Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Cardeal Orani Tempesta

Uma luz em nosso caminho

Dom Orani Tempesta

Dentro do tempo do Natal, uma bela festa que em outras culturas é celebrada com muita solenidade é a Epifania do Senhor. É festa da universalidade da salvação. Jesus nasceu para todos! O nome Jesus significa "Deus salva". O menino nascido da Virgem Maria é chamado "Jesus", "porque salvará o seu povo dos seus pecados" (Mt 1, 21); não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos"(At 4,12).

A Solenidade da Epifania é mistério de luz, indicada pela estrela que guiou a viagem dos Magos. Mas a verdadeira fonte luminosa, "que das alturas nos visita como sol nascente" (Lc 1,78), é Cristo. No mistério do Natal, a luz de Cristo irradia-se sobre a terra. Ele é a luz do mundo!

A Virgem Maria e José são iluminados pela presença divina do Menino Jesus. A luz do Redentor manifesta-se depois aos pastores de Belém, os quais, avisados pelo anjo, vão imediatamente à gruta e nela encontram o "sinal" que lhes fora preanunciado: um menino envolvido em panos e colocado numa manjedoura (cf. Lc 2,12). 

Os pastores, juntamente com Maria e José, representam aquele "resto de Israel", os pobres, aos quais é anunciada a Boa Nova. O esplendor de Cristo, por fim, atinge os Magos, que constituem as primícias dos povos pagãos. Permanecem na penumbra os palácios do poder de Jerusalém, onde a notícia do nascimento do Messias é levada paradoxalmente pelos Magos, e não suscita alegria, mas temor e reações hostis. Misterioso desígnio divino: "a Luz veio ao mundo, e os homens preferiram as trevas à Luz, porque as suas obras eram más" (Jo 3, 1).

Anunciar e manifestar Cristo ao mundo é o grande desafio para todos os batizados. Muitos ainda não conheceram a Cristo e a milhares de milhares Cristo ainda não foi manifestado. Assim como somos guiados pela luz de uma estrela que Deus coloca em nosso caminho, também somos chamados a refletir esta luz para tantos irmãos e irmãs que necessitam ter suas vidas iluminadas.

Celebramos, assim, a manifestação de Cristo aos Magos, acontecimento a que Mateus dá grande relevo (cf. Mt 2, 1-12). O Evangelista São Mateus narra no seu Evangelho que alguns "Magos" chegaram a Jerusalém guiados por uma "estrela".

O Rei Herodes permaneceu muito perturbado com a notícia e concebeu o trágico desígnio do "massacre dos inocentes" para eliminar o rival acabado de nascer. 

Os Magos, ao contrário, confiaram nas Sagradas Escrituras, sobretudo na Profecia de Miquéias, segundo a qual o Messias teria nascido em Belém, a cidade de David, situada a cerca de dez quilômetros a sul de Jerusalém (cf. Mq 5, 1). Tendo partido naquela direção, viram de novo a estrela e, cheios de alegria, seguiram-na até quando ela parou sobre uma cabana. 

Entraram e encontraram o Menino com Maria; prostraram-se diante d'Ele e, como homenagem à sua dignidade real, ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra.

Esta narrativa real da Epifania é magnificamente importante porque neste fato é anunciado o chamado a todos os povos à fé em Cristo, segundo a promessa feita por Deus a Abraão, sobre a qual se refere o Livro do Gênesis: "Todas as famílias da Terra serão em ti abençoadas" (Gn 12, 3). 

Portanto, se Maria, José e os pastores de Belém representam o povo de Israel que acolheu o Senhor, os Magos são as primícias das Nações, chamadas também elas a fazer parte da Igreja, novo povo de Deus, baseado unicamente na fé comum em Jesus, Filho de Deus. A Epifania de Cristo é ao mesmo tempo Epifania da Igreja, isto é, manifestação da sua vocação e missão universal, ou seja, católica.

A festa da Epifania nos convida a seguir o exemplo dos reis Magos, que, guiados pela estrela, seguiram à procura do Menino, Salvador da humanidade. Agora, Este mesmo Jesus está se revelando para cada um de nós.

O poder e a realeza de Deus estavam presentes no mundo através de uma criança aparentemente frágil, porém toda poderosa. E os reis Magos sabiam disso. 

Hoje nós somos convidados a oferecer o que temos de mais precioso: a nossa fé para que Cristo seja testemunhado, vivido e manifestado ao mundo. Não tenhamos medo de abrir nossos corações para Cristo. Sejamos, portanto, discípulos-missionários a testemunhar Jesus Cristo, com a vida e nossa ação pastoral, no mundo em que vivemos.

† Orani João Tempesta, O. Cist. 

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Tags: arcebispo, Artigo, coluna, JB, orani, Rio

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