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Compromisso
Ao completar 110 anos,
o Jornal do Brasil anuncia duas mudanças: ele agora é publicado
por uma nova empresa, e a redação tem um novo diretor. São mudanças importantes.
Mas elas não alteram o princípio que orientou o jornal nas últimas décadas
- o da independência editorial.
Independência editorial
significa que os repórteres dispõem de liberdade para apurar todas as
notícias que considerem relevantes. Os editores têm independência para
estampá-las na sua inteireza. Os articulistas são livres para analisar
a luta política, a cena econômica e o panorama cultural. Há espaço para
a crítica e a denúncia. A redação tem liberdade para publicar o que acredita
ser a verdade sem ceder a qualquer interferência - a não ser as ditadas
pela responsabilidade, pela boa-fé, pela decência e pelo rigor profissional.
A propaganda não
se choca com a independência editorial. Quanto mais anunciantes o jornal
tem, quanto mais pulverizados eles são, tanto melhor. Com centenas de
anunciantes, nenhum deles tem peso nas finanças do jornal. É essa a regra
da boa imprensa em todo o mundo. Só as empresas jornalísticas economicamente
saudáveis podem dar condições a seus profissionais para que investiguem
a verdade e resistam a pressões, venham de onde vierem.
A independência editorial
exige que os interesses comerciais estejam separados do conteúdo do jornal.
Eles não se misturam. Nenhum anunciante, nenhuma empresa, nenhuma consideração
de ordem comercial pode interferir nas notícias, artigos, colunas, ensaios,
charges e fotos que o jornal publica.
Independência editorial
significa independência política. O jornal faz questão de veicular as
idéias de todas as correntes de opinião que existem na sociedade brasileira.
A livre circulação de pontos de vista e o incremento do debate político
contribuem para o melhor entendimento dos problemas nacionais e, em conseqüência,
para o posicionamento esclarecido dos leitores. O jornal não se furtará
a dar a sua opinião política. Mas ela estará circunscrita aos editoriais.
No noticiário, se buscará a objetividade e a isenção.
O Jornal do Brasil
vem de atravessar anos difíceis, de crise. Mas a tradição, a alma
do JB, permanece. Ela é fruto do trabalho continuado de centenas
de profissionais de imprensa que, ao longo de 110 anos, forjaram um jeito
peculiar de contar o que acontece no Rio de Janeiro, no Brasil, no planeta.
Esse jeito de ser ganha vida quando o leitor abre um parênteses no seu
dia e percorre as páginas do jornal para se inteirar das notícias - e
também para rir das charges, para concordar ou discordar das opiniões,
para se irritar, se divertir, se emocionar, se indignar, ponderar, pensar.
Esse jeito de ser
permanecerá. O JB continuará tendo como norte a excelência jornalística.
Procurará publicar reportagens exclusivas, bem apuradas. Não terá receio
em perturbar os poderosos. Buscará destrinchar a complexidade da vida
contemporânea - mas sem ser chato. Sempre que cabível, tratará os fatos
com leveza e bom humor. Com elegância, também. Prezará a inteligência.
Fugirá da vulgaridade e do sensacionalismo. Será curioso. Reconhecerá
os seus equívocos. Terá a ambição de aprofundar temas sem perder a clareza.
Contra a cacofonia das imagens televisivas, valorizará a lógica e a coerência.
Usará com criatividade e correção os recursos da língua portuguesa.
Esse jeito de ser
do Jornal do Brasil se renovará a cada dia. Suas páginas estarão
abertas para a experimentação, para a juventude. Assim, o jornal estará
à altura do tempo vertiginoso em que vivemos e poderá atingir o seu objetivo
primeiro: compartilhar a busca da verdade com o leitor.
Mario Sergio Conti
Diretor de
redação
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