Jornal do Brasil

Sábado, 18 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

Cultura

Saxofonista faz o primeiro álbum 100% autoral

Em ‘Afinidades’, Daniela Spielmann dedica composições a amigos e colegas de banda

Jornal do Brasil JOÃO PEQUENO, joao.pequeno@jb.com.br

Figura carimbada da cena instrumental do Rio, a saxofonista e flautista Daniela Spielmann lança seu primeiro álbum somente com músicas – bem acertadas – de sua autoria, depois de quase duas décadas de carreira fonográfica e dezenas de participações em grupos e trabalho em conjuntos. 

Só e bem acompanhada, a carioca de 48 anos não deixou de lado as boas parcerias, que se fazem presentes inclusive no nome do álbum “Afinidades”, que ela lança hoje, na Sala Baden-Powell, em Copacabana.

Além de compor as 13 faixas do disco, Daniela fez todos os arranjos e contou com convidados escolhidos a dedo, como Idris Boudrioua, no sax alto em “Mergulho”, Silvério Pontes, que toca trompete e flugel em “Pro Digão” e “220 V”, Dudu Maia, responsável pelo bandolim no choro-baião “Amigos eternos”, e Beto Cazes, que faz percussão em quatro faixas.

Daniela como sax soprano, instrumento que mais toca em seu novo álbum

“Chamei pessoas que eu admiro, como Idris – meu professor –, e o Silvério Pontes”, elogia a saxofonista, que, no final da década de 1990, começou a integrar o grupo de choro Rabo de Lagartixa e, três anos depois, lançou seu primeiro CD solo, “Brazilian breath”.

As duas únicas músicas compostas por ela para o álbum de 2001 – “Raxin” e “Seu Silva” – voltam agora em “Afinidades”, com as 11 faixas inéditas.“Tem muitas coisas que eu fui compondo ao longo desse tempo. Umas mais antigas, outras mais novas. A última foi ‘Xan Xan’”, que eu finalizei a uma semana de gravar”, relata. 

O motivo foi, justamente a afinidade, pois ela havia composto músicas dedicadas a dois dos três instrumentistas que a acompanham em todo o álbum: o baixista Rodrigo Villa (a balada “Pro Digão”) e o violonista/guitarrista Domingos Teixeira (o choro “Lobo Guará”). “Faltava uma para o Xande [Figueiredo, baterista]. Não podia deixá-lo de fora”.

Outra homenagens, com as devidas participações, vão para a pianista Sheila Zagury e a clarinetista israelense Anat Cohen. Sheila toca em cinco faixas, inclusive as da trilogia “Maurice et Albertine”, inspirada na imaginação de um casal que se encontra, se separa e, depois, recomeça. A clarinetista tem seu nome abrasileirado no choro “Anatilda”, na qual toca, assim como em “O rastro”.

A própria Daniela usa dois tipos de sax no álbum, que passeia fluentemente entre a música instrumental brasileira e a influência do jazz. Em “Anatilda”, vai tanto de sax tenor quanto de soprano – o mais presente, em oito faixas. Já o tenor está em quatro faixas. A flauta, ela só toca em “Amigos eternos” e no primeiro movimento de “Maurice et Albertine” – com arranjos de cordas. “220 V” e “Lobo Guará” também têm flauta, mas de outro convidado, Alexandre Romanazzi. 

“Já havia composto também em trabalhos conjuntos, com o [clarinetista e também saxofonista] Mário Séve e o [violonista]Marcelo Gonçalves, mas este foi o primeiro só com músicas minhas. Estava com vontade de ter essa gestão sobre o CD. Pude editar tudo, fazer os arranjos, como quis”. Dentre os participantes, Sheila, Silvério, Romanazzi e Beto Cazes tocam no lançamento.

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SERVIÇO

DANIELA SPIELMANN - AFINIDADES

Sala Baden Powell (Av. Nossa Senhora de Copacabana, 360 - Copacabana; Tel.: 2547-9147). Hoje, às 19h. Ingressos: R$ 20.



Tags: caderno b, cultura, daniela spielmann, jazz, música

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