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Edição 2004 - Fórum Social na Índia
Uma das maiores e mais antigas civilizações do mundo,
a Índia é um país que aprendeu a assimilar sucessivas
ondas de imigrações. Na maioria das vezes, os recém-chegados
se consideravam 'conquistadores", mas acabaram conquistados pela
terra que clamavam ser sua e se tornaram parte do povo indiano.
Apesar de se tratar da maior democracia do mundo
o mundo ainda vê a Índia como um país pobre
e subdesenvolvido, mas esse é apenas um aspecto de uma ampla
paisagem. Para ilustrar a efervescência da sociedade indiana,
pode ser citado, como uma conseqüência da pobreza e do
subdesenvolvimento, um vibrante e inquieto movimento de resistência
à globalização e aos paradigmas correntes de
desenvolvimento e imperialismo.
Mumbai, antes conhecida como Bombaim, é
uma cidade onde a luta de classes e a tradição na
militância continuou mesmo nos dias pós-independência.
Vários grupos sociais, castas, mulheres, movimentos anti-racismo
e que lutam contra o preconceito sexual são atuantes e pulsam
junto com a vibrante cidade.
Neste contexto, entre os dias 16 a 21 de janeiro
de 2004, aconteceu q quarta edição do Fórum
Social Mundial. O FSM - Mumbai
contou com a presença de 74.126 participantes, representados
por 1653 organizações de 117 países. Do total,
60.224 eram indianos. No Acampamento Intercontinental da Juventude,
foram registradas 2.723 inscrições.
Mais de 800 voluntários de 20 países
participaram do FSM 2004. No total,
houve 180 intérpretes e tradutores de Argentina, Brasil,
Índia, EUA, França, Espanha, Reino Unido, Bélgica,
Suíça, Sri Lanka, Tailândia, Indonésia,
Japão, Coréia e Palestina. Interpretação
e tradução foram providenciadas de graça durante
o Fórum por uma rede internacional chamada Babels. Quatro
ou cinco tradutores eram profissionais e o resto, estudantes.
Houve 13 línguas oficiais no FSM
- hindi, marathi, tamil, telugu, bengali, malayalam, espanhol, inglês,
francês, coreano, bahasa indonesia, tailandês e japonês.
A magnitude dos problemas sociais da Índia,
refletida nos imensos assentamentos precários ao redor de
Mumbai, de condições muito piores do que dos tugúrios
ou das favelas latino-americanas, comoveu os participantes estrangeiros.
A mesma precariedade das instalações em que foram
realizadas as atividades, muitas construídas apenas com paus
e panos em meio a sufocante poeira, realçou a urgência
e o gigantismo dos desafios que se opõem ao “outro
mundo possível” com que sonham os “altermundistas”,
como começam a ser chamados os ativistas do FSM.
O programa de atividades sob a responsabilidade
do Comitê Organizador Indiano apresentou 13 eventos em diferentes
formatos: painéis, mesas redondas, conferências e reuniões
públicas. Uma novidade na metodologia do processo FSM
foi a inclusão, no programa, de grandes atividades auto-geridas
pelas organizações inscritas no FSM,
como painéis, conferências e mesas redondas. No total,
foram organizados 35 eventos desse porte. Atividades auto-geridas
menores, como seminários, oficinas, reuniões, etc,
tiveram presença marcante no FSM:
houve 1.203 eventos.
Durante os seis dias do FSM,
mais de 1.500 artistas, poetas, dramaturgos, escritores e cineastas
participaram ativamente com seus trabalhos culturais. Foram apresentadas
150 peças de teatro de rua. Houve também um festival
de filmes com mais de 85 títulos sobre os principais temas
do FSM.
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