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Economia

Mercado: saldo estrangeiro volta ao negativo

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DA REDAÇÃO - Os investidores estrangeiros tiraram mais de R$ 1 bilhão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ao longo de todo o mês de junho. A saída de R$ 1,093 bilhão foi o primeiro saldo negativo depois de quatro meses em que as compras de ações superaram as vendas, com destaque para o resultado histórico de maio, de R$ 6,08 bilhões.

Em junho, as vendas de ações por não-residentes atingiram a casa dos R$ 41,543 bilhões, uma diferença de R$ 1,093 bilhão sobre o total de ações compradas no mesmo período. O saldo continua positivo no semestre, em R$ 10,107 bilhões.

Os estrangeiros respondem por 35% do volume de negócios mensal da Bolsa brasileira. A recuperação do Ibovespa, o termômetro dos negócios, que saltou do patamar dos 37 mil para os 51 mil pontos em seis meses, é em grande parte atribuída ao fluxo de capital estrangeiro.

Realização de lucros

Analistas afirmam que a fuga dos estrangeiros se deve a um movimento massivo de realização de lucros, no jargão do mercado. Como a Bolsa subiu muito rápido e com muita força, vários investidores optaram por vender os papéis que mais valorizaram, ou que ficaram caros demais, e embolsarem os ganhos do período.

Colaborou para esse movimento as incertezas sobre a economia global. Embora tenha se consolidado entre economistas a percepção de que a pior fase da crise mundial já passou, há muitas dúvidas sobre o ritmo de saída dos países do "buraco" da recessão.

Maior economia do planeta, os EUA observaram vários setores de sua economia pararem de piorar , mas o quadro geral ainda é frágil no mês passado, O país perdeu 467 mil postos de trabalho, e a taxa de desemprego chegou a 9,5%, contra 9,4% em maio.

Leve queda no pregão sexta-feira.

Em um dia de poucos negócios, a Bovespa fechou o pregão de sexta-feira com leve desvalorização. O Ibovespa registrou baixa de 0,18%, aos 50.934 pontos. Na semana, o índice acumulou perdas de 1,07%.

Durante todo o pregão, a Bovespa trabalhou muito perto da estabilidade, sem referência do mercado americano, uma vez que um feriado nos Estados Unidos deixou o pregão doméstico sem seu principal referencial.

O mercado brasileiro acompanhou o clima morno e a baixa liquidez dos pregões da Ásia e da Europa. Além de retirar liquidez dos demais mercados, o feriado esvazia a pauta de indicadores americanos.

Entre os números conhecidos pela manhã na Europa, as vendas no varejo da zona do euro recuaram 0,4% em maio ante abril (na comparação anual, a queda foi de 3,3%), enquanto vários índices do setor de serviços da região apresentaram ligeira piora em junho.

Sem o mercado americano, quase não há mercado. E a isso soma-se o fato de ser uma sexta-feira resumiu o diretor de renda variável de uma corretora em São Paulo, ao explicar a apatia nos negócios.

O operador de outra corretora na capital paulista afirmou que a ausência de negócios nas bolsas de Nova York não necessariamente afasta o estrangeiro do pregão brasileira, mas afeta a liquidez gerada pelas operações de arbitragem com os recibos de ações brasileiras.