Jornal do Brasil

Sábado, 2 de Agosto de 2014

Economia

Gráficos indicam tendência de alta da Bovespa; entenda a análise

Portal TerraPeter Fussy

Para investir bem em ações é preciso ter algum conhecimento sobre as empresas nas quais você vai se tornar "sócio". Atualmente, são cerca de 460 empresas listadas na Bovespa, mas como escolher uma e não outra? Um dos métodos é a chamada análise técnica, que olha apenas para gráficos com linhas de preços, variações e médias para "prever" se uma ação deve subir ou cair. O Terra consultou os "grafistas" para interpretarem as linhas do principal índice do mercado brasileiro neste ano e o consenso foi de que o Ibovespa mostra uma tendência de alta, mas tem "resistências" (pontos de pico anteriores) que precisam ser rompidos para permitir uma evolução maior.Entre diversos tipos de gráficos, o mais popular é o que utiliza os valores mínimos, máximos e de fechamento de determinado índice ou papel, formando barras verticais, que podem ser cheias ou vazias, coloridas, para indicar queda ou alta (no exemplo acima, as barras verdes mostram que o valor subiu e as vermelhas mostram perdas). Podem ser utilizados gráficos que mostram as variações de hora em hora, dia a dia, até de anos e décadas.Basicamente, são identificados pontos máximos (resistências) e mínimos (suportes) para traçar uma linha de tendência e assim projetar como o mercado vai se comportar - quando os preços estão próximos ao nível do suporte, os investidores tendem a comprar mais do que vender, podendo elevar o valor do papel, e quando estão próximos das resistências tendem a vender, provocando desvalorização. No entanto, essas tendências podem ser revertidas e o gráfico precisa ser analisado constantemente.De acordo com a observação de Régis Chinchila, da Gradual Investimentos, o Ibovespa apontou algumas mudanças de curto prazo ao longo de 2010, revertendo o avanço do final de 2009 em janeiro, com retomada de alta em março e nova queda até 57 mil pontos em abril. Desde junho, o gráfico apresenta um comportamento de elevação. "Trabalhamos dentro de um canal de alta, bem definido, com próximos objetivos em 71.800 pontos e principalmente a região de 75 mil pontos", afirma Chinchila (confira o gráfico na aba 'Fotos').Segundo Marcio Noronha, analista da Link Trade, o índice está entre a máxima histórica de 73.920 (alcançada em maio de 2008) e o suporte de 57.633 pontos (atingido em maio deste ano). "O rompimento de um desses extremos dará o tom do médio/longo prazo. Se ultrapassar a resistência de 73.920 deverá seguir em frente, num primeiro momento, rumo aos 90.000/95.000. Se penetrar o fundo de 57.633 deverá seguir caindo rumo aos 30.000 pontos. É mais provável que o rompimento se dê para cima", afirma Noronha (confira o gráfico na aba 'Fotos').Em alguns momentos, analistas montam figuras para mostrar comportamentos que se repetem constantemente nos gráficos. Angelo Larozi, da InvestBolsa/Spinelli, vê a formação de uma figura chamada "Ombro Cabeça Ombro Invertido", onde os "ombros" estão dentro dos dois círculos na mesma linha horizontal (ver imagem acima) e a cabeça é o círculo mais para baixo, como uma figura humana de cabeça para baixo.Dentro desta análise, o círculo mais à direita servirá de base para um novo ciclo do indicador, que deverá subir proporcionalmente ao tamanho da distância entre a última "cabeça" e o "ombro" mais à direita na figura. Com base na análise "Ombro Cabeça Ombro", Larozi acredita que a tendência agora é que o Ibovespa suba na mesma proporção que caiu, projetando 71.600 pontos para a próxima semana possivelmente.Análise Técnica x FundamentalistaEmbora seja relativamente recente no Brasil, a análise gráfica começou com os estudos de Charles Dow no final do século 19 - o jornalista foi um dos fundadores do Wall Street Journal e criador do índice Dow Jones da Bolsa de Nova York. De acordo com Noronha, estatísticas da última dos anos 1990 mostravam que 40% das decisões de compra e venda de ações