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- Valéria Reis
PORTO ALEGRE - O ginásio Gigantinho, na capital gaúcha, lotou para assistir o discurso do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que foi ovacionado pelos presentes. Chávez citou o amigo Ignácio Romanet, que o vê como ''um novo tipo''.
''Temos nos inspirado em velhos tipos. Um deles é Jesus Cristo, que, em 20 séculos, foi um dos maiores lutadores antiimperialistas. Ele foi redentor dos pobres e o maior líder revolucionário deste mundo''.
Chávez lembrou daquele ''tipo'' que foi à Sierra Maestra: o Comandante Che Guevara. E começou a cantar: ''Comandante Che Guevara caminhando por vales e montanhas. Para sempre tua imagem guerrilheira''. Com isso, a platéia veio abaixo.
O presidente citou ainda ''velhos tipos'', como Osmar Torillo, presidente do Panamá; e Luiz Carlos Prestes, o ''Cavalheiro da Esperança''. Lembrou do ''tipo barbudo'' que se chama Fidel Castro, como ''um velho tipo que fraturou o joelho em oito pedaços e anda sem problemas. Citou ainda Artigas, San Martin, Emílio Zapata e outros não menos famosos.
''Em todos eles nos inspiramos, pois souberam amar e assumiram o compromisso. Agora os entendo, pois temos que assumir esse compromisso'', enfatizou. Chávez disse ainda que os imperialistas sempre foram bestiais, aberrantes, perversos e salientou que ''esses velhos tipos voltaram conosco''.
E agradeceu o convite do Comitê Internacional do Fórum Social Mundial. ''Como disse há dois anos aqui em Porto Alegre, este Fórum é o de maior importância que ocorre no mundo. Não há outro de tal magnitude. Estou aqui junto com meus companheiros e camaradas para aprender, e para acumular mais amor e conhecimento. Estou aberto à todas as experiências que ocorrem no mundo. O FSM é uma sólida plataforma de debates dos excluídos e dos que não têm voz, que vêm aqui protestar, ter esperanças e buscar consensos'', declarou.
Hugo Chávez disse que a Venezuela foi atropelada pelo imperialismo nos últimos anos. ''Estou aqui por muitas coisas. Não estou aqui como presidente. Não sou presidente. Sou Hugo e estou cumprindo meu papel. Sou um soldado e um camponês comprometido com este projeto por um mundo melhor'', afirmou, se dizendo um militante da causa revolucionária e observando que o único caminho para romper com a hegemonia capitalista é pelo caminho da revolução. ''Não há outro caminho'', foi taxativo.
Chávez contou que é maoísta desde pequeno, o que ficou reforçado quando ingressou no exército. Também se disse bolivariano e lembrou ter recebido os escritos completos de Mao Tsé Tung do vice-presidente da China. Segundo ele, o primeiro capítulo tem uma nota vital para todo revolucionário: é imprescindível precisar bem quais são os amigos e quais são os inimigos. Disse que todas as revoluções da História que fracassaram foram mal-sucedidas porque os revolucionários ficaram agitados por paixões de momento.
Ao falar da dominação dos povos do Hemisfério Norte, Chávez lembrou o espírito revolucionário dos povos do Sul, citando o Rio Grande do Sul como principal exemplo. Mas fez questão de dizer que há revolucionários na Europa e também na América do Norte. ''Onde há mais consciência é no Sul do mundo. A maior força desatada é a do Sul, que agüentou os atropelos do Norte durante séculos. Para salvar o mundo, precisamos de muita coisa, entre elas, a consciência do Sul. Eles não se dão conta que o futuro do Norte depende do Sul'', afirmou, citando as declaração de um líder indígena a um jornalista: prefiro morrer lutando do que morrer de fome. Chávez disse que anda propondo essa idéia de uma luta mundial de verdade em reuniões de cúpulas.
O presidente venezuelano disse que seu país gasta 600 milhões de dólares por ano em bolsas de estudo. ''Esse dinheiro, que antes era roubado pelo imperialismo, agora está sendo redistribuído aos pobres. A saúde, a moradia e a educação são direitos fundamentais'', afirmou, observando que não se pode privatizar alguns setores e entregá-los à voracidade do capital privado, e citou Bolívar: ''Se quisermos ter uma pátria, é preciso paciência, constância e trabalho''.
Chávez disse ainda que imperialismo não é invencível e citou exemplos. ''Aí está o povo do Iraque resistindo. Cuba, há mais de 20 anos resiste. Aí está a Venezuela resistindo.'' Ele lembrou de fotógrafos que fazem cobertura no Iraque, que não querem entregar suas fontes e fotos e que são mortos. ''Isso é o signo de um poder que está enfraquecendo''. Chávez fez elogios ao amigo, o presidente Lula. ''Estou certo de que Lula, Tabaré e Nestor Kirchner abrirão caminho na América Latina'', completou Chávez.