BEA: sensores do 447 não foram causa primordial da queda
Jornal do Brasil
BRASÍLIA - Os investigadores do BEA (Escritório francês de Investigação e Análise) afirmaram quinta-feira, em Paris, ao divulgarem relatório inicial sobre as investigações das causas do acidente com o avião da Air France que fazia o voo 447 e caiu no oceano Atlântico no dia 31 de maio, que os sensores de velocidade foram um fator, mas não a causa primordial para a queda da aeronave. De acordo com Alain Bouillard, que lidera as investigações, os sensores externos de velocidade, chamados tubos Pitot, são um elemento, mas não a causa do acidente.
Mensagens automáticas emitidas pela aeronave indicam que o avião estava recebendo informações equivocadas sobre velocidade desses equipamentos, o que poderia desestabilizar os sistemas de controle da aeronave. Especialistas sugerem que os tubos podem ter congelado.
Outra conclusão do relatório é a de que o avião da Air France não se partiu em voo, e sim caiu de forma vertical na água. Segundo o documento, a deformação no assoalho do avião mostra que a aeronave tocou na água ainda inteiro e com muita velocidade. Além disso, todas as prateleiras e suportes também foram empurrados para o fundo .
O relatório do BEA menciona também que os pilotos do Airbus tentaram, por três vezes, fazer contato com um sistema de dados do controle de tráfego aéreo de Dakar, no Senegal. Segundo Bouillard, Dakar não chegou a receber oficialmente dos controladores de tráfego aéreo do Brasil o plano de voo do Airbus.
Isso não é normal afirmou. O responsável pelas investigações também afirmou que um dos focos da apuração de agora em diante será descobrir o motivo pelo qual se passaram seis horas do desaparecimento da aeronave até que fosse emitido o primeiro sinal de emergência. Bouillard ainda afirmou que coletes salva-vidas encontrados entre os destroços do avião não estavam acionados. Segundo o investigador, desde 6 de junho foram encontrados 640 elementos do avião.
Outro conclusão do BEA, já adiantada por especialistas que interpretaram o acidente, foi a de que o avião estava impossibilitado de voar por meio do sistema de piloto automático no momento da queda. Ou seja, o sistema de piloto automático não estava recebendo informações sobre velocidade, vento ou direção.
Air France
Em nota divulgada após o relatório preliminar do BEA, a Air France informou que assim como as famílias está ansiosa para entender melhor as circunstâncias desta tragédia. A empresa agradece também as autoridades francesas que continuam nas buscas e as equipes brasileiras. De acordo com a empresa aérea, todos os pontos levantados pelo BEA serão levados em consideração pela Air France no que diz respeito à eventual adoção de alguma medida de segurança. A Air France ressaltou ainda a importância de que sejam encontradas as caixas-pretas. A empresa pede para que não sejam poupados esforços para este fim. (Com agências)
