Wallace Nunes
SÃO PAULO - Sorriso amarelo e tristeza. Desde as primeiras horas da manhã era assim que a prefeita Marta Suplicy e a cúpula do PT mostravam-se na sede do comando de campanha. Já aparentando desconforto com a derrota no café da manhã com jornalistas, a prefeita disse não estar preocupada com seu futuro político. A prefeita admitiu a derrota no início da noite. Agradeceu à militância e ao povo de São Paulo pelos quatro anos de mandato e desejou sorte a José Serra.
– Faz parte da democracia. Agradeço os 2,5 milhões de votos, cumprimento meu adversário desejando-lhe sorte. A população escolheu o que é melhor para a cidade – afirmou, concluindo: – A luta continua.
O presidente do PT, José Genoino, disse que o partido é calejado e experiente:
– Quem está na política tem vitórias e derrotas. Não há dúvida. Sofremos duas derrotas significativas. São Paulo e em Porto Alegre são centros importantes e agora faremos uma avaliação – disse o dirigente petista.
Para Genoino, Serra foi eleito usando a rejeição a Marta e alguns preconceitos:
– Serra baseou a campanha mais em críticas pessoais que propostas para a cidade. O PT tira, com a derrota, esta lição.
Inconformado, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, disse que a derrota da prefeita é uma injustiça de parte da população da cidade.
– O índice de aprovação de Marta nos dava um fio de esperança – lamentou Mercadante, cotado pela cúpula nacional petista como virtual candidato ao governo do Estado em 2006.
Mercadante destacou que a vitória foi mais da democracia que do PSDB. O senador citou números dos eleitores que votaram em Marta, na maioria da periferia da cidade.
O senador Eduardo Suplicy também felicitou o tucano e disse administrar uma cidade como São Paulo não pode ser feita a base críticas pessoais.
– São mais de 10 milhões de habitantes. Não se pode agradar a todos – disse o petista.
Os vereadores Arselino Tatto e José Américo, fiéis escudeiros da prefeita, culparam a classe média paulistana:
– Ela governou para melhorar a condição de trabalho do pobre e a classe média se ressentiu – disse Tatto. Para José Américo, a classe média e o conservadorismo do paulistano fez diferença.
– Todos os votos do Paulo Maluf, que tem um eleitorado conservador, migraram para o Serra – disse o vereador.
Em conversas informais os petistas já falavam sobre o futuro político de Marta Suplicy.
Um importante membro do governo federal afirmou que a prefeita terá que recomeçar sua carreira política, caso queria alçar vôos maiores.
Para ele, está descartada a ida de Marta para o ministério.
– O que pode acontecer é a prefeita assumir um cargo na cúpula do partido, mas isso só será discutido em 2005.