Jornal do Brasil

Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

Economia

Consumidores de remédios genéricos gastaram menos R$ 13 bi em 11 anos

Jornal do Brasil

Adriana Diniz, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - A lei que instituiu a Política de Medicamentos Genéricos no Brasil (Lei 9787/99) completa 11 anos em 2010 e o mercado de genéricos tem muitos motivos para comemorar. Com o crescimento 2,3 vezes acima da média do mercado farmacêutico total, em unidades vendidas em 2009, a indústria espera resultado ainda melhor este ano, com a previsão da perda de patente de pelo menos 25 remédios, entre eles o Líptor (para controle do colesterol, da Pfizer), o Diovan (destinado ao controle da pressão arterial, da Novartis) e o Viagra (para disfunção erétil, da Pfizer).

Só o Diovan, cuja a patente vence em fevereiro, tem um mercado de R$ 400 milhões. São medicamentos com monopólio total do mercado destaca o presidente do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais, Rilke Novato, acrescentando que a perda da patente estimula a concorrência, beneficiando o consumidor.

Segundo Odnir Finotti, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos), a participação do setor no mercado deve passar de 19,4% em unidades para 22% em 2010, um crescimento de 20%. O vencimento de patentes pode injetar ao mercado mais de R$ 800 milhões a partir deste ano , ressaltou.

De acordo com Finotti, os genéricos custam em média 50% menos que os remédios de referência e já proporcionaram economia de R$ 13,7 bilhões aos consumidores brasileiros desde sua criação, em 1999. Segundo Rilke Novato, a diferença entre os dois tipos de medicamentos pode chegar a 120%.

A aposentada Ana Lúcia Leite, que precisa comprar mais de 10 remédios diferentes para a mãe que sofre de Mal de Parkinson, a economia mensal com a substituição de medicamentos é de 176%. Alguns produtos de marca chegam a custar até de seis vezes mais que um genérico. Entre os que mais apresentam variação estão remédios de uso comum como o paracetamol, para alívio de dores em geral e a dimeticona, para combater a retenção de gases.

Se comprasse tudo da marca original, Ana Lúcia gastaria cerca de R$ 300, contra os cerca de R$ 100 que costuma paga nos genéricos. A economia, no entanto, poderia ser ainda maior. Os medicamentos específicos para o tratamento do Parkinson que são os mais caros não possuem genéricos ou semelhantes.

Só com esses remédios, a aposentada desembolso mais R$ 259,77. Ainda compro fraldas descartáveis e absorventes especiais. No total, gasto uns R$ 500 por mês só com farmácia detalha.

Há ainda, uma grande diferença de preço cobrado por um mesmo produto nas diferentes farmácias. Tenho que pesquisar bem e ver onde ganho melhor desconto. Às vezes compro uma parte em cada loja , conta Ana.

Uma pesquisa de preços realizada pelo Procon de São Paulo, no primeiro bimestre de 2010, confirma o depoimento da aposentada. O levantamento mostra que, seja na comparação entre lojas ou entre o medicamento de referência e o genérico equivalente ou similar, a variação de pode chegar a 1.400%.