Ata do comitê de política monetária dos EUA e agenda devem influenciar pregão
As principais bolsas de valores mundiais devem operar em campo negativo repercutindo dados da agenda global. Além disso, a Ata do FOMC deve continuar influenciando negativamente o pregão. Diante deste cenário, os índices europeus e o indicador futuro das bolsas norte-americanas operam em queda.
“A ata da última reunião do comitê de política monetária norte-americano (FOMC), divulgada ontem, 20, mostrou um colegiado dividido a respeito tanto da magnitude quanto da extensão do atual programa de compra de ativos aplicado pelo Fed, trazendo para os mercados internacionais o receio de que o estímulo pode ser interrompido mais cedo do que se espera”, disse Octavio de Barros, diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco.
Os comentários contidos no documento tiveram impacto nas bolsas asiáticas, que fecharam em queda nesta quinta-feira, 21, devolvendo os ganhos do dia anterior. Com isso, a Bolsa de Tóquio encerrou a sessão em baixa. O índice Nikkei 225 perdeu 1,39%, aos 11.309,13 pontos.
No mesmo sentido, as bolsas europeias também operam em baixa nesta manhã, mais acentuadamente na Itália. Há pouco, o CAC-40, de Paris, registrava perdas de 1,79%, aos 3.643 pontos. E o DAX, de Frankfurt, desvalorizava 1,80%, aos 7.589 pontos. E o índice FTSE-100, de Londres, apresentava baixa de 1,64% aos 6.290 pontos.
Na agenda do Velho Continente, o índice PMI ficou em 47,3 pontos em fevereiro, contra 48,6 no mês anterior, segundo dados do Markit. Analistas previam um índice PMI de 49 e uma desaceleração da contração da atividade.
Além disso, em fevereiro, o índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços da Alemanha deve recuar a 54,1 pontos, após ter registrado 55,7 pontos no mês de janeiro de 2013, segundo dados preliminares apresentados, há pouco, pelo Instituto de pesquisas Markit Economics. Já o PMI do setor industrial deve avançar a 50,1 pontos, após ter registrado 49,8 pontos no mês anterior.
Em Wall Street, o indicador futuro das bolsas norte-americanas aponta para uma abertura em campo negativo. Mas, investidores aguardam a divulgação dos pedidos iniciais de auxílio desemprego (semanal), o PMI de Markit da indústria de transformação de fevereiro (preliminar) e as vendas de imóveis existentes de janeiro.
Por aqui, o Ibovespa deverá seguir em linha com o cenário externo.
Abrindo a agenda de indicadores econômicos brasileiros, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou que o Índice de Confiança da Indústria (ICI) sinaliza um ligeiro recuo, de 0,4%, em fevereiro com relação ao resultado final de janeiro, ao passar para 106,1 pontos.
Por outro lado, o Indicador Serasa Experian de Cheques Sem Fundos revelou que foram devolvidos, no primeiro mês do ano, 2,02% de cheques em todo o país, percentual menor que os 2,04% verificados em dezembro de 2012.
Do lado corporativo, o Banco do Brasil ganha destaque. O BB registrou lucro líquido de R$ 12,2 bilhões em 2012, o que corresponde a retorno anualizado sobre o patrimônio líquido médio (RSPL) de 19,8%. O lucro líquido sem Previ em 2012 foi de R$ 11,4 bilhões, aumento de 10,2% em relação a 2011, marca recorde.
Para Barros, no mercado de câmbio, a perspectiva de encerramento antecipado do relaxamento monetário norte-americano se reflete em depreciação das moedas mundiais em relação ao dólar, em especial as divisas europeias, impactadas também pela divulgação da prévia do PMI de fevereiro, que veio abaixo das expectativas. “Para o real, esperamos depreciação moderada”, finalizou.

