Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Maio de 2013

Economia

Indústria: PIB fraco tem relação com competitividade no Brasil

Para Paulo Skaf, país apresentou sinais de que não cresceria com mais vigor

Portal Terra

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) atribui o baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas no País) em 2012 à perda de competitividade brasileira nos últimos anos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta sexta-feira que a economia brasileira cresceu 0,9% na comparação com o ano passado.

Na avaliação do presidente da entidade, Paulo Skaf, o País já apresentava sinais ao longo do ano de que não conseguiria crescer de forma mais vigorosa. "Com a indústria de transformação caindo 2,5%, em 2012, depois de ficar estagnada em 2011, não há PIB no Brasil que consiga crescer", declarou por meio de nota.

Skaf destacou estudo recente da Fiesp que mostra que o produto brasileiro tem um custo 34% maior ao consumidor do que o produto importado
Skaf destacou estudo recente da Fiesp que mostra que o produto brasileiro tem um custo 34% maior ao consumidor do que o produto importado

Ele destacou um estudo recente da Fiesp que mostra que o produto brasileiro tem um custo 34% maior ao consumidor do que o produto importado. "Esse custo adicional vem unicamente das dificuldades estruturais do País: o chamado Custo-Brasil. Com esse peso nas costas e o real valorizado, fica muito difícil competir com os importados. Com menor perspectiva de venda, acontece um processo de redução do investimento por aqui", avaliou.

Skaf aposta em medidas que reduzam essa desvantagem para que a economia brasileira tenha melhores resultados neste ano. "Temos de buscar agora a ampliação da competitividade brasileira por meio da redução de custos nos portos do nosso País, além do combate constante à alta carga tributária, burocracia elevada, aos juros ainda entre os mais altos do mundo, ao câmbio instável, à infraestrutura deficiente e ao preço do gás", sugere. A Fiesp calcula que a indústria de transformação vai crescer 2,4% este ano e que o PIB avance 3%.

Comércio

Para a Federação do Comércio de São Paulo (FecomercioSP), as interferências pontuais do governo brasileiro na política econômica foram responsáveis pelo baixo crescimento da economia brasileira no ano de 2012.

"Isso tudo traz turbulências ao mercado. O mercado fica incerto, inseguro e se protege", avaliou Altamiro Carvalho, assessor econômico da FecomercioSP. Como exemplos, cita o aumento nos preços da gasolina e óleo diesel, que não acompanham a cotação internacional, a antecipação da renovação das concessionárias de energia elétrica e a questão do câmbio, "que ora se pretendia que (o dólar) ficasse acima de dois reais e, de repente, o Banco Central age no sentido de trazer nova valorização do real".

O economista disse que o governo federal precisa apresentar um plano de estímulo do crescimento de médio prazo para que, neste ano, se confirmem as previsões iniciais de 3% a 3,5% de crescimento. "Para se atingir isso, será necessário tomar medidas não apenas pontuais, como aquelas que marcaram o ano de 2012, mas a apresentação de um projeto consolidado e articulado envolvendo políticas monetárias, fiscais e de controle de inflação mais consistentes", declarou.

Carvalho não atribui esse baixo crescimento somente à crise internacional. "Evidentemente que tem alguma interferência internacional. Mas, mesmo assim, o Brasil é o país latino-americano que menos vai crescer. Somente a crise internacional não pode ser responsabilizada pela crise no Brasil. Se assim fosse, ela deveria ter reflexos também em outras economias", avaliou.

Tags: combate, Dólar, industria, JB, mercado

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