Jornal do Brasil

Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

Cardeal Orani Tempesta

Viver a caridade fraterna

Após ter percorrido a Arquidiocese com a imagem peregrina de São Sebastião e celebrado solenemente o nosso padroeiro, iniciamos o Ano da Caridade. No ano passado foi o Ano da Fé e no próximo ano será o Ano da Esperança, conforme o nosso 11º Plano Arquidiocesano de Pastoral.

A vivência deste ano deve nos ajudar para que a nossa cidade e o mundo sejam mais humanos, solidários e fraternos. Amar o próximo por causa do Senhor revoluciona a sociedade. Iremos viver e aprofundar a caridade social e a defesa da vida, alicerçados no anúncio de que Jesus nos fala, do amor ao próximo.

No próximo ano, ao comemorarmos os 450 anos da cidade do Rio de Janeiro, queremos nos preparar para presentear a cidade com o nosso testemunho de “amor ao próximo”, que muda o relacionamento entre as pessoas. Somos chamados a nos empenhar, como cristãos batizados, para que possamos testemunhar o amor ao próximo. Vimos que isso foi possível no ano que passou, durante a JMJ, que, em meio a tantas dificuldades, grupos intolerantes, violentos e fanáticos, o amor ao próximo se vivenciou e transpareceu em tudo que a “revolução do amor” a tudo superou. Somos chamados a viver o amor ao próximo nas pequenas e grandes coisas de nossa vida.

Vamos focar nosso trabalho pastoral no Ano da Caridade. Ele começou na Festa de São Sebastião e irá até a “Festa da Unidade” da Arquidiocese, a ser celebrada justamente na festa de Cristo Rei. Isso deve acontecer como um grande aprofundamento daquilo que devemos viver sempre, pois o amor permanecerá para sempre. Somos chamados a viver e a aprofundar esta virtude teologal, na simplicidade e abertura à graça santificante.

Caridade é, também, procurar as pessoas que são chamadas a buscar Jesus como libertador. No final das primeiras semanas do Tempo Comum, no início da Sua vida pública, Jesus começa a chamar os seus primeiros discípulos. E chamando os escolhidos para segui-Lo, o Redentor vai anunciando a boa-notícia.

Jesus chama Levi, sentado na coletoria de impostos, lugar de pessoas não bem-quistas para a nação dominadora. Jesus passa e chama as pessoas para segui-Lo aonde quer que estejam. Nosso Senhor, como chamou André, Tiago e Pedro, também chamou Levi, de onde ele estava. Jesus veio para buscar o que estava perdido; Jesus veio buscar os pecadores; Jesus senta-se à mesa com os piores de Israel. A dimensão que Jesus nos aponta é ir anunciar às pessoas, independentemente de serem santas ou pecadoras, a boa-notícia, levar o Evangelho, como lembra o Papa, levar a todos a “Alegria do Evangelho”. A Igreja, nestes tempos, deve ser a portadora da boa-notícia para as pessoas, que leva a libertação e a vida nova.

A Igreja, como lembrou o Papa Francisco em sua entrevista, pode ser comparada a um hospital de campanha: necessita levar às pessoas as curas, o perdão, o recomeçar, para que experimentem na hora da guerra, dos sofrimentos, pela conversão, pela boa-notícia, e depois de acolhidas e curadas comecem a aprofundar a sua fé e ter um novo comportamento, mudando de vida.

A caridade, além dos trabalhos sociais, além da defesa da vida, consiste no fato de amar o próximo, significa ir ao encontro da pessoa, de levar uma boa notícia, de tanto que Deus a ama, de tanto que Deus a acolhe, a viver a acolhida.

O mundo necessita de pessoas, comunidades, capelas, igrejas que tenham este anúncio feliz da boa-notícia, que se comprometem com as pessoas, que levem as pessoas a viverem com o Senhor pelo seu sim, que vai conduzindo a sua transformação da vida.

A grande missão popular durante os treze dias preparando a festa de São Sebastião, que deu a vida pela sua fé, pelo martírio, significa o nosso empenho público e evangelizador para que possamos atingir as pessoas que têm sede, fome de uma palavra que seja uma boa notícia, que leva a alegria, para que possamos aderir a Cristo Ressuscitado, vivo em nosso meio.

Neste ano, pela experiência marcante da JMJ, que nos ensinou que é possível estar unidos, a unidade de todos na acolhida, o respeito pelos intolerantes, a vivência da caridade, de poder ser um sinal em que nós propomos uma nova vida e uma nova sociedade, que nasce do amor de Deus em nosso coração.

A Palavra de Deus espera uma resposta generosa para que na nossa cidade e no Brasil tenhamos a convicção de que a caridade, através de atitudes, passos e ações, com corações abertos para seguir o Senhor, deixa a nossa vida ser transformada pela ação do Cristo Jesus.

*Dom Orani João Tempesta é arcebispo do Rio de Janeiro

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