Jornal do Brasil

Economia

Ações foram menos rentáveis que indústria

Investimentos e Notícias
SÃO PAULO, 2 de janeiro de 2009 - Se por um lado 2008 foi um ano positivo para o mercado imobiliário, que viu as vendas explodirem, por outro não foi tão bom para quem investiu nas empresas do setor listadas em bolsa. Em 2008, a média da rentabilidade (variação percentual da cotação ajustada aos proventos) das 44 companhias ligadas ao setor com capital aberto caiu 41,22% em relação ao ano anterior. Segundo a pesquisadora do Núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da USP, Carolina Gregório, o desempenho negativo se deve a falta de maturidade do segmento.

"Não se trata de imaturidade do mercado acionário, mas sim de uma oportunidade que as empresas vislumbraram, em função do momento de alta liquidez global e da atratividade dos investimentos do Brasil (função das taxas de juros praticadas e da maior estabilidade econômica). As empresas aproveitaram as boas condições macroeconômicas e lançaram suas ações nesse cenário", disse ela, destacando que 75% do volume captado vieram de investidores estrangeiros.

No entanto, de acordo com diretor da Brazilian Securities, Fernando Cruz, a crise financeira internacional afastou o capital externo fazendo que os papéis despencassem, contribuindo para que as companhias se desfizessem de terrenos para ter capital de giro e dar continuidade aos projetos. "Ainda em 2009 faltará dinheiro para as construtoras lançarem todos os empreendimentos previstos. Para ampliar caixa, as grandes empresas podem se desfazer de terrenos, mas não vão alterar significativamente os valores dos lançamentos, já que estes são mais lucrativos", disse Cruz.

Diante desse cenário, o professor de governança corporativa da Trevisan Escola de Negócios, Roberto Gonzalez, acredita que o investidor deve considerar fatores macroeconômicos e agir com cautela. "O mercado acionário brasileiro enfrenta uma período de volatilidade e incertezas em relação às commodities, a crise do sistema bancário mundial e também na política, já que não é possível ainda ter claro qual será a agenda do novo governo da principal potencia do mundo a partir do ano que vem", avalia Gonzalez.

Carolina conta que entre 15 ofertas de ações selecionadas, apenas duas tiveram retorno sobre investimento em torno de 25%, enquanto o restante ficou abaixo de 8% - taxa setorial para investimentos de longo prazo de maturação, como edifícios de escritório. "Isso significa que as ofertas foram colocadas na condição overpriced (supervalorizadas), quando analisamos a capacidade de geração de renda a partir dos desempenhos históricos das empresas. Assim, é mais rentável investir em um edifício de escritório do que em ações", disse.

Para o professor, apesar de não existir fundamentos sólidos, as ações que estão baratas podem cair ainda mais. "Um bom momento para comprar ações é quando o Ibovespa atinge 50 mil pontos", conclui.

(Vanessa Stecanella - InvestNews)