Bolsa encerra ano nos patamares de 2006
No ano, a desvalorização da praça acionária doméstica é de 41,22%. Mas, se considerarmos a pontuação máxima de 2008, 73.516 pontos atingidos logo após o primeiro grau de investimento (em 20 de maio), a derrocada é ainda maior: 48,9%.
"Com a perspectiva de piora econômica de países desenvolvidos e emergentes, não há razões para imaginar que o mercado de capitais brasileiro se recupere em 2009, seja pela emissão de ações, seja pela volta dos investidores estrangeiros", afirma Celso Grisi, diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Fractal e professor da USP.
Até a quebra Lehman Brothers, em setembro, muitos agentes de mercados, inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acreditavam que a crise não passaria de uma "marola" para o Brasil. No entanto, desde então, os bancos norte-americanos, europeus e até asiáticos se mostraram frágeis e mais atingidos do que muitos imaginavam. Para não haver uma quebra sistêmica, BCs e governos passaram a atuar de forma agressiva, a fim de salvar suas economias.
A explosão nos preços das commodities, que até então tinham levado o Brasil a um patamar de destaque, causou o efeito inverso em um ambiente de maior aversão a riscos. Apenas para ilustrar este cenário, de janeiro ao final de setembro, a bolsa brasileira havia marcado desvalorização de 22,45%. Já do início de outubro até o dia 26 de dezembro, a queda do Ibovespa foi de 25,97%.
"A dinâmica do crescimento mundial foi afetada e as economias avançadas rapidamente se encontraram em recessão. Medidas coordenadas e fora de cogitação meses antes, foram adotadas. A depressão foi evitada, mas sérios danos ficaram", segundo relatório elaborado pela Ativa Corretora.
Sem a perspectiva de melhora, diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Fractal acredita que o Ibovespa deve ficar entre 30 mil e 40 mil pontos.
Já o target bottom-up da Ativa Corretora para o Ibovespa é de 61 mil pontos para dezembro de 2009, considerando o cenário-base. Já as premissas do cenário pessimista apontam para uma projeção de 55 mil pontos para o mesmo período.
"Observamos que, diante da redução da liquidez e do enorme grau de incerteza sobre o futuro próximo, levando à dificuldade de precificação de ativos, uma forte contração da economia ainda não está inserida nos modelos de avaliação".
(Vanessa Correia - InvestNews)

