Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Maio de 2013

Economia

Ibovespa fecha em queda puxado por forte desvalorização do Grupo EBX

Jornal do Brasil

O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Ibovespa, fechou o pregão desta sexta-feira (22) em queda de 0,60%, aos 55.243 pontos. As ações do Grupo EBX, do bilionário Eike Batista, foram o destaque negativo da sessão e puxaram para baixo o indicador. O dólar fechou estável cotado a R$ 2,011.

A incerteza continua a rondar a zona do euro, com o impasse gerado pelo plano de resgate internacional ao Chipre, que associou os depósitos de todos os correntistas do país para garantir o empréstimo. O governo cipriota, apesar da tensão política sobre a questão, tem até a segunda-feira (25) para solucionar a questão, pois na terça-feira (26) os bancos reabrem e o temor é de que haja uma corrida de saques. Além disso, o Banco Central Europeu pode cortar a linha de crédito e forçar a saída do Chipre do euro.

Grupo EBX negativo 

Na Bovespa, os ativos da LLX, empresa de logística do grupo, recuaram 9,72%, cotadas a R$ 1,95, enquanto os da OGX Petróleo caíram 9,20%, cotados a R$ 2,27, e os da mineradora MMX desvalorizaram 8,30%, a R$ 2,43. Segundo especialistas, o contexto das empresas do bilionário carioca é específico:  

"Em sua maioria, são empresas pré-operacionais, que captaram recursos via Ofertas Públicas de Ações (OPA). Os investidores estão preocupados com a capacidade de geração de caixa. A perspectiva para essas companhias entregarem o prometido fica mais longa. É uma aversão ao risco por parte do mercado", avaliou o sócio da gestora Queluz, Maurício Pedrosa. 

Alfredo Sequeira, superintendente da Fator Corretora, destaca também que os bônus controlados pela EBX e lançados no mercado internacional estão sendo negociados a 80% do valor original. "A expectativa do mercado é de que não será pago e isso é preocupante. Toda a projeção em relação à produção e ao crescimento da empresa vai caindo", afirmou. 

Segundo o analista, o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que aumentou 0,49% em março em relação a fevereiro, quando a variação havia sido de 0,68%, e as declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que apontam para a manutenção da taxa básica de juros (Selic) também afetaram o mercado. Com isso, ações do setor financeiro tiveram queda nesta sexta-feira. 

Se por um lado a Selic parece ficar mantida, o BC pode combater a alta inflacionária, que chegou a 6,43% no acumulados dos últimos 12 meses, por meio do câmbio. A oscilação da divisa americana atinge em cheio o mercado, segundo avalia Sequeira. "O dólar deve ser mantido acima de R$ 2 para beneficiar a exportação e não afetar a competitividade dos produtos nacionais com importados", disse. 

Europa

Na Europa, as atenções continuam voltadas ao pequeno Chipre. Para Pedrosa, a possibilidade de o resgate da Troika (Bacon Central Europeu (BCE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e União Europeia) ser associado aos depósitos bancários dos cidadãos abre um precedente para que isso se espalhe por outros países em crise. 

"O medo é o chamado "efeito contágio". Isso faz pensar que sempre que houver problemas em países da zona do euro os correntistas terão algum tipo de bloqueio das contas. Fica uma insegurança muito grande", afirmou o economista.

Nesta sexta-feira, o parlamento cipriota aprovou uma lei dando poderes ao governo para  controlar o capital dos bancos para alcançar as metas do plano de resgate da Troika. 

Como efeito,  os principais índices financeiros do Velho Continente fecharam em queda. m Londres, o índice Financial Times teve alta de 0,07%, a 6.392 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX caiu 0,27%, para 7.911 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 perdeu 0,12%, para 3.770 pontos, enquanto o Ibex-35, de Madri, retrocedeu 0,26%, para 8.329 pontos. 

Nos Estados Unidos, que puderam acompanhar os noticiários após o fechamento das bolsas da Europa, terminaram a semana em alta, alavancados também por bons resultados da Nike. O índice Dow Jones encerrou a sessão com alta de 0,63%, a 14.512 pontos, enquanto o S&P 500 teve valorização de 0,72%, a 1.556 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq registrou avanço de 0,70%, a  3.245 pontos.

Tags: ações, Bolsa, financeiro, índices, mercado

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