SALVADOR - A derrota do senador César Borges (PFL) na disputa pela Prefeitura de Salvador coloca em risco o futuro do carlismo no Estado e ameaça uma hegemonia política que vem desde 90, quando o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL), assumiu o governo pela terceira vez.
Com a eleição do pedetista João Henrique Carneiro, as oposições baianas fincam o pé não apenas na mais importante cidade da Bahia.
– Além da retomada da administração política de Salvador, depois de oito anos, conseguimos ampliar a nossa participação em todo o estado, vencendo as eleições em cidades importantes como Camaçari, Ilhéus, Vitória da Conquista e Alagoinhas – disse a deputada estadual Lídice da Mata (PSB), que disputou o primeiro turno em Salvador.
Com 88,44% dos votos apurados, João Henrique Carneiro tinha 74,66% dos votos, contra 25,34% de César Borges.
– As eleições estaduais de 2006 serão um marco para as oposições. Agora, as nossas chances de vitória são reais, desde que haja uma união em prol do mesmo objetivo, que é varrer o grupo do senador ACM da política baiana – disse o deputado federal Zezéu Ribeiro (PT).
Com mais seis anos de mandato pela frente, César Borges praticamente está alijado da disputa estadual.
– Há um desgaste muito grande do nome do senador junto aos eleitores. Para a maioria, ele é um político sem independência, que só faz o que o senador ACM quer – disse um aliado de Borges.
Com isso, o carlismo conta basicamente com dois nomes para disputar a sucessão estadual: o governador Paulo Souto (PFL) e o prefeito de Salvador, Antonio Imbassahy (PFL).
Em conversas informais, o próprio ACM - que sempre dá a última palavra em relação à escolha dos nomes dos candidatos - já admitiu que Souto e Imbassahy são os mais cotados para tentar manter o PFL no poder estadual.
Imbassahy aposta em um fracasso da administração de João Henrique Carneiro para “somar pontos” junto ao grupo carlista.
– A minha administração sempre foi muito bem avaliada pelos eleitores. Agora, vamos ver se João Henrique vai conseguir realmente cumprir as promessas que fez durante toda a campanha – disse Imbassahy.
Em público, o governador Paulo Souto não admite que é candidato à reeleição, mas, nos bastidores, trabalha para ficar mais quatro anos no Palácio de Ondina (residência oficial do governo baiano) e igualar a marca do senador ACM. Os eleitores de Salvador votaram cedo para aproveitar a praia - a cidade registrou uma temperatura média de 33º. Inconformado com a sua maior derrota política em Salvador, ACM disse que “torceu contra o PT” em todo o país.
– O PT, da maneira como agiu nesta eleição, demonstrou que não tem condições de governar o país. Foi a eleição mais imoral do Brasil-República.