nos EUA eram tomadas com base em análise técnica, enquanto no Japão a porcentagem atingia 60% e no Brasil apenas 4%.A mais utilizada por enquanto é a "fundamentalista", que leva em conta os resultados de balanço, perspectivas econômicas e uma serie de premissas para projetar um valor "alvo" para as ações da empresa. Os "grafistas" têm foco mais no curto e médio prazo, e seriam mais matemáticos do que interpretativos, enquanto as operações dos "fundamentalistas" seriam mais para médio e longo prazo, com um ingrediente subjetivo um pouco maior do analista. No entanto, a escolha de um ou de outra dependerá de sua própria estratégia.Atualmente, entre os analistas existe um pouco de tudo, desde os mais radicais, que só seguem um tipo de análise e falam de modo pejorativo da outra, até os que misturam as duas, como é o caso de Adriana Feijó, que atua no mercado há 6 anos e fundou o site Mulheres de Valor. "Procuro empresas sólidas, ou seja, com bons fundamentos e após a seleção espero para realizar uma entrada através de um ponto gráfico interessante. Para isso utilizo um gráfico de periodicidade mais longa", diz.Já para Noronha, o potencial de ganhos da análise técnica é superior. "Na análise fundamentalista você compra uma ação e permanece com ela até o momento em que ultrapassar o seu valor justo. Na análise técnica pode-se ganhar na mão e na contra mão, comprando-se quando a tendência é de alta e vendendo com aluguel de papel quando a tendência for de baixa. Ou seja, a análise fundamentalista só aproveita 50% do potencial de lucro que o mercado proporciona enquanto a análise técnica aproveita 100%", afirma.O "fundamentalista" José Valder Nogueira Junior, analista do banco Santander, defende seu método escolhido de análise e diz que o fluxo de notícias sobre determinada empresa pode funcionar como um "gatilho" para que a tendência apontada pelo analista ocorra de fato."A turma entra afoita para ganhar dinheiro logo, mas não é assim. É preciso namorar para depois pegar na mão. Não sai pegando, abraçando, beijando. Tem que ter disciplina com o objetivo do investimento. Pode olhar gráfico ou fundamento, mas o mais importante é seguir o fluxo de notícias sobre o papel, onde você encontra os catalisadores. Quanto mais educado o investidor está para tomar a decisão, mais certa ela tende a ser. Nos bancos de investimentos, os dois tipos de análise sempre andaram de mãos dadas. Tem mais fundamentalista porque o número de setores é muito maior", afirma Valder.Exatamente pela impossibilidade de conhecer profundamente todos os setores da economia é que Odir Andrade Aguiar, da Novinvest Corretora e sócio fundador da consultoria Doji Star Four, migrou para a análise técnica. "Como pode alguém entender de todos os ramos? Ou é superficial ou você vai ter conhecimento de um determinado setor. Não é viável, a não ser que seja para uma instituição que pode ter dezenas de analistas o tempo inteiro disponíveis", disse.Do mesmo modo, Noronha afirma que é preciso ter bom conhecimento de contabilidade para analisar os fundamentos de uma empresa e por este motivo a análise técnica seria mais fácil de ser compreendida pelos iniciantes. "Acho muito mais importante saber quando comprar do que o que comprar e, nesse sentido, a análise técnica dá um banho na fundamentalista. O principal erro dos principiantes, bem como dos veteranos, é a indisciplina na hora de encerrar uma operação quando ela não está evoluindo de acordo com o esperado", afirma.Para saber mais, diversas corretoras oferecem mini cursos gratuitos de apresentação e intensivos pagos para quem já decidiu por observar o mercado pelos gráficos - mesmo dentro da análise técnica, é possível utilizar diversas "linhas" para interpretação. "É importante que fique claro que não existe o certo ou o errado e sim a melhor estratégia para o perfil do investidor que está montando a sua carteira", afirmou Adriana.

Tags: análise, bovespa, economia

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