Richa é eleito em Curitiba

Folhapress

CURITIBA e LONDRINA - A festa da eleição de Beto Richa (PSDB), à Prefeitura de Curitiba foi em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná, no Centro Cívico. Foi uma provocação simbólica: a comemoração ocorreu na praça onde se deram os maiores comícios em favor do candidato derrotado, Ângelo Vanhoni (PT), que tiveram participação ativa do governador Roberto Requião (PMDB).

A vitória de Richa em Curitiba representa a derrota do PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - que considerava estratégica uma vitória na cidade - e a derrota do PMDB do governador Requião. O partido do governador disputou junto com Vanhoni, ocupando a vaga de vice na sua chapa. Na semana da reta final, Requião deixou o governo para tentar, no corpo-a-corpo, uma virada em favor do petista. Não conseguiu.

Terminada a apuração na Justiça Eleitoral, Richa foi confirmado prefeito eleito com 54,78% dos votos, contra 45,22% de Vanhoni.

– Foi uma vitória trabalhada e suada – comemorou o prefeito eleito, antes de subir num caminhão para discursar aos eleitores. – Não fui o candidato do presidente, não fui o candidato do governador nem do prefeito. Vamos marcar um novo estilo de administrar a cidade.

No Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e depois na praça em frente ao Palácio Iguaçu, grupos de mulheres jovens o receberam com gritos de “lindo, lindo”, que ele retribuía com acenos.

Richa disse esperar que, passada a eleição, “acabem as divergências político-partidárias” e ele passe a trabalhar com a cooperação do governo do estado, como na integração das polícias Militar e Civil com a Guarda Municipal, para derrubar os índices de violência na cidade, uma das principais propostas do adversário petista.

Vice-prefeito que trombou com Cassio Taniguchi (PFL) no período de definição de candidaturas e se aliou ao grupo do senador Alvaro Dias (PSDB), Richa vence sua primeira eleição majoritária importante. Deputado estadual por dois mandatos e vice eleito em 2000 na chapa de Taniguchi, ele chegou em terceiro na disputa ao governo do estado, em que Requião derrotou Dias no segundo turno, em 2002. O senador tucano acalenta a intenção de voltar a concorrer ao governo, em 2006, mas para isso terá de vencer internamente o próprio irmão, o também senador Osmar Dias (PDT).

Vanhoni disse lamentar a derrota - foi sua terceira tentativa de governar Curitiba -, mas afirmou que deseja “um bom governo” ao adversário.

– Espero que ele entenda que a cidade precisa de investimentos em saúde e educação – afirmou.

Vanhoni também disse que não atribui a derrota apenas a erros de sua campanha.

– Em política, (a derrota) não se dá só naquilo que você deixou de fazer, mas também nos acertos do adversário – disse.

O PT acabou sendo o grande derrotado no segundo turno das eleições municipais no Paraná, perdendo em dois dos três municípios do interior onde governava. A única cidade em que o partido se manteve no poder foi em Londrina, com a vitória de Nédson Micheleti contra o ex-prefeito cassado Antônio Belinati (PSL). É a primeira vez na história de Londrina (379 km ao norte de Curitiba) que um prefeito consegue ser reeleito. Micheleti, com 97,50% dos votos apurados, tinha 53,59% dos votos válidos contra 46,41% de seu adversário.

Belinati, cassado em junho de 2000, responde a 37 processos na Justiça e afirmou que sua “expressiva votação” mostrou sua reabilitação política. Em Maringá (420 km a noroeste de Curitiba), o prefeito João Ivo Caleffi (PT) foi derrotado por Sílvio Barros (PP). A outra derrota petista aconteceu em Ponta Grossa, onde Péricles de Mello não conseguiu se reeleger. Com 70,72% dos votos apurados, Pedro Wosgrau (PSDB) tinha 53,15% dos votos válidos contra 46,85% dos votos para Mello.

[ 01/11/2004 - 01:30 ]


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