Exército não impediu boca-de-urna em Campos

A presença do Exército nas ruas, com rodízio de tropas em 20 seções, não inibiu a boca-de-urna em Campos. A Justiça Eleitoral, o Ministério Público estadual e a Polícia Federal passaram o dia recebendo centenas de denúncias de compra de votos e boca-de-urna. Foram detidas 120 pessoas.

– Não há como ter homens o tempo todo em todos os lugares. Há denúncias de delitos nos momentos em que o Exército deixa as seções – admitiu a juíza Maria Teresa Gusmão, responsável pela fiscalização eleitoral em Campos.

O dia foi de denúncias contra as duas coligações que disputaram a eleição, encabeçadas por PMDB e PDT. Há suspeitas de compra de votos e de boca-de-urna nas regiões mais pobres do município. De acordo com o delegado federal Carlos Pereira, a Polícia Federal recebeu em média 200 denúncias por dia. Segundo uma delas, um coronel da PM teria em casa dinheiro para pagar militantes do PMDB. O delegado e o promotor Marcelo Lessa foram à residência do coronel, convidados por ele. Nada foi encontrado.

Em Guarus, fiscais do TRE prenderam Davi Francisco dos Santos, 19 anos, com uma jovem de 16, que teria dado a ele um título de eleitor e pedido que votasse em Geraldo Pudim (PMDB).

– Não cheguei a votar – disse, negando ter recebido dinheiro.

Um homem num Gol branco estaria tentando comprar votos no bairro, mas nada foi apurado.

– Às vezes não conseguimos chegar a tempo. O Exército está muito concentrado, há pontos em que não há ninguém – alegou o fiscal do TRE Luiz Carlos Gomes. À tarde, policiais apreenderam três ônibus de turismo da Viação 1001 vindos do Rio e de Magé. Os 80 passageiros, entre eles militantes da prefeita eleita de Magé, Núbia Cozzolino, foram levados à sede da PF e liberados após advertência do delegado Carlos Ferreira: seriam presos caso fizessem boca-de-urna. O secretário estadual de Ação Social, Fernando William, que estava no comboio, disse que os militantes foram prestar solidariedade ao presidente regional do PMDB, Anthony Garotinho, e à governadora Rosinha Matheus.

– Só entrei em delegacia da Polícia Federal preso pela ditadura. Hoje, em plena democracia, fui levado de novo. Lamentável – disse.

Antes de encerrada a votação no município, o juiz do TRE no Rio, Antônio Boente, determinou que os R$ 318 mil apreendidos na madrugada de sábado na sede do PMDB em Campos fossem depositados na conta do partido tendo o presidente municipal do PMDB como depositário. A Polícia Federal investiga se o dinheiro seria usado para compra de votos.

[ 01/11/2004 - 01:59 ]


[Tempo Real]