX não há referência a dívidas com bancos, empregados nem com o Fisco. O passivo de R$ 11,2 bilhões está concentrado em titulares de bônus e fornecedores", afirma o advogado Sergio Bermudes, responsável pelo processo.

E a colunista prossegue: "Significa que financiamentos bancários em atraso, se existiram, foram renegociados antes da ação impetrada ontem. É mais uma situação incomum num processo considerado inédito na Justiça brasileira. Nunca uma empresa de petróleo recorreu à recuperação judicial no país. Também é peculiar o fato de a companhia ser pré-operacional, ter ativos sob concessão e precisar de grandes quantias para continuar investindo e gerar resultados".

Flávia Oliveira acrescenta na sua coluna que "essa empresa precisa de um dinheiro que não tem, para investir e gerar receitas. Se não fizer isso, não produz. Se não produzir, perderá as áreas sob concessão da ANP", diz uma fonte próxima ao caso. "Por isso, há pouca gente no mercado de petróleo confiante na recuperação judicial da OGX. Há até quem duvide do deferimento do processo pelo juízo. Bermudes diz que o pedido será aceito, porque a lei que prevê a recuperação não vai mutilar a empresa de seus ativos", conclui a colunista.

O jornal Folha de S. Paulo também destacou o pedido de recuperação judicial na edição desta quinta-feira. Com a manchete "OGX, de Eike, faz pedido bilionário de recuperação judicial", o jornal diz que o caso é o maior do tipo na América Latina, e explica que se a Justiça acatar, petroleira ficará protegida de pedidos de falência. De acordo com o diário, as dívidas da empresa chegam a R$ 11,2 bilhões: o preço da ação caiu 99% desde seu pico, em outubro de 2010. 

Ainda segundo a Folha de S. Paulo, a OGX gastou R$ 10 bilhões perfurando mais de 120 poços na "maior campanha exploratória privada da história do Brasil". No documento entregue à Justiça, reconhece que comprou equipamentos para explorar poços que se revelaram comercialmente inviáveis. "A recuperação judicial da petroleira representa o fim do sonho de Eike, que havia previsto que se tornaria o homem mais rico do mundo.

Já o portal G1 noticia que "Crise de Eike freia obra de superporto e traz prejuízos para município do Rio". O veículo diz que o município de São João da Barra perdeu R$ 36 milhões em arrecadação no 1º semestre. "Em 2006, o Grupo EBX anunciou a construção do Superporto do Açu, em São João da Barra, no Norte do Rio de Janeiro, com investimento previsto de R$ 3,8 bilhões. Nos anos seguintes, o município melhorou os índices de desenvolvimento humano, aumentou a arrecadação e viu novas vagas de emprego serem abertas. Coma queda das ações e os apuros do grupo de Eike, no entanto, as obras desaceleraram, e os reflexos da crise começaram a aparecer. No primeiro semestre de 2013, segundo a Secretaria Municipal de Fazenda, São João da Barra perdeu R$ 36 milhões em arrecadação e viu 1.332 postos formais de emprego – um sexto das vagas do município – desaparecerem", informa o G1 nesta quinta-feira.

Estadão afirma que OGX deverá dar um dos maiores calotes internacionais

A recuperação judicial da OGX poderá ficar marcada como um dos maiores calotes internacionais já dado por uma única empresa. De acordo com matéria do jornal Estado de São Paulo, se o pedido for aceito, o abalo atingirá o mercado internacional de bônus e indiretamente os bancos, embora nenhuma dessas instituições apareçam como credores da empresa.  Alguns fundos, como BlackRock e Pimco estão entre os maiores perdedores.

Do passivo a descoberto da empresa, que chega a R$ 11,2 bilhões, cerca de R$ 7,5 bilhões são devidos aos detentores de bônus e aproximadamente R$ 2,4 bilhões à OSX, empresa naval que também pertence a Eike Batista, e que deve aos bancos R$3,5 bilhões. O passivo total da OSX é de R$ 5,3 bilhões e na lista dos bancos que tem empréstimos com a companhia estão o Itaú BBA, ING, Santander, DVB Group, além de Caixa Econômica Federal e BNDES que alega possuir garantias. Recentemente, o Banco fez um empréstimo ponte de R$ 418 milhões para a OGX .  

Imprensa estrangeira também destaca 'triste história' de Eike

Os veículos de comunicação internacionais destacaram o pedido de recuperação judicial da OGX como um teste para o mercado da América Latina e como o maior processo desse tipo na região. A agência de notícias Bloomberg afirmou que a recuperação judicial da petroleira culmina com o fim de um processo de 16 meses de declínio que levaram US$ 30 bilhões da fortuna pessoal de Eike Batista. “Você precisa entregar e ele (Eike) não fez isso”, disse um investidor à agência.

A Bloomberg explicou a trajetória do empresário como um empreendedor que aproveitou o apetite dos investidores na década passada por commodities e lançou seis empresas para captar esse fluxo de capitais. Porém, quando Eike perdeu a confiança do mercado, tentou vender partes dessas empresas para se salvar. O fim do processo foi a tentativa de recuperação e a mudança da sede da EBX de um prédio de 23 andares para escritórios menores no Rio.

O inglês Financial Times reportou a visão de responsáveis por fundos de investimentos nos Estados Unidos, que chamaram o processo de “uma história triste”. Na opinião de outro investidor, o mercado já entendeu que a derrocada é pontual e focada somente na empresa de Eike Batista e que não irá respingar em outras companhias da região.

O The New York Times narrou a trajetória de Eike como alguém famoso por seus planos de construir um império de empresas de energia, minérios e logística, mas que nenhum desses empreendimentos conseguiu se tornar lucrativo. O jornal americano classificou a recuperação judicial da OGX como o maior calote da história na América Latina.

