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Terça-feira, 17 de Julho de 2018 Fundado em 1891

Cultura

História do Morro do Castelo inspira longa-metragem de Sinai Sganzerla

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O Morro do Castelo, sítio que marca a fundação da cidade do Rio de Janeiro, tem uma história cheia de reviravoltas, que inclui batalhas entre portugueses, franceses e índios tamoios, remoções devido a interesses imobiliários e até uma lenda sobre um tesouro escondido. Um enredo que daria um filme. Por isso, quando a cineasta Sinai Sganzerla conheceu mais a fundo essa história, ficou justamente surpresa de que ainda não existisse um documentário sobre o tema. Da surpresa passou para a ação. Depois de cinco anos de pesquisa, a filha de Rogério Sganzerla e Helena Ignez estreia seu primeiro longa-metragem como diretora: “O desmonte do Monte”, que entra em cartaz no Rio hoje, com sessões no Estação NET Botafogo 2, Cine Santa e Cine Joia, depois de elogiadas exibições em festivais pelo país. A narração do filme é feita por Helena Ignez, Negro Leo e Marcus Alvisi.

“Descobri a história de destruição do Morro do Castelo por acaso porque ela foi abafada e ainda hoje é pouco divulgada. Apenas no fim dos anos 1990 e começo dos 2000 começaram a ser lançadas algumas obras sobre o tema”, comenta Sinai, que também assina a pesquisa e roteiro do filme. “Fiquei surpresa de ainda não haver um filme que documentasse essa história e motivada a filmar uma obra abrangente, que resgatasse os episódios marcantes que cercaram a região”, diz.

Sinai Sganzela estreia como diretora com o documentário

 A partir de cerca de 700 iconografias e pinturas de diversos períodos, “O desmonte do Monte” acompanha 465 anos de história do Rio: vai desde a guerra entre franceses e portugueses e o extermínio de índios que antecederam a fundação da cidade até os dias de hoje. O Morro do Castelo, conhecido como “Colina Sagrada”, foi escolhido pelos colonizadores portugueses para ser o local das primeiras moradias do Rio. Apesar de sua importância histórica e arquitetônica, o morro foi destruído por reformas urbanísticas com o intuito de “higienizar” a cidade e promover a especulação imobiliária.

“Faço também uma relação breve com a Vila Autódromo, que não existe mais por conta das obras olímpicas, e analogia aos desmontes que continuam acontecendo sob falsos pretextos”, acrescenta a diretora, também sócia da Mercúrio Produções e produtora de filmes como “Luz nas trevas” (2012), “Ralé” (2015), e “A moça do calendário”, ainda inédito em circuito comercial.

O documentário também detalha a curiosa lenda do tesouro, segundo a qual ouro e pedras preciosas teriam sido armazenados nas galerias subterrâneas do morro por jesuítas na época colonial, que acabaram expulsos da região. Durante muito tempo, acreditou-se que existia uma riqueza escondida e inúmeras requisições foram feitas para conseguir uma autorização para a exploração do Morro do Castelo. Trechos do romance “O subterrâneo do Morro do Castelo”, reunião de crônicas escritas por Lima Barreto no jornal Correio da Manhã que contam parte desta história, são lembrados no longa. O autor foi uma das poucas vozes que defenderam publicamente a permanência e vida do Morro do Castelo de São Sebastião.

“Quis contar a trajetória do Morro Castelo de uma maneira muito clara e acessível, também para reforçar a importância de preservar nossa história”, completa a diretora. 



Tags: cinema, cultura, história, memória, morro

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