Jornal do Brasil

Quinta-feira, 20 de Junho de 2013

Economia

Governo após negar, admite que examina aumento dos combustíveis

Jornal do BrasilCarolina Mazzi

Depois de negar "qualquer existência sobre reajuste (no valor) da gasolina", as autoridades brasileiras mudaram o discurso e acenaram para um possível aumento no preço dos combustíveis já a curto prazo. Segundo o ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, o assunto "vem sendo examinado com todo o cuidado e toda a prudência, porque não desejamos complicar o problema da inflação".

A expectativa é que a elevação fique entre 4% e 10%. Na última sexta-feira (12), a diretora da Petrobras, Maria das Graça Foster foi enfática sobre a necessidade do aumento dos preços para maior captação de recursos para a estatal, que amargou prejuízo de R$ 17 bilhões no seu último terceiro trimestre.

A elevação dos preços é importante para que a Petrobras possa realizar o seu plano de US$ 236,5 bilhões para o ano de 2013. Cerca de 65% da arrecadação da estatal vem da venda de todos os combustíveis que produz.  

O reajuste acontece todo ano, porém, em 2012, o incremento não foi repassado aos consumidores em função de uma redução da Contribuição sobre Intervenção do Domínio Econômico (Cide). Além disso, por determinação do governo, a empresa vinha vendendo combustível mais barato no país em comparação ao exterior. O objetivo era baratear a gasolina e o diesel para incentivar o crescimento do país, através do aumento do consumo e a maior competitividade dos produtos industrializados. 

Especialistas ouvidos pelo Jornal do Brasil concordam que a elevação é importante para melhorar a performance da Petrobras, mesmo afetando os níveis de inflação, como acenou o ministro Lobão. 

Aumento do combustível, inflação elevada?

Analista da corretora Geração Futuro, Lucas Brendler acredita que o governo terá uma janela de oportunidade para anunciar a elevação dos preços, entre janeiro e março, já que neste período entra em vigor a redução das tarifas de energia. "Este aumento precisa vir para recompor a capacidade de geração de caixa da Petrobras e garantir o plano de investimento da companhia, até porque boa parte deste plano é representado pelo PAC. Então tem interesses do governo para aumentar este investimento".

O especialista acredita que o aumento terá consequências nos índices de inflação, mas afirma que as políticas em relação a Petrobras não podem continuar como estão. "A empresa não pode vender o produto mais barato do que custou produzir ou importar. Esta diferença ainda aumenta com os outros gastos de refinamento, impostos, etanol, distribuição", adverte. 

O economista José Bonifácio Amaral Filho, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) alerta para os impactos na inflação, mas concorda com a necessidade de elevação nas tarifas. "O impacto, caso o aumento seja só na gasolina será menor, afetará mais o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), o consumidor final. Mas se for no diesel também, aí teremos aquele efeito multiplicador na economia, já que todo o nosso transporte é feito através da malha rodoviária a base do diesel. Mas é importante mesmo assim", finaliza.

Tags: brasil, combustivel, diesel, economia, Gasolina, nacional, Petrobras

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