As novas estrelas do palco da política

Romoaldo de Souza

BRASÍLIA - As eleições municipais também fazem surgir novas estrelas no palco da política nacional. Luizianne Lins (PT), em Fortaleza, Marisa Formolo (PT), em Caxias, João Henrique (PDT), em Salvador, e Alberto Bejani (PTB), em Juiz de Fora, prometem ocupar espaço considerável e aumentar a dor de cabeça do governo federal. A estrela mais marcante do pleito encerrado ontem é a prefeita eleita de Fortaleza (CE), Luizianne Lins.

Com a determinação dos escorpianos (faz 36 anos no dia 18), Luizianne derrotou os caciques cearenses – como os Benevides, incrustados no PMDB; o senador Tasso Jereissati (PSDB); e até os chefões do seu partido, o PT, que no primeiro turno preferiam a candidatura do deputado Inácio Arruda (PC do B), que naufragou, apesar do apoio da máquina federal.

Durante a campanha, o também cearense José Genoino, presidente do PT, tentou desqualificar a candidata petista, chamando-a de “sectária” por não seguir orientação da cúpula do partido. O presidente Lula também saiu chamuscado com a vitória de Luizianne. Apoiou, no primeiro turno, Inácio Arruda. Gravou mensagem no rádio e na TV que só não foi veiculada por decisão da Justiça Eleitoral.

Para surpresa dos companheiros marxistas, a nova prefeita de Fortaleza incorpora mais um adjetivo: religiosa. No início da campanha, quando crescia pressão para que apoiasse Inácio Arruda, os pedreiros encontraram, nos escombros do comitê, uma imagem de Nossa Senhora.

– Esse fato me fez pensar na fé, em minha espiritualidade, e coisas boas ocorreram durante a campanha – conta a prefeita eleita, atualmente deputada estadual.

Do Ceará para o Rio Grande do Sul. Outra estrela que vai dar dor de cabeça nos capas pretas do PT é a professora Marisa Formolo, 58 anos. Nascida camponesa, na comunidade italiana da Rocca, interior de Caxias do Sul, foi do movimento estudantil, das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e fundadora do Movimento de Direitos Humanos, de resistência à ditadura.

Foi pelas mãos de Marisa – vice-prefeita em 1997, no primeiro mandato de Pepe Vargas – que Caxias, uma das cidades mais prósperas do Sul, conheceu o orçamento participativo, idéia do PT que só deu certo lá.

Como o governo anestesiou três lideranças gaúchas – Miguel Rossetto, ministro do Desenvolvimento Agrário; Olívio Dutra, das Cidades: e, Tarso Genro, da Educação –, a nova prefeita passa a ser a liderança no Rio Grande do Sul. Se repetir o sucesso dos dois mandatos de Pepe, vai incomodar os ministros que disputam a preferência do governo para disputar o governo gaúcho, em 2006.

Como Luizianne Lins, outro eleito vem de Assembléia Legislativa estadual. O novo prefeito de Salvador (BA), João Henrique, economista de formação e político profissional, 45 anos, entrou para a política pelos braços do pai, João Durval Carneiro, ex-governador da Bahia, ex-aliado do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL).

Vereador e deputado estadual, João Henrique foi eleito pelo PDT, dispensando a preferência do principal cacique da política baiana, o senador ACM, que apoiou César Borges, fulminado por João Henrique. Apesar da pouca experiência, João Henrique tem condições de botar o carlismo na geladeira e deixar o PT com a pulga atrás da orelha.

Por fim, a quarta estrela vem de Juiz de Fora, no Sul de Minas. Alberto Bejani (PTB), ex-aliado de Collor, derrotou Custódio Mattos (PSDB). Enquanto Mattos tinha o apoio do ex-presidente Itamar Franco, Bejani caiu nas graças do PT. O presidente do partido, José Genoíno, subiu no seu palanque, e o PT pagou cachês a artistas como Wanessa Camargo e Leonardo.

A decisão de Genoino de apoiar Bejani provocou cisma na legenda petista de Juiz de Fora, exatamente pelo passado do novo prefeito. Mas o pragmático José Genoino tinha como objetivo aniquilar o líder dos tucanos na Câmara, Custódio de Mattos.

[ 01/11/2004 - 01:18 ]


[Tempo Real]