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- Valéria Reis
PORTO ALEGRE - Para Chico Whitaker , um dos idealizadores do Fórum Social Mundial, fazer o FSM na África representa um desafio e será uma construção e iniciativa dos africanos. Membro da Comissão pela Justiça e Paz e da Comissão Internacional do Fórum, Whitaker informou que houve uma grande discussão em nível do Conselho Internacional antes de decidir pela realização do evento em 2007.
Em conversa com alguns jornalistas, ele disse que a partir de 2006, houve consenso dos membros do Conselho Internacional de promover eventos simultâneos em cada região do mundo, usando a mesma metodologia do FSM, ou seja, "criar espaços abertos de forma a reunir pessoas, fazendo interconexões através da Internet, mas será um fórum único mundial", explicou.
Conforme Whitaker , sobre o Fórum na África, já aconteceu uma reunião em Lusaka. Também, o comitê internacional reuniu-se com representantes africanos, dias antes de iniciar o FSM. Ele salienta que o continente foi mal dividido pelos colonizadores," o que acarretou dificuldades estruturais que têm que ser ultrapassadas", disse, acresentando que existe um problema sério de transportes dentro da África. Muitas vezes, é preciso ir até à Europa ou ao Sul do Continente, para poder chegar até o outro lado, além de outros problemas sérios, entre eles, a fome e a pobreza.
Disse ainda que o evento na África é um espaço que se abre para que as pessoas e organizações se encontrem e intecambiem propostas e experiências. O objetivo é que barreiras sejam superadas, para que bandeiras comuns sejam trabalhadas. "O que faz a força do FSM é o respeito pela adversidade. Fazer um documento para todos seria impraticável. Cada proposta reflete o trabalho e a luta de seus autores'', observou. "O Fórum é um espaço aberto à sociedade civil", destacou.
Já Oded Grajew, presidente do Instituto Ethos Social, um dos organizadores do Fórum, disse que globalização e desenvolvimento sustentável, "como tudo na vida, pode-se fazer de maneiras diferentes. Queremos a globalização do FSM. Sobre o fato da Prefeitura do PT ter perdido as eleições, Oded disse que isso não tem relação nenhuma com a decisão do CI. A iniciativa de descentralizar o evento e fazer na África, foi decidida pelo Conselho Internacional em reunião na Itália, em meados do ano passado.
Já Cândido Grzybowski, diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), do Comitê Organizador Brasileiro do FSM, disse que não está
descartado o fato do Fórum poder voltar a Porto Alegre depois de 2007. Segundo ele, isso vai depender da decisão das 130 organizações que formam o Conselho Internacional do FSM e que têm a missão de expandir mundialmente o processo. "Porto Alegre adquiriu uma marca inestimável, podendo promover atividades, e reflexões referentes ao Fórum''. Sérgio Haddad, do Conselho Internacional do FSM, afirmou que a saída do Fórum faz parte de um processo de "mundialização". Já Bernard Cassen, mebro do CI, diz que a cidade deve permanecer apenas como um ponto de referência.