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- Juliana Lanzarini
PORTO ALEGRE Cerca de 11 mil leitos foram reservados para alojamento alternativo dos participantes do Fórum Social Mundial. Espaços livres como escolas, ginásios, prédios desocupados e terrenos ociosos espalhados por toda a cidade foram adaptados para receber pessoas de todas as idades que foram à Porto Alegre para prestigiar o evento.
O alojamento é uma opção alternativa aqueles que não conseguiram uma vaga em estabelecimentos convencionais. O custo baixo da hospedagem é o maior atrativo.
De acordo com o escritório de turismo municipal da cidade, esse é o acontecimento que mais movimenta a região. "Esperamos receber 100 mil pessoas durante o FSM", estima a diretora de Marketing da empresa municipal Porto Alegre Turismo. "Quase 90% dos hotéis já estão lotados. Somente restam vagas em lugares mais simples", completa.
Karen Klein, responsável pelo projeto Hospedagem Alternativa, espera que até o término do Fórum mais quatro mil leitos sejam criados. "Se uma pessoa pode pagar somente R$ 10,00 pela diária, vamos encontrar um local dentro desse valor. Pode ser um espaço vazio onde os próprios hóspedes levem suas coisas, ou lugares completos, com quartos individuais e pensão completa", afirma Karen.
Alguns alojamentos, no entanto, não ficaram prontos até o início do evento. Paredes sem reboco, banheiros sem portas, água fria, locais distantes do evento e falta de higiene são comuns em alguns dos espaços que estão servindo de hospedagem para adolescentes, jovens e adultos do Brasil e do exterior.
A Fábrica Espaços Culturais, por exemplo, localizada na rua Voluntários da Pátria, 3.705, bairro dos Navegantes, encontra-se em péssimas condições. Segundo Maria Cecília Leão, 30 anos, que esteve no local na tarde do dia 25, o alojamento está em estado inadequado."Achei o local muito abandonado. Não tem a menor condição de alojar as pessoas", afirmou. A estudante contou estar decepcionada com o estado do local. " Não vale o preço de 15 reais por dia para estar numa fábrica abandonada, sem direito a cama ou colchonete", desabafou.
Luana de Oliveira, de 19 anos, conseguiu um outro local para se hospedar graças à colaboração de amigos, mas lamenta que muitos participantes do fórum tenham que permanecer em locais com péssima localização e falta de higiene. "No banheiro feminino havia uma imensa poça de água parada, um cano para tomar
banho gelado e uma janela panorâmica. Nos disseram que não conseguiram preparar o local a tempo. Eu acho que foi uma falta de respeito", contou a jovem.