Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Economia

Conservadores ainda resistem ao 'Medicaid'

Para Paul Krugman, o 'Obamacare' é libertador

Jornal do Brasil

O Presidente Obama lançará em breve um novo orçamento, e os comentários já estão fluindo rapida e furiosamente. Os progressistas estão irritados (com razão) com a proposta de cortes para a Segurança Social. Conservadores estão denunciando a chamada por mais receitas. Mas é tudo “Kabuki”. Já que os Republicanos irão bloquear tudo que Obama propor, seu novo orçamento é mais bem visto não como uma política, mas como um posicionamento, uma tentativa em ganhar elogios dos especialistas de “centro" , defende artigo assinado por Paul Krugman para o New York Times.

Não, a política real de ação, neste momento, está nos Estados Unidos, onde a questão é: “Quantos americanos terão seus direitos de assistência médica negados em nome da liberdade?”.

Estou me referindo, claro, à questão de quantos governadores Republicanos irão rejeitar a Medicaid (plano americano de assistência médica aos mais necessitados, que é uma parte fundamental do “Obamacare”. O que isso tem a ver com liberdade? Na realidade, nada. Mas quando se trata de política é uma história diferente. 

Nem é necessário dizer que os Republicanos se opõem a qualquer expansão de programas que ajudem aos mais necessitados – juntamente com cortes de taxas para os mais ricos -, a oposição é basicamente o que define o conservadorismo moderno. Mas eles parecem estar enfrentando mais problemas do que no passado, defendendo sua oposição sem se transformarem em simples monstros.  

Especificamente, a prática consagrada de atacar os beneficiários pelos programas de governos, chamando-os de indignos e enganadores, não está funcionando da maneira tradicional. Quando Ronald Reagan discursou sobre rainhas dirigindo Cadillacs, resoou em muitos votos. Quando Mitt Romney foi pego em flagra ironizando os 47%, nem tanto.

Entretanto, existe uma alternativa. Desde a entusiástica recepção, quando os conservadores americanos deram a Reagan o livro Caminho da Servidão, de Friedrich Hayek, até os governadores, que agora atrapalham a expansão do Medicaid, os direitos constitucionais americanos retrataram sua posição, não como um modo de confortar os confortáveis, mas como uma corajosa defesa da liberdade .

Conservadores amam, por exemplo, citar um trecho de um discurso que Reagan fez em 1961, em que ele alertou para um futuro sombrio, a não ser que os patriotas tomassem uma atitude. (Liz Cheney usou isso em um editorial do Wall Street Journal, alguns dias depois) “Se fosse você, e eu não faria isso”, Reagan declarou, “então você e eu devemos passar nossos anos de por do sol dizendo aos nossos filhos e nossos netos como era o tempo em que os homens eram livres na América”. O que você pode não imaginar a partir da linguagem empolgada é que “isso”, o heroico ato em que Reagan convocava seus ouvintes a agir, foi um esforço feito para bloquear a promulgação do “Medicaid”. 

Atualmente, conservadores utilizam argumentos bem similares contra a política de Obama, a “Obamacare”. Por exemplo, o Senador Ron Johnson, de Wisconsin, chamou a medida como “O maior ataque à liberdade da história”. E esse tipo de questões retóricas, porque quando se trata do obstáculo principal agora restante para a cobertura médica mais ou menos universal, a relutância dos governadores Republicanos em permitir que o Medicaid se expanda é uma peça chave para a reforma, é basicamente tudo o que a direita tem. 

Como eu já sugeri, o velho truque de culpar o necessitado pela sua necessidade não está funcionando como antes, especialmente em relação à reforma da saúde: talvez, devido à experiência tão comum em perder seguros, “Mecidaid” garante um marcante apoio do povo. E agora que a reforma da saúde é a lei da terra, a defesa econômica e fiscal para estados individuais aceitarem o “Medicaid” é esmagadora. Por isso que empresas apoiam fortemente a expansão em todo lugar, inclusive no Texas. Porém, essas práticas podem ser colocadas de lado se você for capaz de argumentar que o seguro é uma espécie de escravidão.

Claro que não é. Na verdade, é difícil pensar em uma proposição que tenha sido tão refutada pela história, quanto a noção de que seguro social prejudica uma sociedade livre. Quase 70 anos se passaram desde que Friedrich Hayek previu (ou pelo menos foi compreendido pelos seus admiradores como uma previsão) que o estado de bem-estar britânico colocaria a nação no terreno perigoso do Stalinismo; 46 anos se passaram desde que o “Medicaid” entrou em vigor; Na medida em que a maioria de nós pode dizer, a liberdade não morreu em nenhum lado do Atlântico. 

Na realidade, a experiência vivida pelo “Obamacare” é capaz de ser apontada como uma significante medida de liberdade individual. Para todos, nosso discurso em sermos a “terra da liberdade”, aqueles dos empregos, em decadência, que oferecem benefícios hospitalares decentes, normalmente sentem qualquer coisa menos liberdade, sabendo que se eles abandonarem ou perderem o emprego, por qualquer razão, podem não ser capazes em recuperar a cobertura que necessitam. Ao longo do tempo, quando as pessoas começarem a  perceber que a cobertura disponível, agora, está garantida, haverá um forte efeito libertador.

Mas, o que nós ainda não sabemos é a quantidade de americanos que terão esse tipo de libertação negada- uma cruel negação, pois será imposta em nome da liberdad, conclui Krugman. 

Tags: escravidão, JB, liberdade, medida, negação

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