Petrobras diz que bloco no Irã é inviável comercialmente
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RIO DE JANEIRO - A Petrobras vai declarar a inviabilidade comercial do bloco de Tusan, no Irã, que começou a ser explorado pela estatal brasileira em 2004 e no qual a empresa investiu cerca de US$ 100 milhões, informou o diretor da área internacional da companhia, Jorge Zelada.
- Nós tínhamos compromisso de atividade exploratória e o resultado é esse: não há viabilidade comercial -afirmou o diretor nesta sexta-feira. Segundo Zelada, a reserva encontrada é pequena, inviabilizando a produção. Mas ele descartou abandonar as atividades naquele país.
- E como já temos presença no Irã, um escritório lá, estamos atentos a alguma oportunidade - disse. Outra desistência por motivos técnicos foi a da entrada na exploração no mar Cáspio, a convite também do governo do Irã, em 2004. Estudos revelaram maior existência de gás natural do que petróleo.
- A equipe avaliou que teria probabilidade mais de gás do que de petróleo, e não tinha a infraestrutura adequada, não era o nosso foco - explicou o executivo.
A propósito, os investimentos no pré-sal brasileiro são o principal foco da empresa, o que resultou em um plano de negócios 2009-2013 praticamente estável para a área internacional. Até 2013, Zelada terá orçamento de US$ 16,5 bilhões, nem 10% dos US$ 174,4 bilhões do plano total.
- A prioridade é a gestão de portfólio, podemos trocar alguma posição de um lugar por outro (em blocos), mas coisas novas que podem aparecer estariam ligadas à nossa estratégia de gás, junto com a área de gás doméstico - informou.
- Um acesso a reservas de gás, uma participação em algum projeto de GNL (Gás Natural Liquefeito) no exterior - adicionou, ressaltando que no momento "nada está sendo conversado, mas faz parte da estratégica da Petrobras para dar mais flexibilidade ao setor de gás da companhia".
Refino
Além da concentração em projetos internos por conta do pré-sal, as mudanças no setor do petróleo com a queda acentuada de preço (em relação ao recorde de 2008) estão levando à revisão do plano de duplicar a capacidade da refinaria de Pasadena, em Houston (EUA).
A unidade era dividida com a americana Astra, que recorreu a uma câmara arbitral para vender sua parte por divergências em relação aos planos da Petrobras de ampliar a refinaria em um momento em que o petróleo atingia quase US$ 150 o barril.
- Na época que foi comprada tinha um outro cenário, mas continuamos estudando o assunto... duplicar não acho que é muito provável não - afirmou, explicando que os estudos apontam mais para a adequação da refinaria, tanto para o petróleo nacional como o que será produzido no Golfo do México.
Em meados do próximo ano a Petrobras inicia a produção nos campos de Chinook e Cascade, que terão um único sistema de produção e inauguram o uso de plataformas flutuantes na região.
A empresa teve que conseguir autorização das autoridades americanas para instalar a unidade. No final do ano, a plataforma com capacidade para produzir 80 mil barris diários de petróleo chega aos campos da Petrobras nos EUA. A produção vai se somar aos 235 mil barris diários produzidos no exterior.
- Vamos colocar três poços em produção e testar o reservatório. A partir de novas informações veremos a continuidade dos projetos - disse o executivo referindo-se a centenas de blocos que a estatal possui na parte americana do Golfo do México.
China
Já a China, país que recentemente fechou acordos com a companhia na área de financiamento e de comercialização, terá que esperar mais um pouco para ver operações exploratórias da Petrobras na sua costa.
- Na China não tem atividade de exploração, não é um assunto que se desenvolveu... não temos hoje em andamento estudos para desenvolver atividade exploratória na China, mas sempre pode surgir uma oportunidade, faz parte da gestão do portfólio - disse.
Na Ásia, a empresa também avalia o futuro da refinaria Nansei Sekiyu (Japão), cujo controle foi assumido no ano passado. Inicialmente os planos eram de modernização, mas agora a empresa avalia se pode criar uma maior capacidade de tancagem, para associar o projeto de exportação de etanol da Petrobras para o Japão.
- Existe um estudo para definir se vai converter a unidade para processar outro tipo de petróleo ou investir numa capacidade maior de tancagem - disse o executivo, informando que o espaço para ampliação da unidade é restrito.
