PT: Partido bom de voto mas ruim de máquina

BRASÍLIA - O PT que emergiu das urnas neste segundo turno revelou-se bom de voto mas ruim de máquina. Nas administrações petistas e em locais onde a máquina federal funcionou a pleno vapor, embalada pela presença de integrantes do primeiro escalão, por shows de cantores renomados e farto material de campanha , o PT foi reprovado.

Oito das 12 derrotas do PT ocorreram em cidades que administrava ou investiu pesado no segundo turno: São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Belém (PA), Goiânia (GO), Caxias do Sul (RS), Pelotas (RS) e Maringá (PR). Exortados pelo Palácio do Planalto, mais de dez ministros, pesos pesados do PT, showmícios e recursos em abundância marcaram os últimos dias de campanha de Marta em São Paulo, Raul Pont em Porto Alegre, Ana Júlia em Belém, e Angelo Vanhoni em Curitiba. Não surtiu efeito.

Além da derrotas nas capitais, o partido apostou alto em Santos (SP), com a deputada federal Telma de Souza, e acabou derrotado. Em compensação, em Fortaleza, onde o PT federal apareceu timidamente no segundo turno, deu a petista Luizianne Lins na cabeça com folgas: 56,2% dos votos válidos contra o pefelista Moroni Torgan.

- Realmente, algumas derrotas foram muito caras ao partido. Mas não significa dizer que o PT está liquidado. Temos de entender as peculiaridades de cada Estado - reconheceu o líder do PT na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (SP).

Embora o PT tenha sido o partido que conquistou o maior percentual de reeleição (44,4%) ao reeleger nestas eleições 83 das 187 prefeituras conquistadas em 2000, o exame das disputas em redutos históricos do partido é implacável. Além da simbólica derrota em São Paulo para o tucano José Serra, o partido perdeu duas prefeituras que governava há quatro mandatos consecutivos ou seja 16 anos (Porto Alegre-RS e Ipatinga-MG), três prefeituras que governava há três mandatos seguidos (Icapuí, Mirandiba e Alvarenga), 38 prefeituras que governava há dois mandatos consecutivos e 52 prefeituras administradas de 2001 a 2004.

Em Ribeirão Preto, terreno do ministro da Fazenda Antonio Palocci, o partido da estrela vermelha também amargou uma derrota. Das 84 cidades da cidade, o PSDB venceu em 38 municípios e ainda conseguiu eleger o tucano Welson Gasparini para prefeito da cidade que Palocci já governou por duas vezes.

Para o cientista político, David Fleischer, a derrota em Porto Alegre acabou sendo a mais emblemática por todas as circunstâncias que a cercaram:

- A rejeição em Porto Alegre foi a mais emblemática. Mas não dá pra debitar tudo na conta do governo Lula. Temos de lembrar que o Fogaça do PPS é centro-esquerda e que há dois anos o PMDB comanda o governo do estado - minimizou Fleisher.

[ 02/11/2004 - 06:19 ]


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