Jornal do Brasil

Quarta-feira, 24 de Setembro de 2014

Economia

Inflação x taxa de juros: especialista analisa momento econômico

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Para evitar uma escalada ainda maior nos preços, a equipe econômica do Ministério da Fazenda vai propor à presidente Dilma Rousseff retirar o PIS-Cofins de 3,65% que integra a planilha de custos das empresas de transporte urbanos do Rio e São Paulo, e é integralmente repassado às tarifas. Um aumento na tarifa dos preços da passagem está previsto para junho.

"Não temos a ilusão de que a desoneração vá neutralizar o efeito do reajuste das tarifas de transporte urbano na inflação, mas qualquer ganho já é um ganho", justificou um integrante do governo com trânsito no Palácio do Planalto em entrevista para o jornal Valor Econômico

O aumento da inflação tem assustado os analistas do mercado. Na última medição realizada pelo IBGE, a variação de preços superou o teto da meta de 6,5% no acumulado dos últimos 12 meses. O número foi o suficiente para que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) decidisse, de forma não unânime, em elevar a taxa básica de juros da economia de 7,25% para 7,5%. A tentativa é controlar a inflação ao suprimir a demanda por consumo e financiamentos.

Por que é importante manter a inflação, a longo prazo, em um valor baixo? Como a taxa de juros afeta a variação de preços? Quais as consequências da alta? Na terceira reportagem da série que procura explicar, de forma didática, o que são alguns conceitos corriqueiramente usados na economia, mas pouco entendidos ou esclarecidos, o Jornal do Brasil aborda a Inflação.

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Alta nos preços

Um dos maiores problemas para os países sul-americanos nas décadas de 80 e 90, a hiperinflação trouxe prejuízos sociais e econômicos duradouros para Brasil e Argentina, a dolarização da economia do Equador, dentre outros entraves para os demais países.

"Em geral, quando você tem alta de preços, prejudica muito mais as camadas mais baixas da população. Um choque agrícola, por exemplo, vai elevar muito o preço da cesta básica, que consome grande parte do salários dos mais pobres", analisa o economista da CGD corretora, Pedro Paulo Silveira.

A inflação mede não os preços praticados na economia, mas a variação destes valores ao longo do tempo. Aumentos e decréscimos podem mudar principalmente pelo crescimento ou diminuição da oferta de produtos e a demanda maior por materiais ou serviços, de acordo com especialistas. É possível ainda medir a inflação direcionada para certos grupos sociais, de acordo com o seu consumo, como no caso citado acima por Pedro Paulo.

Taxa de juros

E, como a taxa de juros pode afetar a queda dos preços? Segundo Pedro Paulo, com o aumento da Selic os financiamentos também ficam mais caros, suprimindo não só os empréstimos - que injetam dinheiro na economia - como também a quantidade de compras realizadas a partir de novos financiamentos. O aumento da taxa de juros afeta a demanda, segundo Pedro Paulo Bastos, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O problema para o especialista, no entanto, é que a inflação atual do Brasil tem sido impulsionada por um choque na oferta, e não da demanda. "O que os juros vão influenciar, por exemplo, no aumento dos preços dos serviços, que cresceram com o salário mínimo? Ou em choque agrícolas, como tivemos no mundo inteiro ano passado, elevando os preços? Nada. O aumento dos juros não tem influência na inflação do Brasil atual", afirma.

Taxa de câmbio

Outra variável que também pode afetar a inflação é a taxa de câmbio, que mede o "preço" em reais para se comprar um dólar, divisa internacional na economia. A desvalorização da moeda norte-americana encarece os produtos importados, impactando diretamente na economia. 

"Não é só o azeite ou o vinho que ficam mais caros, mas nós compramos diversos insumos para a indústria, matérias primas do mercado internacional, que vêm cotadas em dólares. Isso tem um efeito de escala, que encarece os produtos da economia como um todo", afirma o professor.

Porém, a indústria nacional agradece quando o fenômeno acontece. "Os produtos nacionais, cotados em real, ganham em competitividade. Isso é bom porque gera empregos, tributos e investimentos", analisa Pedro Paulo.

Tags: brasil, copom, economia, industria, inflação, investimento, Juros, país, selic

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