As publicações ainda deram destaque para o fato de fundos de investimento americanos como o Pimco – o maior do mundo de investimento em títulos de dívida –, a Pacific Investment Management e o BlackRock são sócios de Eike na petroleira.

A endividada petroleira OGX, do empresário Eike Batista, pediu recuperação judicial na 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro nesta quarta-feira. A empresa declarou passivo consolidado de R$ 11,2 bilhões no pedido de recuperação judicial, segundo a fonte, que pediu para não ser identificada.

A revista Forbes, que já teve Eike Batista no topo do seu ranking, ocupando a sétima posição, afirmou que ele estava sofrendo e sofrendo ações pelos acionistas minoritários da OGX, que está sendo acusada de divulgar dados falsos sobre as suas empresas, que estariam sofrendo investigação juntamente com a Comissão de valores Imobiliários (CVM). “Sua fortuna pessoal foi dizimada pela queda espetacular nos preços das ações de suas empresas, passando de US$ 30 bilhões para menos de US$ 1 bilhão”, completa a publicação.

Entenda o 'calote' da petrolífera de Eike

O empresário Eike Batista entrou nesta quarta-feira com pedido de recuperação judicial de sua petroleira, a OGX. Considerada pelo próprio Eike como um de seus projetos “a prova de idiotas”, a companhia agora vai ganhar uma “trégua” de até 180 dias para se mostrar capaz de resolver os problemas ou terá que decretar falência.

Com o anúncio do não pagamento das parcelas de juros remuneratórios no valor aproximado de US$ 45 milhões no final de setembro, a saída para a OGX passou a ser a recuperação judicial. O pedido deveria ser realizado até o último dia do mês de outubro.

Com o anúncio do calote no pagamento dos juros, as ações da petroleira passaram o mês de outubro sendo negociadas pelos menores valores desde que passaram a fazer parte da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Nesta quarta, as ações da empresa caíram mais 26,09% e fecharam a R$ 0,17 - 99,26% menos que a cotação máxima que os papéis já atingiram (R$ 23,28).

Em setembro, quando o fim da empresa já parecia iminente, o empresário ainda se recusava a assumir a culpa pelo fracasso da OGX. Em entrevista ao The Wall Street Journal, ele afirmou que foi enganado por seus ex-executivos, o qual costumava a chamar de "Dream Team" (time dos sonhos), e disse ainda que seu mapa astral não o favorecia durante o anúncio de que a OGX não conseguiria produzir o que havia prometido e que até mesmo seus investidores o abandonaram muito rápido. Apesar da crise, dono do grupo EBX disse que voltará a ganhar dinheiro com suas empresas.

Recuperação judicial

Eike não admitiu que tinha conhecimento que seus campos não teriam a produção anunciada na prospecção de investidores de 2008 a 2010 – de cerca de 40 mil barris por dia – e afirmou que foi enganado pelos executivos, que apresentaram relatórios de progresso nas operações a fim de que ele os pagasse bônus. Segundo ele, por ser dono de uma grande empresa ele não tinha o conhecimento técnico para analisar o que era repassado a ele nos relatórios.

Otimista, o empresário reiterou que suas empresas eram realmente "à prova de idiotas", pois conseguiu vender o controle acionário de diversas delas, mesmo em um momento de "mercado louco".

Vantagens da recuperação judicial

A vantagem da recuperação judicial é que ela faz com que todos os processos de execução contra a empresa fiquem parados pelo prazo legal de seis meses e que a mesma continue produzindo e, nesse período, tente se reerguer.

De acordo com informações da Agência Nacional de Petróleo (ANP), as operações da OGX continuam mesmo com a iminente recuperação judicial.  “O pedido de recuperação judicial só culmina na resolução dos contratos quando houver inadimplemento absoluto do concessionário nos termos da cláusula”.

Início da queda

Em 2012, a derrocada da empresa transpareceu quando a OGX rebaixou a projeção de produção de barris diários nos blocos de Tubarão Azul, na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. O campo, que deverá interromper suas operações no ano que vem, era o único produtor de petróleo da empresa. Inicialmente, a companhia previa reservas de até 110 milhões de barris no local, mas até maio deste ano só tinha produzido 10 mil.

No ano de 2013, Eike perdeu a colocação que tinha na Forbes (passou da 8º para a centésima posição no ranking dos mais ricos) e amargou um prejuízo de R$ 1,2 bilhão na OGX, 135% maior na comparação com o ano anterior. Ele começou então a vender parte das operações da petroleira. Segundo a agência de notícias Bloomberg, Batista, depois da crise, deixou de ser bilionário e agora teria menos de US$ 500 milhões líquidos (R$ 1,1 bilhão), segundo estimativa da publicação.

Em crise, a OGX não produziu nenhum barril de petróleo em agosto nem em setembro. Segundo informações da Reuters, nos dois últimos meses, toda a produção da companhia, de 13,2 mil barris de óleo equivalente (BOE) por dia, ficou restrita ao campo de Gavião Real, na Bacia do Parnaíba, no Maranhão, mas apenas de gás natural. Não houve produção no campo de Tubarão Azul, na bacia de Campos, o único da OGX em atividade no mar. A produção de petróleo estava parada devido a danos nas bombas centrífugas submersas, de acordo com comunicado da empresa.

A queda da OGX deve levar para baixou outras empresas “irmãs” do grupo EBX. Pelo menos a A construtora de navios OSX, muito dependente das demandas geradas pelas plataformas da OGX, deve sofrer em conjunto após o pedido de recuperação judicial da petroleira.

   



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