Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Economia

Senadores da oposição criticam os cortes no Orçamento

Agência BrasilMariana Jungmann 

Os cortes no Orçamento, anunciados hoje (15) pelo Ministério do Planejamento, repercutiram negativamente entre os senadores oposicionistas e os chamados “independentes” – aqueles que pertencem a partidos da base aliada, mas se definem como críticos ao governo.

O senador Pedro Taques (PDT-MT) definiu a peça orçamentária aprovada no fim do ano passado como uma “obra de ficção”. Segundo ele, o ideal seria que o Congresso Nacional definisse de maneira obrigatória como os gastos e cortes devem ser feitos. “Nós temos que ter um Orçamento que seja impositivo, que leve em conta a necessidade de determinadas áreas como saúde, segurança e educação, para evitar esse tipo de contingenciamento”, disse.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) demonstrou preocupação com o excesso de gastos públicos em áreas não estruturais e com os cortes em setores essenciais como a educação – que teve contingenciamento anunciado de quase R$ 2 bilhões. “A economia está bem, mas vai mal”, disse Cristovam. “O governo está fazendo esse contingenciamento com a alegação de que haverá uma queda na receita. E haverá mesmo. Mas isso é a prova de que as coisas não vão bem. O governo tem que dizer isso com clareza para evitar que um dia a gente acorde como a Grécia [país europeu que passa por grave crise econômica]”, disse.

O líder do principal partido de oposição, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), aproveitou o anúncio de cortes no Orçamento para acusar o governo de desorganização. Ele lembrou que no ano passado foram anunciados cortes de R$ 50 bilhões, mas no fim só foi necessário contingenciar R$ 30 bilhões, porque houve aumento de arrecadação. Para o tucano, isso demonstra que o governo não consegue programar seus gastos e precisa de uma reforma administrativa, com corte de gastos em salários. “Nós não temos o detalhamento dos cortes ainda, isso não está anunciado, mas o que se prevê é que o governo não corta em despesas correntes, aquilo que é supérfluo, porque não faz reforma e não há como cortar”, declarou Dias.

A decisão da equipe econômica de contingenciar recursos do Orçamento Geral da União foi defendida pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Ele ressaltou que o Executivo está certo em fazer os cortes diante da grave crise econômica mundial. “Saiu o máximo da previsão que se fazia. É uma garantia, uma posição de controle de gastos do Ministério da Fazenda, preocupado com a execução da receita. Nós ainda estamos no começo do ano, não sabemos as receitas que vão ocorrer, e o governo preventivamente suspende esses gastos até saber com o que vai poder contar. É uma posição correta”, disse Jucá.

O líder governista acredita que poderá acontecer este ano o mesmo que ocorreu no ano passado, quando os cortes executados foram menores que os anunciados. “Isso é um contingenciamento provisório. A gente espera que haja superávit de receita e até o fim do ano o Orçamento possa ser liberado e os investimentos e os gastos [previstos] possam ser feitos”, declarou.

A maior parte dos cortes anunciados pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, do total de R$ 55 bilhões, a maior parte, R$ 35 bilhões, virá da redução das despesas discricionárias (não obrigatórias). Com a redução da estimativa das chamadas despesas obrigatórias, serão economizados mais R$ 20,5 bilhões. Foram revisadas as projeções de gastos com benefícios previdenciários, assistência social,subsídios e complementações para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Tags: cristovam buarque, Guido Mantega, miriam belchior, Pedro Taques, Romero Jucá

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