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Terça-feira, 17 de Julho de 2018 Fundado em 1891

Cultura

‘O som do vinil’ chega à 12ª temporada com apresentação de Charles Gavin

Jornal do Brasil JOÃO PEQUENO, joao.pequeno@jb.com.br

Quando, em 2007, o Canal Brasil convidou Charles Gavin para apresentar um programa sobre discos icônicos da música brasileira, nem o músico nem a emissora esperavam que, passada mais de uma década, o projeto estaria seguindo adiante. Já havia uma década que a indústria fonográfica brasileira suspendera a produção de discos de vinil e o então baterista dos Titãs produzia reedições de álbuns clássicos em CD, com uma ideia semelhante à que seria adotada no começo de “O som do vinil”, inicialmente lançado como um programa experimental, em apenas seis episódios, e que estreia amanhã, às 21h30, a série que já é a sua 12ª temporada.

Nesse meio tempo, enquanto as vendas de CDs afundavam, soterradas pela pirataria e por novas formas de comercialização e divulgação de música online, o vinil ressurgiu no comércio de álbuns inéditos, ainda que em pequena escala. Voltada para um público específico, formado especialmente por músicos, fãs e colecionadores, a produção dos “bolachões” foi retomada a partir da compra da fabricante Polysom pelo selo Deckdisc e estimulou a criação de mais algumas gravadoras. 

Gavin, no canto à esquerda, entrevista integrantes do Biquíni Cavadão, como o guitarrista Carlos Coelho, sobre ‘Descivilização’; vai ao ar no próximo dia 20

Essa renovação acabou contribuindo também para a perenidade do programa, que, nessa temporada, além de entrevistas sobre LPs antigos, tem artistas que lançaram discos em 2014 (Cachorro Grande, com “Costa do Marfim Rael”), 2016 (Rael, “Coisas do meu imaginário” e Liniker, “Remonta”) e 2017 (Curumin, “Boca” e Sepultura, “Machine messiah”).

Como em um álbum duplo, Os Paralamas do Sucesso, que falam tanto sobre “Sinais do sim”, do ano passado, quanto sobre “Nove luas” – primeiro álbum 100% de estúdio do trio a ser lançado somente em CD, em 1996, ele foi reeditado em vinis neste ano pelo Noize Record Club, de Porto Alegre, um clube de assinaturas de LPs. “Assim, em vez de um, pudemos falar logo sobre dois discos”, conta Gavin, que, com os Titãs, teve em “Domingo” seu último lançamento no formato, em 1995. “É raríssimo, porque as companhias já lançavam muito poucos vinis”, lembra o músico. O estouro de vendas do grupo com o posterior “Acústico MTV” já veio só em CD.

Ney Matogrosso é um dos convidados da série que apresenta a reedição em vinil de ‘Nove Luas’ao disco de 1982 onde Júnior canta sambas

“Quando a Polysom foi reativada, as pessoas começaram, a voltar a lançar discos em vinil e isso nos possibilitou essa outra vertente. Nessa temporada, falo tanto com Liniker e os Caramellows, que são artistas mais recentes, quanto com o Sepultura, mas, em vez do “Chaos AD” [disco de 1993], sobre o álbum que eles fizeram no ano passado’, comemora o músico e apresentador. 

Atualmente com Kiko Continentino nos teclados, o Azymuth, com seu jazz fusion à brasileira, é outro trio de veteranos que fala sobre um álbum recente, “Fênix”, de 2017. Mas a 12ª temporada também não dispensa clássicos como em papos com o Quinteto Armorial, sobre “Do romance ao galope nordestino”, de 1974, Fagner (“Quem viver chorará, de 1978), Ney Matogrosso (“Seu tipo”, de 1979) e Wilson Moreira – baterista como Gavin, além de cantor –, sobre “Peso na Balança”, de 1986.

Único integrante vivo da Orquestra Afro-Brasileira, o cantor e percussionista Carlos Negreiros fala sobre o disco homônimo, de 1968, da banda que ele retomou no ano passado, depois de encerrar as atividades na década de 1970.

Entre os contemporâneos, as entrevistas incluem o Biquíni Cavadão, com “Descivilização, e o jazzy Nouvelle Cuisine, ambos de 1991. Posterior, o rapper MV Bill fala sobre a reedição de “Declaração de guerra”, de 2002. 

Capa do cd dos Paralamas do Sucesso

Ainda no clima da Copa do Mundo, o ex-jogador (e hoje comentarista) Júnior abre a temporada hoje, às 21h30, conversando sobre seu álbum homônimo lançado em 1982. Às vésperas da edição disputada na Espanha, ele trazia “Voa, canarinho”, que, naquele ano, se tornou o hino da seleção, na qual o craque jogava.

A cada nova temporada, os novos entrevistados são escolhidos “de forma muito democrática”, afirma Gavin, que, além dos LPs indicados pelo jornalista Tárik de Souza, divide a tarefa com a diretora Gabriela Gastal, da Samba Filmes – “parceira responsável por me fazer melhorar como apresentador” – e o diretor-geral do Canal Brasil, Paulo Mendonça, coautor, com João Ricardo, de “Sangue Latino”, sucesso dos Secos e Molhados em 1973. “Além da TV, ele é um homem de música, compositor, com grande conhecimento e interesse. Nossas reuniões para escolher o ‘repertório’ de bandas e músicos a serem entrevistados acabam sendo grandes papos sobre música brasileira, nas suas diversas vertentes”, ressalta Charles Gavin.

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SERVIÇO

O SOM DO VINIL

CANAL BRASIL, amanhã, às 21h30. Programação completa da temporada 2018 em http://canalbrasil.globo.com/programas/o-som-do-vinil.



Tags: caderno b, canal brasil, cultura, gavin, música

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