Jornal do Brasil

Terça-feira, 21 de Maio de 2013

Economia

Ações da Petrobras têm fortes perdas após reajuste dos combustíveis

Para analistas, mercado exagerou mas novos reajustes são necessários

Jornal do BrasilLuciano Pádua

O anúncio da Petrobras de reajustar a gasolina, em 6,6%, e o diesel, em 5,4%, na terça-feira (29), não foi bem recebida pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). As ações preferenciais da petrolífera caíram 5,21%, enquanto as ordinárias recuaram 4,76%, desvalorizando o principal índice do mercado, o Ibovespa, em 1,77%, aos 59.336 pontos, patamar mais baixo desde o dia 13 de dezembro. 

Segundo analistas, os investidores esperavam um aumento maior no reajuste - de 6,6% para a gasolina e 5,4% no diesel. Apesar da iniciativa, especialistas da área afirmam que a medida alivia apenas em parte a saúde financeira da empresa, mas novos reajustes dos preços são extremamente necessários para que ela possa apresentar resultados positivos e manter seus investimentos. A petrolífera, em nota ao Jornal do Brasil, disse que só comentará o assunto quando for divulgado o resultado do quarto trimestre de 2012.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, destacou que o preço do combustível para os consumidores não tinha reajustes há cinco anos, e por isso a alta nas bombas está bastante abaixo da inflação do período. Ele não quis antecipar se ao longo do ano haverá um novo reajuste dos combustíveis. O Banco Central, na ata da última reunião do Copom, já havia projetado alta de 5% para a gasolina.

Mercado exagerou 

Para Alfredo Sequeira, superintendente da Fator Corretora, o mercado entende que, mesmo com a alta, os preços não estão no mesmo patamar dos internacionais. Avalia, porém, que a bolsa pode ter exagerado, porque a medida vai assegurar boa parte das necessidades de investimentos da empresa. "Apesar do aumento, a empresa continua não fechando o caixa, e isso é visto negativamente pelos investidores do curto prazo", afirmou o analista. 

Ele lembra que, em junho do ano passado, a estatal já havia reajustado o valor da gasolina em 7,83%, medida que não foi sentida pelos consumidores porque foi reduzida a CIDE, imposto sobre combustíveis. O analista citou a projeção do plano de negócios da empresa de 2012 para 2016 de aumento em 15% no valor dos combustíveis. 

"A Petrobras disse, em 2012, que precisava de um reajuste de 15% no valor da gasolina, por exemplo. Ontem, o aumento foi de 6,6%, o que soma quase 14% e bastante próximo ao que a empresa tinha falado", justifica.

O analista da Fator Corretora completa que esse congelamento dos preços dos combustíveis, para o mercado, demonstra a interferência política que existe na administração da empresa. "Claro que se trata de uma estatal, e é natural que isso seja feito, mas o mercado não costuma avaliar bem isso", advertiu.

Em nota, a Bradesco Corretora classificou a medida da Petrobras como positiva, mas achou que o reajuste para o diesel poderia ter sido maior. O banco trabalha com um aumento para ambos os combustíveis de 15% e não muda suas projeções de investimento para a empresa por considerar que o ajuste total nos preços ficará em 15% neste ano.

Além disso, a corretora calculou que se a estatal tivesse acertado os valores antes do quarto trimestre do ano passado, as perdas de R$ 6 bilhões por conta da defasagem teriam pulado para R$ 4,2 bilhões, uma diferença de R$ 1,8 bilhão. 

Novos reajustes necessários

O professor de economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), Evaldo Alves, explica que com o congelamento dos preços dos combustíveis - utilizado para não pressionar a inflação - a defasagem entre o valor que o petróleo era comprado e o vendido no mercado interno chegou a 17,3%, valor que deve cair para 11,8% agora, segundo o professor.  

"Essa medida é apenas e tão somente um alívio na defasagem. Não se cobriu a defasagem que existe entre o preço da importação dos combustíveis da Petrobras e os preços do mercado interno. A medida também sinaliza a necessidade de algum ajuste, talvez no segundo semestre, para diminuir a defasagem de caixa. Caso contrário, vai depauperar a empresa em termos de seus recursos", sentenciou. 

Para Alves, a notícia deveria ser encarada como positiva pelo mercado e pondera que o reajuste não pode ser muito elevado de uma única vez, para não arriscar as projeções de inflação e os custos de produção no país. 

"Isso mostra que a empresa está a caminho de solucionar esta questão. Acredito que até se acomodarem à medida, os investidores de longo prazo vão entender que os primeiros passos para recuperar a saúde financeira da Petrobras estão sendo dados", afirmou o economista. 

Ele também ressalta que, ao não gerar um caixa positivo, qualquer empresa não tem sobras de recursos para investimentos, como a melhoria de seu sistema produtivo, maior eficiência dos serviços, aperfeiçoamento de pessoal, entre outros. Alerta que, naturalmente, o reajuste terá um impacto no bolso do consumidor, mas "é necessário para saúde da empresa e do setor". 

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Tags: ações, ativos, Bolsa, FINANÇAS, financeiro, mercado, Petróleo

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