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Economia

Celular vira máquina de cartão

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Raphael Zarko, Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Esqueça o pagamento em moeda, cheques e até mesmo no seu cartão de débito. Se estiver sem nenhum desses artifícios para pagar uma consulta de seu médico particular ou uma aula com seu personal trainning, basta digitar o número do seu cartão de crédito no celular do prestador de serviço. Esse tipo de transação ainda é pequeno no Brasil, mas é a novidade da vez no mercado. Segundo a Redecard, credenciadora dos cartões Mastercard, já são 13 mil downloads do programa que permite ao cliente comprar um produto ou pagar um serviço digitando o número de seu cartão de crédito no telefone celular de um profissional liberal.

Consultora da Natura, Fernanda Gonçalves Carneiro, de 34 anos, faz parte de um universo de cerca de 10 milhões de microempreendedores. Ela adotou o Foneshop Captura como é chamado o aparelho celular que pode fazer as transações de crédito.

Para mim é uma certeza de que vou receber, porque não tem problema do cheque voltar. As pessoas primeiro me perguntavam se era seguro, mas está sendo muito bem aceito conta ela.

Para o uso do serviço nas vendas, Fernanda paga mensalidades de até R$ 9,90, além de um percentual por cada negociação, da mesma forma que há custo pelo uso maquininhas de cartão nas lojas. Mas, segundo ela, as vantagens como a possibilidade de pagamento parcelado compensam.

Quem gastava R$ 50 por mês, passa a consumir R$ 100 por ter a possibilidade de parcelar. Está sendo um diferencial, assim garanto uma compra futura.

Segurança

Para a coordenadora da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Maria Inês Dolci, como em qualquer compra virtual, o consumidor precisa ter o cuidado com a forma com que vai passar os dados do cartão de crédito. No caso de compra fora de estabelecimento comercial, explica ela, o Código de Defesa do Consumidor prevê que o cliente tem até sete dias para desistir da aquisição.

Como não é uma venda normal, o consumidor precisa conhecer todas informações. Porque depois ele pode ter problemas para ter seu dinheiro de volta. Se cai no cartão de crédito e ele desiste, tem que pedir o cancelamento antes que chegue na fatura. Não podemos ir contra as inovações tecnológicas, mas a solução não pode virar problema diz, alertando que, por se tratar de uma modalidade nova de pagamento, o ideal é que a pessoa acompanhe se vai aparecer alguma reclamação em órgãos de defesa do consumidor.

Quanto à segurança das compras, a Redecard explica que o número do cartão de crédito não fica gravado no celular do vendedor. O diretor de Planejamento Estratégico da Redecard, Henrique Capdeville, diz que o consumidor pode identificar o celular habilitado por um adesivo e, de toda maneira, só vai conseguir fazer a compra se o celular estiver cadastrado no sistema da credenciadora.

É um sistema que facilita o vendedor a vender de porta em porta. Principalmente aos profissionais liberais, sendo que muitos deles já têm esse relacionamento com os clientes, então não facilita esse tipo de fraude. A ideia é você comprar do vendedor que você já conhece, ou pagar por um serviço, como de um fisioterapeuta, de um taxista - exemplifica o executivo. Capdeville informa que na próxima semana a Vivo também começa a comercializar aparelhos com o software

já embutido.

Outra empresa associada e que já recebe bastante pedidos de vendedores para usarem o Foneshop é a Avon, fabricante de cosméticos. Para o diretor de Inovação e Contact Center da empresa, Luiz Soares, uma novidade como essa é interessante porque alavanca as vendas.

Embora esteja no início, acreditamos que vá crescer muito. Na medida em que o consumidor procurar a forma de pagamento, os vendedores vão aderir também ao Foneshop. Um depende do outro aposta ele, que prevê crescimento do uso nos cerca de 1 milhão de revendedores da Avon.

Como funciona

O Foneshop permite ao cliente realizar o pagamento digitando o número do cartão de crédito no celular do vendedor.

Segurança

A empresa responsável garante que o sistema apaga o número do cartão imediatamente após a digitação e efetuação da compra.

Autônomos

Taxistas, médicos, encanadores, mecânicos, vendedores de produtos de beleza e outros profissionais liberais que contam com o programa no celular.

Utilização

O vendedor precisa baixar o software para seu celular. Até agora são cerca de 13 mil profissionais que dispõem da forma de cobrança.

Cuidados

Especialistas recomendam cautela para qualquer transação virtual. Compra fora de estabelecimento comercial tem até sete dias para desistência.

Lojistas em guerra contra administradoras

Intervir ou não, eis a questão. Não é exatamente esse o lema do governo, mas se dependesse da vontade dos lojistas somente com uma intervenção seria possível mexer no mercado de cartões. É o que defende Roque Pellizaro Júnior, presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), com base no relatório apresentado recentemente pelo Banco Central que mostrou a concentração das transações do setor pelas empresas Visanet e Redecard.

O duopólio é significativo e faz com que os custos fiquem extremamente elevados. O estudo do Banco Central é completo e mostra que as mesmas empresas não podem ser emissoras e ter as bandeiras ao mesmo tempo. A proposta do BC é disso ser quebrado e nós defendemos isso também. Evitaria acordos para elevar o preço diz o presidente da CNDL, que não acredita que possa haver alguma definição sobre o assunto até março de 2010.

Não queremos que a indústria de cartões quebre, apenas somos contra as distorções. Se acabar, acredito que em até dois anos possa haver reduções de custos de 5%, ou, em alguns casos de até 10%.

Mudanças

A adaptação das máquinas já existentes para receber todos cartões não geraria um custo extra, diz Roque, que também é a favor da ação. Para Carlos Sundfeld, professor da Escola de Direto da Fundação Getulio Vargas, com a lei existente não é possível o Banco Central modificar essa situação.

Se mudar, uma nova empresa não precisaria ter uma rede física de máquinas. O cliente já usaria o cartão em uma rede já instalada. Mas o Banco Central não pode impor isso, precisa ser aprovada uma nova lei para essa regulamentação.

Outra questão polêmica que os lojistas defendem diz respeito à proposta de diferenciação de preços para o pagamento à vista e no cartão.

São compras diferentes. A lei não pode comparar coisas que não são iguais afirma o presidente da CNDL, sugerindo a revogação de uma portaria de 1994 do Ministério da Fazenda, que impede pagamento diferenciado para compras em dinheiro e cartão de crédito.

Para o representante dos lojistas, a demora no recebimento do dinheiro também prejudica o consumidor no fim da cadeia

No mundo, recebem apenas dois depois. Aqui são 30 dias.