Serra prega união e austeridade

Wallace Nunes

SÃO PAULO - No primeiro pronunciamento como prefeito eleito de São Paulo, José Serra (PSDB), anunciou ontem que fará um governo de união e austeridade. Segundo ele, será um governo que buscará promover a união de todos, ''com destaque para as relações prefeitura-população e prefeitura-governo estadual''.

Serra explicou que austeridade não significa gastar menos, mas gastar melhor para atender principalmente à população mais carente. Nessa diretriz, reiterou que as ações administrativas deverão ser pautadas pelo planejamento e definição de prioridades. O tucano mandou um recado para os correligionários do PT.

- Espero governar o município sem a oposição do quanto pior melhor. O PT de São Paulo deve seguir o mesmo preceito de seu partido no plano nacional, ou seja, defender as causas de interesse da sociedade independente de quem está no comando da administração - pediu.

Ele afirmou que ainda não procurou nem foi procurado pela atual prefeitura de Marta Suplicy (PT) para iniciar o processo de transição. Na sua opinião, cabe à prefeita lançar essa ponte. Disse, no entanto, que, se não for procurado, ele mesmo vai ao encontro da atual gestão.

- A transição é uma oferta que cabe à Prefeitura fazer. Se a ponte do outro não vier, eu mesmo farei, mas espero que ela tome a iniciativa - lembrando que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tomou a mesma atitude quando Lula foi eleito.

Serra não adiantou nomes de seu secretariado, mas alguns correligionários afirmaram que Serra já tem em mente alguns dos convites que fará. Entre os cotados estariam os deputados Walter Feldmann, Alberto Goldman e Aluísio Nunes Ferreira, além do ex-chefe da Casa Civil Clóvis Carvalho, que negaram já terem recebido o convite.

- Ainda é muito cedo para discutir essa questão. É necessário em primeiro lugar estabelecer uma transição com o governo atual - ponderou Goldman.

O prefeito eleito fez também questão de rebater a frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, logo após ter derrotado Serra na eleição presidencial de 2002. Ontem, o tucano disse que ''a confiança venceu o medo'' em São Paulo, em alusão à declaração de Lula de dois anos atrás, quando afirmou que ''a esperança venceu o medo e o eleitorado decidiu por um novo caminho para o país''.

O tucano afirmou que quando foi derrotado na eleição presidencial encarou o resultado das urnas com altivez. Agora, que venceu o pleito contra a petista Marta Suplicy, pregou humildade. Disse ainda que o PSDB sabe separar os interesses do povo dos do partido, salientando que os tucanos nunca evitaram votar a favor de reformas do governo federal.

Os vereadores da bancada do PSDB na Câmara Municipal estão estudando fórmulas para adequar o Orçamento enviado à Casa pela prefeita Marta Suplicy (PT) às políticas públicas que Serra pretende adotar no primeiro ano de governo. A equipe de campanha tucana já tem em mãos o Orçamento do ano que vem para analisá-lo e fazer as sugestões aos vereadores do partido, que se reunirão com a futura equipe de transição de Serra para definir como e quais políticas públicas da próxima administração serão encaixadas. A data da reunião ainda não está definida.

[ 02/11/2004 - 06:18 ]


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