Emprego: maior queda desde 2002
Carolina Eloy, Jornal do Brasil
RIO - O impacto da crise mundial levou à retração da produção das empresas que precisaram reduzir os estoques e adequar-se às novas demandas do mercado, destacam economistas. Com isso, o índice de ocupação da indústria acumulou retração de 5,3% em 2009 a maior queda desde o início da série, em 2002. Em dezembro, o nível de emprego do setor recuou 0,6%, segundo divulgou terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O emprego industrial mostrou sinais de recuperação a partir do segundo semestre de 2009. Os incentivos do governo ao consumo, com a redução de impostos e maior oferta de crédito, favoreceram o avanço dos postos de trabalho entre julho e novembro. O índice de ocupação acumulou expansão de 2,8% de julho a novembro,
Em dezembro de 2008, o governo anunciou o corte de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre veículos, para estimular a venda no mercado interno. Em abril de 2009, foi a vez dos eletrodomésticos de linha branca.
A coordenadora da pesquisa, Isabella Nunes, explica que o resultado negativo de dezembro pode retratar apenas uma acomodação das contratações, o que acontece depois de alguns meses de expansão. Isabella destacou que o número de horas pagas aumentou, o que sinaliza estabilidade e retomada das contratações.
O número de horas pagas aos trabalhadores da indústria manteve-se praticamente estável (-0,1%) em dezembro. Após seis expansões consecutivas, acumulando crescimento de 3,3% de junho a dezembro.
Com o aumento da produção, uma opção para os empresários é o pagamento de horas extras, para só depois contratar. Em junho, cresceram as horas pagas, e, no mês seguinte, aumentaram as contratações explicou Isabella.
Dos 18 setores pesquisados, apenas a indústria de papel e gráfica (7,2%) registrou ganho no contingente de trabalhadores em 2009. Entre os que assinalaram recuo, as perdas de maior impacto no resultado global vieram de meios de transporte (-9,8%), máquinas e equipamentos (-8,6%), vestuário (-7,9%), produtos de metal (-9,1%) e madeira (-16,8%).
Os setores que os empregos foram mais afetados eram os ligadas à exportação, disse o consultor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Silvio Sales. Para ele, as perspectivas para 2010 apontam recuperação no emprego e isso deve se refletir também no aumento da produção.
Olhando os últimos meses de 2009, a velocidade de crescimento dos investimentos está acima da produção industrial, o que deixa boas perspectivas para este ano analisa Sales.
O otimismo entre os industriais atingiu nível recorde em janeiro, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI): 68,7 pontos (em uma escala que vai de zero a 100) a maior taxa desde que o início do indicador, em 1999.
O consumo das famílias, crédito disponível em patamares elevados associados à confiança do consumidor incentivam a demanda doméstica o que deve puxar o crescimento nacional avalia André Perfeito, economista da Gradual Corretora.
Construção civil espera crescimento da atividade
As perspectivas para o setor de construção civil no início deste ano são de crescimento da atividade nos próximos seis meses, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), feita entre 4 e 22 de janeiro, com 283 empresas. A indústria de construção civil, que movimenta cerca de um quinto do Produto Interno Bruto (PIB), mostra expectativa de atividade para os próximos seis meses em 70,6 pontos.
O resultado considera o cenário marcado por ano eleitoral e de crescimento da economia. A metodologia da pesquisa marca os 50 pontos como o nível que divide a retração do desenvolvimento.
O (programa) Minha Casa Minha Vida é o grande vetor disso afirmou Carlos Martins, vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, parceira da CNI na sondagem. Ele se referiu ao programa lançado pelo governo no ano passado que prevê a construção de 1 milhão de moradias para famílias de baixa renda.
Segundo Martins, o plano beneficia uma parcela das construtoras dedicadas à área imobiliária, que responde por cerca de um terço do setor de construção civil, formado também pelas áreas de obras públicas dos prestadores de serviços.
O índice de expectativa de número de empregados nos próximos seis meses na construção civil ficou em 66,8 pontos, depois de encerrar o quarto trimestre de 2009 em nível acima dos três meses imediatamente anteriores, em 53,6.
As empresas deverão contratar trabalhadores nos próximos seis meses diante do nível do indicador de perspectiva de número de postos de trabalho, diz o relatório.
Com agências
