Cenário para 2006 inclui chapa Alckmin-Cesar

Sérgio Prado e Sérgio Pardellas

Contabilizados os resultados das eleições municipais, os partidos começam agora a traçar suas estratégias para a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, dos governadores e renovação dos legislativos estaduais e federal. PT e PSDB dominaram o pleito deste ano e tudo leva a crer que dominarão o cenário em 2006, avaliam líderes políticos e analistas.

Está delineado ainda que o PMDB seria atraído pelos petistas e o PFL para o lado tucano. Entre os tucanos, domina a tese de que o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) seria o candidato do campo da oposição, tendo César Maia (PFL) como seu vice.

Esta tese é levantada tanto pelo senador baiano Antonio Carlos Magalhães quanto pelo deputado mineiro Roberto Brant, ambos pefelistas. O senador tucano Tasso Jereissati (CE) defende a mesma idéia. Como é lógico que Lula tentará o segundo mandato, uma parte significativa do PMDB luta para desalojar José Alencar (PL) da chapa do candidato governista. Este jogo começou com a ameaça dos peemedebistas de romperem com o governo. O governador Germano Rigotto (RS) chegou a dizer que o partido teria candidato próprio para presidente.

Mas o alvo seria a cadeira de vice. O PTB, capitaneado por Roberto Jefferson, tem a mesma pretensão.

Apesar das vitórias de outubro, tanto o PT quanto o PSDB minimizam o efeito das prefeituras no pleito de 2006. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, (PSDB) iniciou a campanha de José Serra em São Paulo com um discurso enfático. Segundo ele, ao vencer na maior capital do País, seu partido estaria encurtando o caminho para a volta ao poder central. Mas o discurso na cúpula dos tucanos já começou a mudar.

– É muito precipitado dizer que a eleição de Serra será preponderante para a disputa presidencial – diz o deputado federal Aloysio Nunes Ferreira, vice-presidente do PSDB.

Ele ressalta, porém, que seu partido conseguiu posicionar-se melhor a partir das vitórias em grandes centros, em especial na capital paulista (José Serra), onde vivem mais de 10 milhões de habitantes. Os tucanos venceram também em cidades importantes como Curitiba (Beto Richa), Florianópolis (Dário Berguer) e Ribeirão Preto (Welson Gasparini).

Pelo lado petista, a direção do partido admite que as derrotas em São Paulo e Porto Alegre foram amargas. Mesmo assim, o Palácio do Planalto avalia que o PT cresceu bastante, em especial em municípios pequenos, onde o partido tinha forte rejeição até agora. E venceu também em grandes cidades como Belo Horizonte (Fernando Pimentel), Recife (João Paulo), Fortaleza (Luizianne Lins), Vitória (João Coser) e Guarulhos (Elói Pietá), o segundo maior município de São Paulo.

Os líderes do PT destacam ainda que vários aliados de Lula, como o PSB e PPS, foram bem no embate municipal, embora em várias cidades tenha havido disputa dentro da base aliada. O chefe da Casa Civil, José Dirceu, trabalha no sentido de aparar as arestas e descarta a ligação estreita entre a eleição deste ano com a de 2006.

Só para ficar nos exemplos dentro de casa, Dirceu lembra que em 1989 a petista Luiza Erundina era a prefeita de São Paulo, e Lula foi derrotado por Fernando Collor de Mello na cidade.

– Em 2002, Marta era a prefeita, e o presidente teve menos votos que o Serra aqui – ponderou o ministro.

O cientista político Alexandre Barros, da Early Warning, que acompanha os movimentos de grandes investidores nacionais e estrangeiros, acha que o que vai definir o voto para presidente será o desempenho da macroeconomia.

Com o crescimento da atividade produtiva e do emprego, investimentos na área social e na infra-estrutura o PT e seus aliados acreditam que Lula reunirá as condições políticas para ser reeleito para mais quatro anos. Seja o apoio popular ou empresarial.

A costura para obter maior lastro da indústria passa pelas Parcerias Público-Privadas (PPP), proposta que está em tramitação no Senado Federal. Outra ponta desta colcha de retalhos é a política industrial, que está sendo implementada desde o primeiro semestre deste ano.

A iniciativa privada discute com o Planalto isenções de tributos nos novos investimentos, no projeto de reforma tributária, que está na Câmara dos Deputados. Com o sistema financeiro, a relação do chefe do Executivo vai bem desde 2002, quando divulgou a Carta ao Povo Brasileiro, em que comprometeu-se a cumprir todos os contratos herdados de Fernando Henrique Cardoso.

– Se Lula ampliar o apoio da indústria, e mantiver a simpatia que já tem dos bancos, será muito difícil outro candidato reunir votos para batê-lo em 2006 – analisa Barros.

[ 01/11/2004 - 01:57 ]


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