O Produto Interno Bruto brasileiro (PIB) já não vai bem. Em 2012, o crescimento da economia registrou alta de apenas 0,9%. O resultado só não foi pior devido ao aquecido mercado interno, que vem registrando recordes de consumo. A situação, no entanto, pode mudar. Na última segunda-feira (20), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgou o índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de maio, que registrou queda de 2,2% na comparação com o mês imediatamente anterior e de 6,2% em relação a maio de 2012.
O resultado significa que as famílias pretendem gastar menos no futuro. E a economia, que cresce à base da compra destas pessoas pode sair prejudicada. Segundo a CNC, "o comprometimento da renda das famílias, alimentado não só pelo nível ainda elevado de endividamento e inadimplência, mas também pela persistência inflacionária ocorrida nos primeiros meses do ano, e o maior custo de aquisição de crédito influenciaram negativamente o resultado da ICF no mês", citou o estudo.
Para o economista Pedro Paulo Silveira, da corretora CGD Securities, apesar da queda, o patamar de consumo das famílias ainda está muito elevado. "Ainda que a inflação esteja elevada, a baixa taxa de desemprego assegura uma renda real ainda forte para sustentar o consumo", analisa.
Há uma acomodação do setor, segundo ele, mas em altos níveis de consumo. "Este índice não compromete ainda a tendência de crescimento no futuro", afirma.
PIB
Para o economista Julio Hegedus, especialista do Instituto Millenium e da Lopes Filho Consultoria de Investimentos, a diminuição do consumo interno, no futuro, pode sim afetar o desempenho da economia nacional.
"Neste trimestre há uma perspectiva de crescimento melhor, porém muito mais devido a um efeito estatístico na produção e encomenda de maquinários, já que a demanda por caminhões passou 2012 praticamente parada. Mas estes índices podem não se repetir nos próximos trimestres, não há uma perspectiva muito favorável e se o consumo continuar caindo pode inclusive piorar. Estamos monitorando os indicadores", afirmou.