Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Maio de 2013

Economia

Ações da Petrobras têm fortes perdas após reajuste dos combustíveis

Para analistas, mercado exagerou mas novos reajustes são necessários

Jornal do BrasilLuciano Pádua

O anúncio da Petrobras de reajustar a gasolina, em 6,6%, e o diesel, em 5,4%, na terça-feira (29), não foi bem recebida pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). As ações preferenciais da petrolífera caíram 5,21%, enquanto as ordinárias recuaram 4,76%, desvalorizando o principal índice do mercado, o Ibovespa, em 1,77%, aos 59.336 pontos, patamar mais baixo desde o dia 13 de dezembro. 

Segundo analistas, os investidores esperavam um aumento maior no reajuste - de 6,6% para a gasolina e 5,4% no diesel. Apesar da iniciativa, especialistas da área afirmam que a medida alivia apenas em parte a saúde financeira da empresa, mas novos reajustes dos preços são extremamente necessários para que ela possa apresentar resultados positivos e manter seus investimentos. A petrolífera, em nota ao Jornal do Brasil, disse que só comentará o assunto quando for divulgado o resultado do quarto trimestre de 2012.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, destacou que o preço do combustível para os consumidores não tinha reajustes há cinco anos, e por isso a alta nas bombas está bastante abaixo da inflação do período. Ele não quis antecipar se ao longo do ano haverá um novo reajuste dos combustíveis. O Banco Central, na ata da última reunião do Copom, já havia projetado alta de 5% para a gasolina.

Mercado exagerou 

Para Alfredo Sequeira, superintendente da Fator Corretora, o mercado entende que, mesmo com a alta, os preços não estão no mesmo patamar dos internacionais. Avalia, porém, que a bolsa pode ter exagerado, porque a medida vai assegurar boa parte das necessidades de investimentos da empresa. "Apesar do aumento, a empresa continua não fechando o caixa, e isso é visto negativamente pelos investidores do curto prazo", afirmou o analista. 

Ele lembra que, em junho do ano passado, a estatal já havia reajustado o valor da gasolina em 7,83%, medida que não foi sentida pelos consumidores porque foi reduzida a CIDE, imposto sobre combustíveis. O analista citou a projeção do plano de negócios da empresa de 2012 para 2016 de aumento em 15% no valor dos combustíveis. 

"A Petrobras disse, em 2012, que precisava de um reajuste de 15% no valor da gasolina, por exemplo. Ontem, o aumento foi de 6,6%, o que soma quase 14% e bastante próximo ao que a empresa tinha falado", justifica.

O analista da Fator Corretora completa que esse congelamento dos preços dos combustíveis, para o mercado, demonstra a interferência política que existe na administração da empresa. "Claro que se trata de uma estatal, e é natural que isso seja feito, mas o mercado não costuma avaliar bem isso", advertiu.

Em nota, a Bradesco Corretora classificou a medida da Petrobras como positiva, mas achou que o reajuste para o diesel poderia ter sido maior. O banco trabalha com um aumento para ambos os combustíveis de 15% e não muda suas projeções de investimento para a empresa por considerar que o ajuste total nos preços ficará em 15% neste ano.

Além disso, a corretora calculou que se a estatal tivesse acertado os valores antes do quarto trimestre do ano passado, as perdas de R$ 6 bilhões por conta da defasagem teriam pulado para R$ 4,2 bilhões, uma diferença de R$ 1,8 bilhão. 

Novos reajustes necessários

O professor de economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), Evaldo Alves, explica que com o congelamento dos preços dos combustíveis - utilizado para não pressionar a inflação - a defasagem entre o valor que o petróleo era comprado e o vendido no mercado interno chegou a 17,3%, valor que deve cair para 11,8% agora, segundo o professor.  

"Essa medida é apenas e tão somente um alívio na defasagem. Não se cobriu a defasagem que existe entre o preço da importação dos combustíveis da Petrobras e os preços do mercado interno. A medida também sinaliza a necessidade de algum ajuste, talvez no segundo semestre, para diminuir a defasagem de caixa. Caso contrário, vai depauperar a empresa em termos de seus recursos", sentenciou. 

Para Alves, a notícia deveria ser encarada como positiva pelo mercado e pondera que o reajuste não pode ser muito elevado de uma única vez, para não arriscar as projeções de inflação e os custos de produção no país. 

"Isso mostra que a empresa está a caminho de solucionar esta questão. Acredito que até se acomodarem à medida, os investidores de longo prazo vão entender que os primeiros passos para recuperar a saúde financeira da Petrobras estão sendo dados", afirmou o economista. 

Ele também ressalta que, ao não gerar um caixa positivo, qualquer empresa não tem sobras de recursos para investimentos, como a melhoria de seu sistema produtivo, maior eficiência dos serviços, aperfeiçoamento de pessoal, entre outros. Alerta que, naturalmente, o reajuste terá um impacto no bolso do consumidor, mas "é necessário para saúde da empresa e do setor". 

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Tags: ações, ativos, Bolsa, FINANÇAS, financeiro, mercado, Petróleo

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