Jornal do Brasil

Economia

BCs atuam para evitar efeitos da crise mundial

Investimentos e Notícias
SÃO PAULO, 2 de janeiro de 2009 - Os bancos centrais da Ásia, em uma ação coordenada inédita com autoridades monetárias de todo o mundo, atuaram em 2008 para minimizar os efeitos da crise mundial sobre suas economias. Injeções de liquidez foram feitas para facilitar as condições de empréstimos, além de cortes de juros para estimular o consumo. Apesar dos esforços, alguns países da região não conseguiram evitar a recessão.

O Banco do Japão (BoJ, central) foi o que promoveu mais atuações entre as principais economias da Ásia. No entanto, grande parte das medidas anunciadas pelo BoJ foram feitas apenas nos últimos três meses do ano, principalmente devido à deterioração do cenário econômico mundial.

Desde a falência do banco norte-americano Lehman Brothers no dia 15 de setembro, o banco central japonês promoveu mais de 20 injeções de liquidez para controlar a instabilidade no mercado local. Em apenas 19 dias úteis consecutivos, a autoridade monetária nipônica aplicou quase 36 trilhões de ienes no sistema financeiro.

Neste ano de 2009, a autoridade monetária japonesa começará a emprestar fundos, sem limite, para instituições financeiras, cobrando a taxa de juro do overnight e aceitando dívidas corporativas como colateral. Desde 9 de dezembro, o BoJ já aceita títulos com classificação mais baixa (BBB).

Medidas similares já foram adotadas pela autoridade monetária nipônica entre dezembro de 1998 e abril de 1999, quando o Japão vivenciou uma crise no sistema bancário e muitas companhias sofreram com a falta de liquidez nos mercados.

"O sistema financeiro japonês já não corre grandes riscos, pois passou por um processo de saneamento ao longo da última década. A ação do BoJ nos últimos meses garantirá que o setor bancário possa resistir ao atual período de crise", afirma Alcides Leite, professor e economista da Trevisan Escola de Negócios.

Filipe Albert, economista da Tendências Consultoria, também acredita que não apenas o BoJ, assim como outros bancos centrais ao redor do mundo, continuarão a injetar liquidez no mercado local. "No caso do Japão, a autoridade monetária deverá aproveitar as grandes reservas estrangeiras, que já ultrapassam US$ 1 trilhão, para garantir a estabilidade no sistema interbancário".

(Marcel Salim - InvestNews)