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Economia

Programas para funcionários fazem empresas economizar

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Marta Nogueira, Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Já foi o tempo em que grandes empresas esperavam seus funcionários adoecerem para se preocuparem com os custos decorrentes das faltas e da baixa produção. Hoje, já foi constatado que os gastos com plano médico, saúde e segurança ocupacional representam, depois da folha de pagamento, a segunda maior fonte de investimento na área de recursos humanos.

De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), foram gastos R$ 60 bilhões no Brasil com planos de operadoras em 2008. Cerca de 80% destas fontes de investimento vieram de planos coletivos empresariais e por adesão. Por causa deste alto índice, há uma crescente preocupação das empresas em evitar que os funcionários sejam vítimas de qualquer enfermidade, além de oferecer ambientes mais agradáveis e produtivos de se trabalhar.

A Phillips do Brasil, uma das pioneiras em implantação de programas de qualidade de vida, segurança ocupacional e saúde, revela que nos últimos sete anos, economizou cerca de R$ 8 milhões com estas ações.

Segundo a empresa de consultoria Mercer, um estudo global, realizado pela sua unidade de Portugal, indicou que 94% das empresas não eliminaram qualquer dos programas de saúde ou de benefício de grupo mesmo durante a recessão econômica (que começou com a falência do Banco Lehman Brothers, nos Estados Unidos, em outubro de 2008). A pesquisa, que ouviu 2.100 empresas, com operações em mais de 90 países, constatou ainda que a maioria das instituições intensificou estas ações a partir da crise.

A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) destaca que estas iniciativas começaram a aparecer no Brasil há 25 anos, quando surgiu a necessidade de evitar acidentes de trabalho e prevenir os problemas ligados a lesão por esforço repetitivo (LER).

Há no país cerca de 40 tipos de programas de medicina preventivos dentro de empresas como antitabagismo, antiestresse, alimentação saudável, exercícios físicos, rastreamento de doentes crônicos, dentre outros declarou Arlindo de Almeida, presidente da Abramge.

A Phillips do Brasil, que tem ao todo 4.763 funcionários, já promove campanhas internas há 25 anos. Em 2004, implantou o Mais Vida , de gestão integrada, com a empresa, foi em relação aos acidentes de trabalho, que começaram a cair ao ritmo de 25% ao ano.

Nós percebemos que cerca de 50% dos acidentes na empresa aconteciam com funcionários nos primeiros dias de volta das férias declarou o gerente de saúde e qualidade de vida da empresa, Renato Barreiros. Fizemos uma competição saudável e conseguimos reduzir, de uma média de 202 funcionários afastados em 2004, para 48 em 2008.

Outra das ações que obteve indicadores importantes foi Vida Assistida para doentes crônicos, criado em 2006. O plano médico, que, além de contemplar funcionários, inclui beneficiários do plano de pensão, gerou uma economia de R$ 4 milhões à companhia.

No momento em que oferecemos ao doente crônico um atendimento especializado e direcionado, evitamos que vá a diversos médicos à procura de soluções, trazendo custos para a Phillips e para ele mesmo disse Barreiros.

Antes de aderir ao programa, os 99 funcionários do primeiro grupo contemplado custaram para a empresa R$ 500 mil em 2004 e R$ 800 mil em 2005 (71% a mais). Já em 2006, quando começou a ação, os gastos subiram 18% e, em 2007, a alta foi de apenas 1%.

Fabrício Costa assistente de atendimento ao consumidor do departamento de iluminação, parou de fumar ao participar de um programa antitabagista. Com 26 anos, ele já havia tentando largar o vício várias vezes, mas não conseguia.

Eu fumava desde os 16 anos, e estava em um ritmo de 1,5 maço por dia. Procurei o programa da empresa e fiz um tratamento que durou cerca de 8 meses e, hoje, já estou há quase dois anos sem fumar declarou Costa Depois de largar o vício, ganhei 17 quilos e estou com o peso ideal. Reparei também que meu trabalho começou a render mais. Antes eu trabalhava pensando no cigarro.