BCs atuam para evitar efeitos da crise mundial
O Banco do Japão (BoJ, central) foi o que promoveu mais atuações entre as principais economias da Ásia. No entanto, grande parte das medidas anunciadas pelo BoJ foram feitas apenas nos últimos três meses do ano, principalmente devido à deterioração do cenário econômico mundial.
Desde a falência do banco norte-americano Lehman Brothers no dia 15 de setembro, o banco central japonês promoveu mais de 20 injeções de liquidez para controlar a instabilidade no mercado local. Em apenas 19 dias úteis consecutivos, a autoridade monetária nipônica aplicou quase 36 trilhões de ienes no sistema financeiro.
Neste ano de 2009, a autoridade monetária japonesa começará a emprestar fundos, sem limite, para instituições financeiras, cobrando a taxa de juro do overnight e aceitando dívidas corporativas como colateral. Desde 9 de dezembro, o BoJ já aceita títulos com classificação mais baixa (BBB).
Medidas similares já foram adotadas pela autoridade monetária nipônica entre dezembro de 1998 e abril de 1999, quando o Japão vivenciou uma crise no sistema bancário e muitas companhias sofreram com a falta de liquidez nos mercados.
"O sistema financeiro japonês já não corre grandes riscos, pois passou por um processo de saneamento ao longo da última década. A ação do BoJ nos últimos meses garantirá que o setor bancário possa resistir ao atual período de crise", afirma Alcides Leite, professor e economista da Trevisan Escola de Negócios.
Filipe Albert, economista da Tendências Consultoria, também acredita que não apenas o BoJ, assim como outros bancos centrais ao redor do mundo, continuarão a injetar liquidez no mercado local. "No caso do Japão, a autoridade monetária deverá aproveitar as grandes reservas estrangeiras, que já ultrapassam US$ 1 trilhão, para garantir a estabilidade no sistema interbancário".
(Marcel Salim - InvestNews)

